As chances de um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder ucraniano Volodymyr Zelensky durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, são consideradas pequenas. Até esta segunda-feira (21), não havia pedido ou articulação confirmada de nenhum dos dois governos para uma reunião bilateral, enquanto a curta agenda do brasileiro nos Estados Unidos dificulta a inclusão de um novo compromisso.
Lula desembarcou em Nova York na noite de domingo (20) e concentra nesta segunda-feira uma série de encontros antes do discurso de abertura do debate geral da ONU, previsto para terça-feira (22). O presidente brasileiro já se reuniu com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e tem outros compromissos diplomáticos e políticos previstos durante a passagem pela cidade.
Lula e Zelensky se encontraram pela última vez em junho
O último encontro presencial entre Lula e Zelensky ocorreu em junho deste ano, durante a cúpula do G7, realizada na França. Na ocasião, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as possibilidades de negociação estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos dois presidentes.
Depois daquela reunião, o governo brasileiro indicou que Lula poderia utilizar o canal de diálogo mantido com o presidente russo, Vladimir Putin, para estimular novas conversas relacionadas ao conflito.
Zelensky buscava ampliar os esforços diplomáticos para uma negociação direta entre Moscou e Kiev, enquanto o Brasil mantinha a posição de que uma solução para a guerra dependeria de diálogo e negociação entre as partes.
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Não há articulação para nova reunião em Nova York
Apesar da presença dos dois presidentes na Assembleia Geral, não havia até esta segunda-feira uma negociação em andamento para encaixar um encontro entre Lula e Zelensky.
A ausência de articulação prévia e a agenda reduzida do presidente brasileiro tornam mais difícil a realização de uma reunião bilateral formal durante a passagem pelos Estados Unidos.
Isso não impede um eventual contato informal nos corredores ou durante eventos da ONU, mas não havia confirmação de que esse encontro ocorreria.
Agenda de Lula está concentrada em dois dias
A permanência de Lula nos Estados Unidos foi organizada de forma curta. O presidente chegou a Nova York no domingo e deve retornar ao Brasil depois de cumprir os principais compromissos relacionados à Assembleia Geral.
Nesta segunda-feira, Lula se reuniu com Zohran Mamdani. O encontro durou cerca de uma hora e abordou temas como custo de vida, combate à pobreza, democracia e enfrentamento à desinformação.
Também estavam previstos compromissos com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e com o senador norte-americano Bernie Sanders.
Na terça-feira, Lula terá encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, antes de participar da abertura do debate geral.
Brasil abre o debate geral da Assembleia
O discurso brasileiro está previsto para terça-feira (22). O Brasil tradicionalmente é o primeiro Estado-membro a falar no debate geral da Assembleia das Nações Unidas, prática mantida desde 1955.
Depois de Lula, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursar. A proximidade entre as duas participações também gerou expectativa sobre a possibilidade de um contato entre os presidentes brasileiro e norte-americano.
Até esta segunda-feira, entretanto, não havia uma reunião bilateral formal anunciada entre Lula e Trump.
Zelensky também terá agenda intensa em Nova York
O presidente da Ucrânia participa da semana de alto nível da ONU em meio aos esforços diplomáticos e militares relacionados à guerra contra a Rússia.
A Presidência ucraniana confirmou, por exemplo, que Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, combinaram uma reunião em Nova York durante a Assembleia Geral.
A pauta envolve segurança e financiamento da defesa ucraniana, temas considerados estratégicos por Kiev diante da continuidade do conflito.
Com compromissos dos dois lados e sem uma articulação prévia entre Brasília e Kiev, uma reunião entre Lula e Zelensky dependeria de uma mudança de última hora nas agendas.
Guerra da Ucrânia deve aparecer no discurso brasileiro
Mesmo sem um encontro bilateral confirmado, a guerra entre Rússia e Ucrânia permanece entre os assuntos relevantes da agenda internacional brasileira.
O Brasil tem defendido negociações diplomáticas para encerrar o conflito e, em discursos anteriores na ONU, Lula condenou a invasão do território ucraniano pela Rússia e afirmou que a retomada do diálogo direto entre as partes é necessária.
Ao mesmo tempo, Brasília procura preservar canais de comunicação tanto com Kiev quanto com Moscou, apresentando essa capacidade de interlocução como parte de sua atuação diplomática.
A agenda internacional do governo brasileiro nesta Assembleia também inclui a defesa do multilateralismo, da soberania dos países e de reformas nas instituições globais.
Assembleia reúne líderes de 193 países
O debate geral da 81ª Assembleia Geral ocorre entre 22 e 28 de setembro e reúne representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas.
O tema escolhido para a sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Além dos discursos no plenário, a semana de alto nível concentra dezenas de reuniões bilaterais e encontros paralelos entre chefes de Estado e de governo.
É justamente esse volume de compromissos que torna as agendas particularmente disputadas e exige articulação diplomática antecipada para reuniões formais entre líderes.
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Entenda o contexto
Lula e Zelensky mantêm interlocução sobre a guerra desde os primeiros anos do terceiro mandato do presidente brasileiro. O Brasil condena a invasão russa do território ucraniano, mas também defende uma solução negociada para o conflito.
Em junho de 2026, os dois presidentes voltaram a conversar durante a cúpula do G7, na França. Depois daquele encontro, surgiu a possibilidade de Lula utilizar sua interlocução com Vladimir Putin para tentar estimular um canal de diálogo entre Rússia e Ucrânia.
Agora, os dois estão novamente na mesma cidade durante a Assembleia Geral da ONU, mas sem uma reunião bilateral previamente articulada. A agenda curta de Lula e os compromissos já assumidos pelos dois governos reduzem o espaço para um novo encontro formal.
A Assembleia Geral começa seu debate de alto nível nesta terça-feira (22). Lula fará o primeiro discurso entre os Estados-membros, seguido por Donald Trump. A guerra na Ucrânia, os conflitos internacionais, a soberania e o fortalecimento do multilateralismo estarão entre os grandes temas da semana diplomática em Nova York.
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