Jogar videogame faz parte da rotina de milhões de pessoas e, para a maioria, é uma forma de entretenimento. O problema começa quando o jogo deixa de ocupar apenas um espaço de lazer e passa a interferir de maneira significativa na vida pessoal, familiar, social, escolar ou profissional.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o transtorno de jogos eletrônicos, ou gaming disorder, na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A condição está relacionada a um padrão persistente de comportamento em que a pessoa perde o controle sobre o jogo, dá prioridade crescente à atividade e continua jogando mesmo diante de consequências negativas.
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Entenda o que acontece
A principal diferença entre jogar por diversão e apresentar um comportamento problemático não está simplesmente na quantidade de horas diante da tela.
De acordo com a OMS, o diagnóstico considera principalmente a perda de controle sobre o comportamento, a prioridade dada aos jogos em relação a outras atividades e a continuidade ou intensificação do hábito mesmo quando surgem consequências negativas. Para que seja caracterizado como transtorno, o padrão precisa provocar prejuízo significativo em áreas importantes da vida e normalmente estar presente por pelo menos 12 meses.
Isso significa que uma pessoa que joga muitas horas em determinado período, mas consegue manter suas responsabilidades, relações e outras atividades, não necessariamente apresenta o transtorno.
Quais são os principais sinais
Um dos sinais de alerta é perceber que o videogame começa a ocupar espaço cada vez maior na rotina.
Entre os comportamentos que merecem atenção estão:
dificuldade para controlar quando, quanto e com que frequência jogar;
deixar de lado outras atividades e interesses;
priorizar o videogame em relação a compromissos;
continuar jogando mesmo quando o hábito provoca problemas;
prejuízos nos estudos ou no trabalho;
conflitos familiares ou sociais relacionados ao jogo;
alterações no sono e na rotina diária.
A OMS ressalta que o transtorno afeta apenas uma pequena parcela das pessoas que jogam videogame. Portanto, jogar regularmente não significa, por si só, ter um transtorno.
Quando o videogame começa a afetar a rotina
Um dos pontos mais importantes é observar se outras áreas da vida começam a ser prejudicadas.
A pessoa pode deixar de praticar atividades físicas, dormir menos, abandonar compromissos ou reduzir o contato com familiares e amigos porque o jogo passa a ocupar cada vez mais tempo.
A própria OMS alerta que problemas relacionados ao comportamento de jogar podem estar associados a privação de sono, pouca atividade física, alimentação inadequada e outras consequências para a saúde.
Não é apenas uma questão de quantidade de horas
Passar várias horas jogando não é suficiente, isoladamente, para definir um transtorno.
O que diferencia o comportamento considerado problemático é principalmente o impacto sobre o funcionamento da pessoa.
Por isso, duas pessoas podem passar períodos semelhantes jogando e apresentar situações completamente diferentes. Enquanto uma consegue equilibrar o hobby com estudos, trabalho, sono, relações e outras atividades, a outra pode ter dificuldade para interromper o jogo e continuar mesmo diante de prejuízos.
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Crianças e adolescentes exigem atenção
O tema também é relevante entre crianças e adolescentes, que estão entre os grupos mais expostos aos ambientes digitais.
A OMS destaca que os ambientes digitais podem oferecer benefícios para aprendizagem, conexão e entretenimento, mas também apresentam riscos relacionados ao uso excessivo e a comportamentos aditivos.
Para pais e responsáveis, mudanças persistentes na rotina podem servir como sinal de alerta, principalmente quando o jogo começa a comprometer sono, escola, relações familiares, atividade física ou outras atividades importantes.
Quando procurar ajuda
Quando o comportamento começa a provocar prejuízos importantes e a pessoa não consegue reduzi-lo ou controlá-lo sozinha, pode ser necessário buscar avaliação profissional.
O diagnóstico não deve ser feito apenas com base no número de horas jogadas ou em testes informais encontrados na internet. A avaliação considera o padrão de comportamento e seus efeitos sobre diferentes áreas da vida.
A OMS destaca que a identificação adequada é importante para orientar prevenção e tratamento de pessoas que apresentam problemas relacionados ao comportamento de jogar.
Entenda o contexto
Videogames não são considerados prejudiciais para a maioria das pessoas que jogam. A própria OMS afirma que jogar é um hobby saudável para a maior parte dos usuários. A preocupação está concentrada em padrões de comportamento que provocam sofrimento ou prejuízos significativos.
A inclusão do transtorno de jogos eletrônicos na CID-11 ajudou a estabelecer critérios para diferenciar o hábito recreativo de uma condição que pode exigir atenção profissional.
Por isso, mais importante do que contar apenas o número de horas diante da tela é observar o que o videogame está fazendo com a rotina, os relacionamentos, o sono, os estudos, o trabalho e a saúde.
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