Ivete Sangalo transforma o último dia do Rock in Rio em celebração pessoal e coletiva com o show “A La Sangalo”, seu 20º espetáculo no festival, diante de um Palco Mundo lotado e molhado de chuva.
Aos 54 anos, a baiana revisita a própria história, reafirma raízes latinas e baianas e se firma como a artista que mais vezes se apresenta no evento em diferentes países, agora com as filhas dividindo a cena.
Show vermelho, latinidade à flor da pele e chuva
Ivete surge por volta das 17h, no alto de uma plataforma vermelha, envolta por folhagens cenográficas da mesma cor. Quando os bailarinos abaixam o cenário, aparece o figurino longo, rendado, cravejado de pedras vermelhas. Minutos depois, a cauda some e o vestido vira curto, pronto para a dança.
O Palco Mundo exibe escadarias vermelhas e projeções de flores e onças em cerca de 2,4 mil metros quadrados de painéis de LED. A chuva começa a engrossar, capas plásticas se multiplicam na plateia, mas o público obedece ao primeiro comando em “Dançando”: mãos na cabeça, mãos na cintura.
Ivete reage ao tempo hostil como se fosse aliado. “Que chuva mais maravilhosa”, provoca, enquanto conduz uma sequência que passa por “A Galera” com sample de Bad Bunny, lambada de “Chorando se Foi”, cumbia, salsa e o romantismo de “Corazón Partío”, em espanhol, com o pedido de “manos arriba”.
Baianidade, carreira longa e pacto com o festival
O conceito “A La Sangalo”, maturado com semanas de suspense nas redes sociais, vira espetáculo completo. A cantora explica a própria narrativa no microfone: “Porque ela é latina, é maluca, ela é da Bahia, ela é do Brasil, ela é da onde ela quiser ser”. O roteiro costura essa identidade a partir da mistura de ritmos.
Clássicos da época da Banda Eva, como “Eva”, “Alô, Paixão” e “Sá Marina”, se encontram com sucessos atuais como “Energia de Gostosa”, “Macetando”, “Cria da Ivete”, “Tempo de Alegria” e “O Mundo Vai”. A curadoria reforça o que a trajetória dela representa: axé, pop e festa como linguagem comum entre gerações.
No meio do set, Ivete para, respira fundo e mede as palavras. “São tantos anos dessa união, Rock in Rio. Tenho mais de 32 anos de carreira e não me acostumo”, confessa. O público responde em coro, grita o nome da cantora e transforma o desabafo em selo de permanência.
Comando de palco e bastidores de um marco
Antes de subir ao palco, Ivete reúne a banda e define o tom do que está por vir. “Sabemos o que vamos fazer, sabemos que sabemos fazer, que é a melhor parte de tudo. Vocês estão lindos. Fizemos um show com a consciência da nossa postura”, diz, num misto de ensaio e ritual.
Em cena, ela alterna a maestria técnica com a informalidade que sustenta o apelido de “mainha”. Pede para o público bater leque, arrisca o passinho do Jamal, encaixa o “6-7”, provoca a multidão: “Falem para mim quem está no comando”. A resposta vem estrondosa, repetida várias vezes: é Ivete Sangalo, é quem está no comando.
Também encontra tempo para responder às expectativas que ela mesma alimenta, ao jogar pistas como “A herança vira música” e “Solo hay una protagonista” nas redes. “Vocês acham que eu não leio o que vocês dizem antes do meu show?”, brinca. O público, que passou dias tentando decifrar o conceito, ri e vibra com a confissão.
Filhas no palco e legado em tempo real
O momento mais íntimo acontece no fim. As gêmeas Marina e Helena, de 8 anos, sobem ao palco para “O Verão Bateu em Minha Porta”. Dançam à vontade, cercadas por bailarinos, enquanto a mãe canta e as observa, dividida entre o papel de estrela do Rock in Rio e de mãe coruja.
As meninas roubam a cena, acenam para o público e ajudam a encerrar o show em clima de festa de família. A plateia reage com gritos e celulares erguidos, registrando a passagem de bastão simbólica. Em um festival marcado por superproduções internacionais, a imagem de mãe e filhas lado a lado se transforma em comentário instantâneo nas redes.
Ivete resume o sentimento em poucas palavras: “Tenho muita sorte de ter vocês”. O plural vale para o público que resiste debaixo de chuva e para as meninas que crescem assistindo à mãe dominar alguns dos maiores palcos do mundo.
