Uma mulher de Rondônia, identificada pelo nome fictício de Maria, afirma ter descoberto que foi infectada pelo HIV pelo então namorado, o dentista Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, somente após receber o diagnóstico e procurar atendimento médico. Segundo ela, a infecção teria ocorrido de forma intencional. O caso veio à tona em meio a uma investigação que reúne relatos de outras mulheres contra o profissional.
Maria contou que começou a apresentar sintomas menos de um mês depois do início do relacionamento. Febre, dores no corpo, vermelhidão, coceira, dor de cabeça, cansaço e infecções recorrentes fizeram com que ela procurasse atendimento médico.
Após realizar exames para investigar uma possível infecção sexualmente transmissível, a mulher recebeu o diagnóstico positivo para HIV. Foi durante uma consulta com uma infectologista que ela descobriu que o nome do namorado correspondia ao de um homem já investigado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO).
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Entenda o que aconteceu
Maria conheceu Jean por meio de um site de relacionamentos. De acordo com o relato da vítima, o relacionamento avançou rapidamente e os dois passaram a passar bastante tempo juntos.
Poucas semanas depois, ela começou a apresentar problemas de saúde que não melhoravam. Segundo Maria, o dentista chegou a sugerir que poderia prescrever um antibiótico e pediu que ela não contasse à família que os sintomas continuavam.
A situação levou a mulher a procurar novos atendimentos e realizar exames. O diagnóstico de HIV mudou a rotina dela e, posteriormente, revelou uma conexão com uma investigação que já envolvia o namorado.
Ao informar o nome do parceiro durante uma consulta, Maria descobriu que se tratava do mesmo homem citado na investigação. “Eu era mais uma vítima do Jean”, relatou a mulher.
Dentista já era investigado por outros casos
Segundo o Ministério Público de Rondônia, Jean tinha conhecimento de que era portador do HIV havia cerca de dez anos. O órgão sustenta que ele não teria seguido adequadamente o tratamento antirretroviral e teria mantido relações com mulheres sem informar a condição de saúde.
Pelo menos quatro mulheres foram acolhidas pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do MP-RO, com relatos semelhantes. O dentista é investigado em processos envolvendo outras três vítimas além do caso que já foi julgado.
Condenação em um dos casos
O caso de Maria foi o primeiro levado a julgamento. Em 24 de agosto, Jean foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização à vítima.
A decisão, no entanto, ainda pode ser contestada pela defesa. Segundo informações divulgadas anteriormente, o advogado do dentista afirmou que ele fazia tratamento antirretroviral e que não acreditava estar transmitindo o vírus às mulheres.
Nova prisão foi determinada pela Justiça
Mesmo após a condenação, o Ministério Público pediu uma nova prisão preventiva do dentista. O pedido foi baseado, entre outros pontos, na avaliação de que havia risco de novas vítimas.
A Justiça de Rondônia aceitou o pedido na quarta-feira (9), e Jean voltou a ser preso, desta vez em regime fechado. Ele também responde a outros processos relacionados às suspeitas de transmissão intencional do HIV.
Vítima relata impacto na família
Maria afirma que as consequências do diagnóstico ultrapassaram a própria saúde e atingiram pessoas próximas.
“Fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usufruído de toda intimidade da minha casa e família”, afirmou.
Segundo ela, o diagnóstico também trouxe medo da exposição e do preconceito.
“Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira”, relatou.
O que dizem as investigações
O MP-RO afirma que Jean teria mantido relacionamentos com mulheres entre 2023 e abril de 2026 sem revelar que vivia com HIV. Médicos ouvidos durante a investigação relataram que ele não seguia regularmente o tratamento, o que teria mantido a carga viral detectável.
Com o tratamento antirretroviral adequado, pessoas vivendo com HIV podem alcançar carga viral indetectável. Nessa condição, não há transmissão sexual do vírus.
Além da condenação já registrada, o Ministério Público acompanha outros relatos. A nova prisão preventiva foi determinada justamente no contexto desses processos ainda em andamento.
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Entenda o contexto
O caso reúne acusações de diferentes mulheres contra um dentista de Rondônia. Uma delas, Maria, recebeu diagnóstico de HIV após o início do relacionamento e afirma que descobriu posteriormente que o namorado já era alvo de investigação.
Jean foi condenado em agosto por um dos casos e voltou a ser preso em setembro após nova decisão judicial. Os demais processos ainda estão em andamento, e as acusações devem ser analisadas pela Justiça.
Para Maria, a busca por justiça também passa pelo enfrentamento do preconceito associado ao HIV. “Não se sinta culpada. Parece o fim do mundo, mas não é. Procure ajuda”, afirmou.
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