O setor brasileiro de carne bovina quer que o governo negocie com a União Europeia um período de transição para a retomada das exportações. A proposta foi apresentada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em meio à suspensão das vendas de produtos de origem animal do Brasil para os 27 países do bloco.
O setor espera que o Brasil volte à lista de países autorizados a exportar para a União Europeia e, depois disso, consiga um prazo para adequar a cadeia produtiva às novas exigências europeias.
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Entenda o que aconteceu
A União Europeia suspendeu, em 3 de setembro, as importações de produtos de origem animal do Brasil. A medida atingiu carne bovina, carne suína, frango, mel, pescados e ovos.
A decisão está relacionada às regras europeias para o uso de antimicrobianos na produção animal. O bloco considera insuficientes os controles apresentados pelo Brasil para comprovar o cumprimento das exigências.
A restrição, segundo as informações divulgadas, não foi motivada pela identificação de irregularidades nos produtos brasileiros, mas pela avaliação europeia sobre os mecanismos de controle adotados pelo país.
Por que a carne bovina enfrenta um prazo maior
O principal obstáculo para a cadeia bovina é o período necessário para comprovar que determinados antimicrobianos não foram utilizados durante a criação dos animais.
Pelas regras consideradas pela União Europeia, essa comprovação precisa abranger o ciclo de vida do bovino, do nascimento ao abate. Como esse processo pode levar cerca de dois anos, a retomada das exportações não ocorreria automaticamente mesmo depois de o Brasil voltar à lista de fornecedores autorizados.
É justamente nesse intervalo que a indústria quer negociar uma transição.
Setor quer retomada antes de dois anos
A Abiec pediu ao governo brasileiro que busque junto às autoridades europeias um período de transição.
A intenção é permitir que as empresas retomem o fluxo comercial antes da conclusão de um ciclo completo de produção, desde que as autoridades europeias reconheçam a segurança dos procedimentos de fiscalização adotados pelo Brasil.
A entidade ainda não detalhou publicamente todos os termos da nova proposta de transição. O assunto continua sendo tratado com o Ministério da Agricultura.
Brasil ainda aguarda avaliação específica da carne bovina
A União Europeia já realizou missões técnicas no Brasil para avaliar algumas cadeias de produção. Segundo Perosa, uma missão voltada especificamente à cadeia bovina ainda não estava prevista até a data da declaração.
No início de setembro, técnicos europeus concluíram avaliações relacionadas às cadeias de mel e frango. A carne bovina, porém, depende de uma análise específica dos procedimentos adotados pelo setor.
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Europa é mercado de referência
Além do comércio direto com os 27 países do bloco, a Abiec considera importante a presença brasileira na lista de fornecedores autorizados da União Europeia porque a relação também serve de referência para outros mercados.
Cerca de 20 países fora do bloco utilizam essa habilitação europeia como referência, entre eles o Reino Unido e países africanos.
Por isso, a retomada da autorização europeia pode ter efeitos que vão além das exportações destinadas diretamente ao mercado europeu.
Quanto o Brasil exporta para a União Europeia
A União Europeia é um dos mercados relevantes para a carne bovina brasileira. Segundo dados citados pela Exame, o Brasil exportou aproximadamente US$ 1 bilhão em carne bovina para o bloco no ano passado.
Apesar da importância comercial, a suspensão europeia não representa a interrupção das exportações brasileiras para todos os mercados internacionais. O Brasil continua atendendo outros destinos.
O que acontece agora
O próximo passo é a avaliação dos procedimentos brasileiros pelas autoridades europeias e a eventual reinclusão do país na lista de fornecedores autorizados.
A expectativa apresentada pela Abiec é que a retomada do comércio possa acontecer no primeiro semestre de 2027. Perosa afirmou que não espera uma solução definitiva ainda em 2026.
Mesmo com a possibilidade de relistagem, a indústria ainda precisará negociar as condições para uma eventual transição.
Entenda o contexto
A disputa envolve as regras europeias para o uso de antimicrobianos na produção animal. Essas substâncias podem ser utilizadas para tratar infecções, mas a União Europeia proíbe determinados usos, como a utilização para estimular o crescimento dos animais, além de restringir produtos reservados ao tratamento de seres humanos.
Em junho, o governo brasileiro chegou a apresentar uma proposta de transição para a cadeia bovina, mas a alternativa não foi aceita pelas autoridades europeias. Desde então, indústria, produtores e certificadoras trabalham em novos procedimentos para atender às exigências.
Agora, o setor tenta separar a negociação em duas etapas: primeiro, garantir o retorno do Brasil à lista de países autorizados; depois, discutir um período de transição que permita a retomada das exportações enquanto a adequação completa da cadeia é implementada.
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