Impacto para o festival, para a música e para o Rio
O 20º show de Ivete no Rock in Rio consolida uma relação rara entre artista e festival. Desde a primeira participação em Lisboa, a baiana se torna personagem recorrente da marca, transitando por edições em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil e se tornando a presença mais constante no line-up ao longo dos anos.
O espetáculo de hoje mostra por que essa relação se sustenta. A artista entrega um show conceitual, costurado em torno da latinidade, e ao mesmo tempo popular, repleto de refrões conhecidos, danças virais e momentos emocionais. A mistura amplia a diversidade musical do festival e reforça a presença da cultura baiana e latina em um palco global.
Para o Rock in Rio, o sucesso da apresentação reforça o investimento em tecnologia e narrativa. Os 2,4 mil metros quadrados de LED viram ferramenta de storytelling visual, com flores, onças e escadarias vermelhas compondo uma identidade própria, facilmente reconhecível nos registros de vídeo e foto que circulam nas redes.
Para o Rio, o show ajuda a movimentar turismo e entretenimento, num domingo em que a cidade concentra milhares de pessoas na Zona Oeste, apesar da previsão de chuva. Bares, hotéis e serviços de transporte colhem o reflexo de um festival que segue relevante e de uma artista que ainda arrasta público fiel após mais de 32 anos de carreira.
Próximos passos e um legado em construção
Terminada a apresentação, Ivete volta a dividir a atenção entre o calendário intenso de shows e o pós-festival. A turnê “Ivete Clareou”, dedicada ao samba e ao pagode, segue pelo país, enquanto a repercussão de “A La Sangalo” começa a projetar a cantora em novas listas de desejos de festivais internacionais que buscam fortalecer a presença latina em seus palcos.
Nos bastidores do Rock in Rio, a trajetória da baiana já vira case de sucesso. A combinação de longevidade, capacidade de se reinventar e conexão emocional com o público tende a servir de referência para as próximas edições, em que artistas locais com projeção global devem ganhar ainda mais espaço.
O festival encerra o chamado “Dia Delas” com uma imagem potente: uma cantora de 54 anos, dona de 20 apresentações na história do evento, conduzindo, sob chuva, um espetáculo que celebra origem, futuro e herança — literalmente, a herança que vira música.
O que aconteceu no show de Ivete Sangalo no Rock in Rio 2026?
Ivete Sangalo apresentou hoje, no Palco Mundo, o show “A La Sangalo”, sua 20ª participação no Rock in Rio, com repertório latino e baiano, figurino e cenografia vermelhos, uso intenso dos 2,4 mil m² de LED, interação sob chuva e encerramento com as filhas Marina e Helena dançando ao seu lado.
Quem são os filhos de Ivete Sangalo que subiram ao palco no Rock in Rio?
As filhas de Ivete Sangalo que sobem hoje ao palco do Rock in Rio são as gêmeas Marina e Helena, de 8 anos, que participam do momento final do show “A La Sangalo”, dançando “O Verão Bateu em Minha Porta” e encerrando a apresentação ao lado da mãe, em clima de festa de família e continuidade do legado.
Qual foi a reação do público ao show latino de Ivete Sangalo no Rock in Rio?
O público reage ao show latino de Ivete Sangalo com permanência sob chuva, coroando refrões, dançando mesmo de capa e respondendo em uníssono aos comandos da cantora. A plateia acompanha lambada, salsa, cumbia e clássicos da carreira, transforma a proposta “A La Sangalo” em celebração coletiva e registra tudo em celulares erguidos.
Como Ivete Sangalo se reinventou no seu 20º Rock in Rio?
Ivete Sangalo se reinventa no 20º Rock in Rio ao criar o espetáculo conceitual “A La Sangalo”, que mistura latinidade, baianidade, hits da Banda Eva e da carreira solo, figurino e cenografia vermelhos, uso dramático dos 2,4 mil m² de LED, falas em espanhol e participação das filhas, renovando a própria narrativa sem perder apelo popular.
Qual a idade de Ivete Sangalo durante o Rock in Rio 2026?
Ivete Sangalo tem 54 anos durante o Rock in Rio 2026 e sobe hoje ao Palco Mundo em plena forma, celebrando mais de 32 anos de carreira, entregando um show conceitual e enérgico, misturando ritmos latinos e baianos, interagindo de perto com o público e dividindo o palco com as filhas gêmeas Marina e Helena.