Curioso o país. O presidente Lula abre nessa terça a assembleia geral da ONU. Trivial. De igual modo é possível antecipar o discurso: soberania.
E, acessoriamente, multilateralismo que se opõe ao soberano unilateralismo. Uma coisa subordinando a outra.
Entenda o que aconteceu
As circunstâncias eleitorais (e a Abin) predispuseram-no como tema central.
Inferior, para os nacionais, ao debate sobre o unilateralismo trumpista que parece distante do prato de arroz e feijão. E sabemos que não está.
Só entre EUA e Brasil um comércio (importação/exportação) de US$ 106 bilhões (R$ 544 bilhões) de janeiro a agosto de 2026.
A pauta soberania se cruza com a crise do STF
A pauta soberania entrelaça-se com a crise do STF. A sessão dessa terça que julgaria André Mendonça foi cancelada. Providencial. No final de semana em que mais ministros são ligados a benesses de Daniel Vorcaro.
E o julgamento dele e de Alexandre de Moraes ganhou os escaninhos da Justiça. Tal os 75 milhões de processos pendentes no país (Justiça em Números/2026) a um custo de R$ 164 bilhões (2025). Destes, R$ 115 bilhões de salários.
O argumento da soberania usado pelos dois lados
Mas tem a soberania de que fazem uso os dois lados: os EUA estariam impondo ao Brasil e a Lula, por intermédio do STF (que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de cadeia), o ônus pela audácia de repelirem um golpe de Estado sem consultar o Tio Sam.
Obviamente que a premissa já vem praticamente acompanhada de refutação automática de Lula. Um dos lados, mas que sugere representar o contrapeso da democracia, descartando a afetação política. Um falso silogismo.
Quem se beneficiaria do alinhamento com os EUA
Ainda mais tendo-se que o alinhamento do unilateralismo dos EUA nas relações diplomáticas com o Brasil favoreceria o lado que antecipou que, numa eventual eleição, irá dar uma banana para a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
Dado que a população carcerária no país alcançou 964,6 mil presos (Fórum Brasileiro de Segurança Pública/2026), a discricionariedade defendida pelos EUA seria, por princípio, coisa de “soberanos”.
Um país dividido pelos dois lados
Os dois lados, entretanto, dividem o país. Já há quem grite: “Justiça para Vorcaro e Bolsonaro!! Soltem-nos!!” “Libertas quae sera tamen” para nossos “joaquins silvérios”.
Muito curioso este país.