MPE muda posição e pede para barrar candidatura de Antônio Rueda no Rio

Procuradoria Eleitoral passou a defender o indeferimento do registro do presidente do União Brasil após novas diligências; defesa nega irregularidades e TRE-RJ ainda decidirá o caso
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Ministério Público Eleitoral (MPE) mudou de posição e passou a defender o indeferimento do registro da candidatura de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, a deputado federal pelo Rio de Janeiro. A nova manifestação foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que ainda vai decidir sobre o registro.

Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, documentos obtidos após novas diligências modificaram o conjunto de elementos analisado no processo. O órgão sustenta que a candidatura estaria inserida em uma estrutura político-territorial na Baixada Fluminense que teria participação de pessoas associadas a organizações paramilitares. A defesa de Rueda contesta a conclusão e afirma que não existem provas de irregularidades cometidas pelo candidato.

MPE muda posição sobre candidatura de Rueda

Em uma manifestação anterior, o Ministério Público Eleitoral havia considerado insuficientes os elementos apresentados para impedir o registro da candidatura.

O cenário mudou depois que o TRE-RJ suspendeu o julgamento e converteu o processo em diligência para obter informações adicionais de órgãos públicos.

Com a chegada dos novos documentos, a Procuradoria Regional Eleitoral revisou o entendimento e passou a pedir o indeferimento do registro de Rueda.

Leia também:

Veja a agenda dos candidatos ao governo do Rio nesta segunda-feira (21)

 

Procuradoria cita estrutura política na Baixada Fluminense

Na nova manifestação, o Ministério Público Eleitoral afirma que a candidatura de Rueda estaria relacionada a uma estrutura político-territorial estabelecida na Baixada Fluminense e ligada ao grupo político do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também do União Brasil.

A Procuradoria cita a atuação de Eduardo Araújo e Fabinho “Varandão”, ex-secretários municipais que tiveram candidaturas barradas em 2024 em processos relacionados a organizações paramilitares ou milícias.

De acordo com o MPE, os dois teriam continuado atuando politicamente e promovendo candidaturas do grupo. As afirmações integram a argumentação apresentada pela Procuradoria e ainda estão sob análise da Justiça Eleitoral.

MPE aponta atuação de apoiadores

O Ministério Público Eleitoral sustenta que Eduardo Araújo teria participado publicamente da promoção eleitoral de Rueda e Canella nas redes sociais.

Em relação a Fabinho “Varandão”, a Procuradoria afirma que ele teria participação na estruturação da campanha na Baixada Fluminense e cita acusações relacionadas à atuação de milícia armada, extorsões e controle clandestino de serviços de internet.

O órgão argumenta que os novos elementos justificam a mudança do parecer apresentado anteriormente e pede que o TRE-RJ rejeite o registro da candidatura.

Defesa de Rueda nega irregularidades

A defesa de Antônio Rueda contesta o novo parecer e afirma que o candidato não possui condenação, denúncia ou indiciamento criminal relacionado aos fatos apresentados no processo.

Os advogados também sustentam que eventuais manifestações de apoiadores nas redes sociais ocorreram por iniciativa própria e não poderiam ser utilizadas, por si só, para impedir a candidatura.

A defesa afirma ainda que as informações obtidas nas diligências não demonstraram episódios de ameaça, violência, coação ou emprego de homens armados em benefício eleitoral de Rueda.

TRE-RJ ainda vai decidir sobre registro

A manifestação do Ministério Público Eleitoral não significa que a candidatura de Rueda já tenha sido barrada. O pedido ainda precisa ser analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

Rueda transferiu o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro em janeiro e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Presidente nacional do União Brasil, ele concentra parte de sua estratégia eleitoral na Baixada Fluminense.

Até que o TRE-RJ julgue o processo, a nova manifestação representa a posição da Procuradoria Regional Eleitoral sobre o pedido de registro, e não uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

Veja também:

Caso Master pressiona cúpula da União Progressista e desafia Rueda e Ciro Nogueira

Entenda o contexto

O processo sobre o registro de Antônio Rueda passou por uma mudança de rumo depois que o TRE-RJ decidiu buscar novas informações antes de concluir o julgamento.

Inicialmente, o Ministério Público Eleitoral havia se manifestado de forma favorável ao registro por considerar insuficientes os elementos disponíveis naquele momento. Depois das diligências, a Procuradoria afirmou que o novo conjunto documental alterou sua avaliação.

Agora, o MPE defende o indeferimento da candidatura com base na alegada vinculação da estrutura eleitoral a pessoas associadas a organizações paramilitares. A defesa rejeita essa interpretação e sustenta que não há provas de participação de Rueda em irregularidades.

A decisão caberá ao TRE-RJ. Portanto, o registro de candidatura não deve ser tratado como definitivamente negado enquanto o tribunal não concluir o julgamento.

Mais lidas do NC News:

Cobertura onde ocorreu caso Matsunaga tem dificuldade para ser vendida em SP

Posso votar no mesmo senador duas vezes? Entenda a regra para as eleições de 2026

Recruta mata colega de serviço e tira a própria vida dentro de quartel em Macapá

Carregar Comentários