A Superquarta desta quarta-feira (16) coloca Brasil e Estados Unidos diante de decisões de política monetária em sentidos opostos. Enquanto o mercado espera um novo corte da taxa básica de juros brasileira, há expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, aumente os juros pela primeira vez em três anos.
No Brasil, a projeção predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14% ao ano. Se a previsão se confirmar, a taxa passará para 13,75%. Nos Estados Unidos, a expectativa é de uma alta de 0,25 ponto, levando os juros da faixa atual de 3,5% a 3,75% para um intervalo entre 3,75% e 4%.
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Entenda o que aconteceu
O termo Superquarta é usado quando as decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve acontecem na mesma data. A combinação faz com que investidores acompanhem simultaneamente os efeitos das duas decisões sobre moedas, bolsas, renda fixa e fluxo de investimentos.
No Brasil, o cenário de inflação mais comportada abriu espaço para a expectativa de redução da Selic. O IPCA caiu 0,32% em agosto, depois de registrar alta de 0,26% em julho. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,22%, abaixo do teto de 4,5% da meta.
O que pode acontecer com a Selic
A expectativa predominante é que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Mais do que a decisão desta quarta, porém, o mercado também acompanha os sinais que o Banco Central dará sobre os próximos passos da política monetária.
A possibilidade de novos cortes depende da evolução da inflação, da atividade econômica, das expectativas para os preços e das condições financeiras. Por isso, o comunicado divulgado após a decisão pode ser tão importante quanto a própria mudança da taxa.
Por que os juros dos EUA podem subir
Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. O mercado passou a apostar em uma elevação de 0,25 ponto percentual pelo Fed, movimento que levaria a taxa para a faixa entre 3,75% e 4%. Se confirmado, será a primeira alta dos juros americanos em três anos.
A mudança nas expectativas ocorreu em meio a preocupações com a inflação, especialmente diante da pressão exercida pelo aumento dos preços do petróleo. Dados recentes de inflação e de preços ao produtor também contribuíram para a revisão das apostas dos investidores.
O que muda para o dólar
A diferença entre as trajetórias dos juros brasileiros e americanos pode influenciar o mercado de câmbio.
Quando os juros dos Estados Unidos sobem, investimentos em ativos americanos podem se tornar mais atraentes, dependendo das condições do mercado. Isso pode afetar o fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil, e pressionar o câmbio.
A inflação americana também influencia as condições financeiras globais e pode afetar o comportamento do dólar e dos ativos brasileiros.
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O que muda nos investimentos
Para quem investe, decisões de juros influenciam diretamente a remuneração de diferentes classes de ativos.
Uma Selic menor tende a reduzir, ao longo do tempo, a rentabilidade de aplicações de renda fixa pós-fixadas ligadas à taxa básica. Ao mesmo tempo, juros menores podem melhorar as condições de financiamento e favorecer ativos de maior risco, dependendo do cenário econômico.
Nos Estados Unidos, uma eventual alta dos juros pode aumentar a atratividade relativa dos títulos americanos e influenciar os mercados internacionais.
Isso não significa que todos os investimentos terão o mesmo comportamento. O impacto depende do tipo de aplicação, do prazo e das expectativas já incorporadas aos preços dos ativos.
E o impacto no crédito e no consumo
A Selic também influencia o custo do dinheiro para empresas e consumidores.
Se o ciclo de redução dos juros continuar, o custo de determinadas modalidades de crédito pode diminuir gradualmente. Financiamentos, empréstimos e outras operações, porém, não acompanham necessariamente a Selic de forma imediata ou na mesma proporção.
Para o consumidor, a diferença pode aparecer principalmente nas condições oferecidas pelos bancos e financeiras.
Entenda o contexto
A Superquarta ocorre em um momento de divergência entre as políticas monetárias das duas maiores economias das Américas.
No Brasil, a inflação de agosto registrou deflação e reforçou as expectativas de continuidade do processo de redução dos juros. Nos Estados Unidos, por outro lado, a pressão inflacionária e o cenário internacional aumentaram as apostas de uma alta pelo Federal Reserve.
Para o brasileiro, as decisões podem ser percebidas por diferentes canais: câmbio, investimentos, crédito, financiamento e atividade econômica. O efeito final, porém, depende também das próximas decisões dos bancos centrais e da reação dos mercados.
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