NASA descobre na Lua maior cratera recente já identificada no Sistema Solar

Batizada de McGetchin, formação tem 222 metros de diâmetro, surgiu após impacto em 2024 e pode ajudar cientistas a entender os riscos para futuras bases lunares.
Redação NC News
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A NASA anunciou a descoberta da maior cratera recém-formada já identificada no Sistema Solar. Localizada na Lua, a estrutura tem cerca de 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade e foi provocada pelo impacto de um asteroide ou fragmento de cometa em 2024. Batizada de McGetchin, a cratera foi encontrada a partir de imagens produzidas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). Segundo os pesquisadores, um impacto dessa magnitude na Lua é considerado raro e pode ocorrer aproximadamente uma vez a cada século.

Como a NASA encontrou a nova cratera?

A descoberta começou durante uma análise de rotina dos dados coletados pela LRO. O cientista Robert Wagner observava um grande mapa da superfície lunar quando identificou uma região excepcionalmente brilhante cercada por uma área escura. O padrão indicava que o solo lunar havia sido recentemente alterado. Ao comparar imagens antigas e novas da mesma região, os pesquisadores perceberam que uma grande cratera havia surgido onde antes não existia a formação.
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Impacto aconteceu em 2024

As imagens permitiram aos cientistas estabelecer uma janela relativamente precisa para o impacto. A colisão ocorreu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, próximo à borda leste da Lua. O objeto responsável pelo impacto pode ter sido um fragmento de asteroide ou cometa com dimensões comparáveis às de um prédio de três a seis andares.

Cratera tem 222 metros de largura

A McGetchin mede aproximadamente 222 metros de diâmetro, distância equivalente a cerca de dois campos de futebol, e chega a 43 metros de profundidade. Segundo os pesquisadores, essas dimensões fazem dela a maior cratera recém-formada identificada até hoje no Sistema Solar. O evento é especialmente importante porque os cientistas conseguem comparar registros da região antes e depois da colisão.

Impacto modificou uma área muito maior

Os efeitos da colisão não ficaram restritos à cratera. Material da superfície lunar foi lançado por grandes distâncias, alterando uma extensa região ao redor do ponto de impacto. Os pesquisadores também identificaram uma área de aproximadamente 6,4 quilômetros de largura ao redor da cratera que fica cerca de 9°C mais fria durante a noite lunar do que regiões próximas.
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Por que a região ficou mais fria?

A diferença de temperatura está relacionada ao regolito, camada formada por poeira, fragmentos de rocha e outros materiais que recobrem a superfície da Lua. O impacto movimentou e deixou esse material menos compacto. Nessas condições, o regolito retém menos calor, provocando uma espécie de “ponto frio” ao redor da nova cratera.

Descoberta pode ajudar futuras missões

Estudar impactos recentes é importante para compreender como a superfície lunar muda ao longo do tempo. Os dados também podem contribuir para o planejamento de missões tripuladas e da instalação de estruturas permanentes na Lua. Uma das preocupações é entender até onde fragmentos lançados por grandes impactos podem chegar e quais riscos eles representariam para astronautas, equipamentos, veículos e futuras instalações construídas na superfície lunar.

Pegadas das missões Apollo não durarão para sempre

As observações feitas pela LRO também ajudam os cientistas a revisar a ideia de que marcas deixadas pelos astronautas das missões Apollo permaneceriam praticamente intactas durante períodos extremamente longos. Segundo os pesquisadores, material lançado por impactos movimenta continuamente a superfície lunar. Estimativas indicam que a camada mais superficial do solo pode ser revolvida em uma escala de aproximadamente 80 mil anos.

Entenda o contexto

A Lunar Reconnaissance Orbiter está em órbita da Lua desde 2009 e produz imagens detalhadas que permitem aos pesquisadores acompanhar mudanças na superfície do satélite natural. A nova cratera recebeu o nome de McGetchin em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin. A descoberta foi apresentada em estudos publicados na revista científica Science Advances. Além de revelar detalhes sobre um evento raro, as observações oferecem informações sobre como grandes impactos espalham material, modificam a temperatura do solo e podem afetar regiões localizadas a quilômetros do ponto de colisão.
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