Cecília Malan se despede de escritório da Globo em Londres após 15 anos

Correspondente internacional relembrou momentos da antiga redação durante participação no Hora 1; emissora vai transferir a sede para uma área mais central da cidade.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Cecília Malan se despede do escritório da Globo em Londres, no bairro de Camden Town, no momento em que a redação da emissora deixa o endereço usado há 20 anos. A correspondente acompanha a mudança para uma área mais central da capital britânica, em uma transição que mexe com memórias pessoais e com a história da cobertura internacional da TV brasileira.

VEJA TAMBÉM:

Jornalista Márcio Santos morre aos 55 anos após luta contra o câncer

Redação que virou cenário e marca visual

A despedida acontece ao vivo, nesta semana, durante participação de Cecília no telejornal Hora 1. Do estúdio londrino, ela conta ao público que aquele cenário com tijolinhos aparentes, tão familiar ao telespectador brasileiro, está com os dias contados. A estrutura segue funcionando até a mudança definitiva para o novo ponto, já definido, em região mais central.

O escritório de Camden Town, no norte de Londres, se torna um personagem da reportagem. Pelos últimos 20 anos, o espaço serve de pano de fundo para a cobertura de crises políticas, eleições, casamentos reais, atentados e mudanças econômicas na Europa e no mundo. O ambiente industrial, com paredes de tijolo inglês, vira marca visual da presença da emissora no continente.

Cecília reforça que essa identidade não se perde com a mudança. O novo endereço mantém a estética dos tijolos, espécie de assinatura arquitetônica da redação na Europa. A promessa é de uma casa mais moderna e estratégica, sem romper com a memória acumulada em duas décadas de histórias contadas dali.

Trajetória pessoal cruzada com a história do escritório

A jornalista, hoje com 43 anos, transforma a despedida em um balanço da própria carreira. Ela relembra que entra na Globo em 2005, como estagiária do “Bom Dia Brasil”. Dois anos depois, passa a atuar na editoria internacional e mergulha de vez na cobertura de notícias do mundo.

O vínculo com Londres começa em 2011, quando ela é enviada para o escritório da emissora na capital britânica. A partir daí, sua imagem se confunde com a da redação de Camden Town. Em 2015, Cecília assume oficialmente o posto de correspondente em Londres, consolidando a presença diante das câmeras naquele cenário de tijolinhos que o público passa a reconhecer de imediato.

Nesta semana, a Globo exibe imagens antigas da jornalista na redação londrina. As cenas a surpreendem ao vivo. “Não sabia que eles iam colocar a imagem minha, antiga!”, reage Cecília, rindo, ao se ver mais jovem no vídeo. A montagem recupera não só sua evolução profissional, mas também a transformação do próprio espaço ao longo dos anos.

Memórias, colegas e um endereço afetivo

A despedida também serve para resgatar nomes que ajudam a construir o prestígio da redação londrina. Cecília cita colegas que passam pelo escritório antes dela ou ao seu lado, como Marcos Uchôa, Silio Boccanera, Marcos Losekann, Roberto Kovalick, Renato Machado e Pedro Vedova. A lista lembra ao telespectador que o cenário de tijolinhos funciona como espécie de ponto de passagem para diferentes gerações de correspondentes.

O colega Tiago Scheuer reforça esse peso simbólico ao lembrar da visita recente ao local. Ele conta que conhece o escritório em março, em viagem de trabalho. Ao vivo, faz questão de registrar a emoção desse encontro com um espaço que ele já via há anos pela TV. “Tive o privilégio de conhecer em março deste ano. Dei um abraço na Cecília Malan e nos outros colegas”, diz o jornalista.

Cecília responde com afeto, lembrando a reação de Scheuer ao entrar na redação e reparar nos detalhes do prédio. Ela comenta que o colega fica encantado com os tijolinhos industriais e com a atmosfera do escritório. A conversa, transmitida ao público brasileiro, traduz o que profissionais que passam por ali descrevem como uma espécie de segunda casa, impregnada de histórias pessoais e profissionais.

