A agroindústria brasileira registrou queda de 2,9% na produção em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, ampliando a perda de ritmo observada nos últimos meses. No acumulado de janeiro a julho, o setor passou a registrar retração de 0,8%.
Os dados são do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pela FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal. O resultado de julho foi pressionado principalmente pelos produtos não alimentícios, que recuaram 4,5%, enquanto o segmento de alimentos e bebidas caiu 1,6%.
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Insumos agropecuários despencam 20,8%
O resultado mais negativo de julho apareceu na produção de insumos agropecuários, que caiu 20,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
Segundo o levantamento, esse segmento registra retração na comparação anual desde novembro do ano passado. O desempenho de julho foi ainda o pior para o mês desde o início da série histórica específica, em 2023.
A queda foi provocada pela menor produção de itens como intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas utilizadas no campo.
O resultado ocorre em um ambiente no qual juros elevados e condições mais restritivas de financiamento vêm pressionando investimentos e a demanda por equipamentos no agronegócio.
Alimentos também registram queda
A produção de alimentos caiu 2,6% em julho na comparação anual.
Entre os produtos de origem vegetal, a retração chegou a 3,8%, influenciada principalmente pela menor fabricação de itens derivados da moagem de trigo e de açúcar refinado.
O desempenho negativo foi parcialmente compensado pelo aumento da produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café.
Nos alimentos de origem animal, a produção recuou 1,7%. A redução foi puxada principalmente pela carne bovina e pelos pescados.
Em sentido contrário, a produção de carne suína, aves e laticínios avançou.
Exportações de carne bovina para a China caíram
O desempenho da carne bovina também pode estar relacionado ao comércio internacional.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária considerados no levantamento mostram que os embarques brasileiros de carne bovina para a China recuaram 47,8% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado.
A avaliação apresentada pela FGV Agro é de que a produção do setor já pode estar refletindo os efeitos do esgotamento da cota chinesa destinada à carne brasileira.
O comportamento das exportações é relevante porque a China ocupa uma posição central entre os destinos da proteína bovina produzida no Brasil.
Bebidas avançam na contramão
Apesar da retração da agroindústria como um todo, alguns segmentos apresentaram crescimento.
A produção de bebidas avançou 5% em julho na comparação anual.
Entre as bebidas alcoólicas, o crescimento chegou a 6,8%. As não alcoólicas tiveram expansão de 3,3%.
O resultado ajudou a reduzir a intensidade da queda registrada pelo conjunto formado por produtos alimentícios e bebidas.
Biocombustíveis crescem 6,1%
Os biocombustíveis também ficaram no campo positivo, com crescimento de 6,1% em relação a julho do ano passado.
O avanço ocorreu em meio à maior moagem e à melhora na qualidade da cana-de-açúcar.
Outro destaque foi a indústria do fumo, cuja produção aumentou 23,6% na comparação anual.
Foi a terceira alta consecutiva do segmento e o melhor desempenho para um mês de julho desde 2018.
Têxteis e produtos florestais também recuam
Outros setores ligados à agroindústria tiveram resultados negativos.
A produção de produtos têxteis caiu 6,7% em julho na comparação com o mesmo período de 2025.
Já os produtos florestais apresentaram retração de 0,1%.
Com isso, entre os produtos não alimentícios, o crescimento dos biocombustíveis e do fumo não foi suficiente para compensar as quedas dos demais segmentos.
Na comparação com junho, resultado foi positivo
Apesar da queda de 2,9% na comparação anual, os dados mostram uma diferença importante quando julho é comparado diretamente com junho.
Na série com ajuste sazonal, a produção agroindustrial cresceu 0,4% de junho para julho.
Produtos Alimentícios e Bebidas avançaram 0,5%, enquanto os Produtos Não Alimentícios registraram alta de 0,4%.
O resultado mensal, porém, não foi generalizado. Alimentos de origem animal recuaram 1,1%, insumos agropecuários caíram 5,1% e produtos florestais tiveram retração de 0,5% nessa base de comparação.
Alta de 0,4% ainda não indica recuperação
A melhora observada entre junho e julho pode representar uma mudança no ritmo da produção, mas ainda não é suficiente para confirmar uma recuperação da agroindústria.
A avaliação exige cautela porque os indicadores acumulados continuam mostrando perda de dinamismo ao longo de 2026.
Até abril, a produção agroindustrial acumulava crescimento de 0,7% no ano. A partir dos meses seguintes, o indicador passou para o campo negativo.
Em maio, por exemplo, a produção havia recuado 2,8% na comparação anual. Em junho, a queda foi de 0,9%.
Agroindústria acumula retração de 0,8% em 2026
Entre janeiro e julho, a produção agroindustrial brasileira ficou 0,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Produtos Alimentícios e Bebidas ainda acumulam crescimento de 0,6%, mas o avanço não foi suficiente para compensar a retração de 2,5% dos Produtos Não Alimentícios.
Separadamente, a produção de alimentos acumula alta de 0,4% no ano, enquanto bebidas apresentam crescimento de 1,9%.
Nos produtos não alimentícios, biocombustíveis e fumo são os únicos segmentos que permanecem no campo positivo, com altas acumuladas de 15,3% e 5,3%, respectivamente.
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Entenda O Contexto
A agroindústria começou 2026 em terreno positivo, mas perdeu força ao longo do ano.
Até abril, o setor acumulava crescimento de 0,7%. Em maio, a produção caiu 2,8% na comparação anual e interrompeu a sequência de resultados positivos observada anteriormente.
Em junho, houve nova retração anual, de 0,9%. Com a queda de 2,9% registrada em julho, o acumulado dos primeiros sete meses de 2026 passou para -0,8%.
A FGV Agro relaciona a desaceleração a fatores que incluem o ambiente de juros elevados e a perda de força do consumo das famílias. Os diferentes segmentos, entretanto, apresentam comportamentos distintos.
Enquanto insumos agropecuários, têxteis e produtos florestais acumulam retração, biocombustíveis e fumo continuam crescendo. Por isso, os próximos resultados serão importantes para mostrar se a alta de 0,4% observada entre junho e julho representa apenas uma oscilação mensal ou o começo de uma mudança de trajetória.
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