LEIA TAMBÉM:

Jornalista que fugiu de El Salvador alerta sobre modelo de prisões em massa que ganha espaço no Brasil

Mudança estratégica e impacto na cobertura

A transferência para uma região mais central de Londres não é só um gesto simbólico. A decisão tem peso estratégico na cobertura internacional da emissora. Estar mais próximo de ministérios, parlamentos, sedes de empresas, organizações multilaterais e embaixadas encurta deslocamentos, facilita o acesso a fontes e eventos e reduz o tempo de resposta em situações de breaking news.

Na prática, isso significa equipes com maior mobilidade para cobrir reuniões de líderes europeus, anúncios econômicos, protestos e julgamentos de interesse global. A expectativa interna é que a agilidade se traduza em reportagens mais rápidas, aprofundadas e variadas, com maior presença ao vivo nas ruas e menos dependência dos deslocamentos longos a partir do norte da cidade.

Quem ganha com a mudança são, sobretudo, os profissionais que trabalham na cobertura e o público que acompanha os telejornais. Produtores, repórteres, cinegrafistas e editores devem ter um ambiente de trabalho mais integrado à dinâmica do centro londrino, sem abrir mão do ambiente acolhedor e reconhecível que os tijolinhos ingleses representam. O telespectador, por sua vez, tende a ver uma Londres ainda mais próxima, com entradas ao vivo a poucos minutos de acontecimentos-chave.

Há também efeitos colaterais. Fornecedores, serviços e parceiros localizados em Camden Town, que por duas décadas atendem à redação, podem perder um cliente importante e parte da movimentação associada à presença diária de jornalistas. O bairro, que já convive com intenso fluxo turístico e cultural, perde discretamente um operador relevante de mídia internacional instalado ali há anos.

Renovação simbólica, continuidade editorial

A despedida de Cecília Malan do velho escritório é também uma espécie de rito de passagem. O gesto sinaliza o fim de um ciclo e o início de outro, sem ruptura editorial declarada, mas com espaço para renovação de linguagem, formatos e tecnologias. A própria correspondente enfatiza que a missão permanece a mesma: contar as histórias da Europa e do mundo a partir de Londres, agora em outro endereço.

Nos bastidores, a reorganização física da redação abre margem para ajustes na estrutura de equipes e na integração com outras praças internacionais. Um espaço redesenhado pode facilitar o uso de novos recursos de transmissão, estúdios mais versáteis e formatos híbridos, que mesclam TV aberta, canais fechados e plataformas digitais.

Cecília fala em privilégio ao se ver no meio dessa transição. Ela destaca a honra de participar de uma história construída ao longo de mais de duas décadas por uma longa sequência de repórteres, produtores e técnicos, e de agora acompanhar a migração para a “nova casa” londrina, que ainda será apresentada ao público nos próximos dias. A emissora prepara a estreia do novo cenário no ar, em telejornal ainda não divulgado, quando o telespectador vai conhecer o sucessor oficial dos tijolinhos de Camden Town.

A mudança marca um momento de atualização estratégica da cobertura global, em um cenário em que guerras, crises climáticas, disputas comerciais e eleições em série mantêm o noticiário internacional no centro da atenção. A pergunta que fica, para os fãs da jornalista e da redação londrina, é como o novo espaço vai dialogar com a memória afetiva do antigo estúdio. A resposta começa a aparecer em breve, assim que a câmera abrir o plano e mostrar o novo endereço para o Brasil inteiro.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:

iPhone 18 Pro chega ao Brasil nesta sexta-feira; veja preços, novidades e prazo de entrega

Corinthians perde em casa, Memphis desperdiça pênalti e Timão cai na Libertadores

Quem foi Anne Frank? A história da adolescente judia que virou símbolo da perseguição nazista e foi chamada de “vitimista”

Carregar Comentários