A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (21), uma nova etapa das investigações sobre suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Acre. As operações Ptolomeu IV e Umbra também avançaram sobre uma possível estrutura criada para obter e repassar informações sigilosas sobre ações da própria Polícia Federal.
Entre os alvos das medidas está o ex-governador do Acre Gladson Cameli, que já havia sido investigado em fases anteriores da Operação Ptolomeu. Durante a ação, os agentes apreenderam o celular de Cameli e três veículos no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco.
Nesta nova etapa, um dos principais focos da apuração é a suspeita de vazamento de informações sobre operações policiais, incluindo dados sobre deslocamento de equipes e viaturas.
Segundo a Polícia Federal, teria sido estruturado um núcleo de contrainteligência com o objetivo de acompanhar a atuação dos investigadores e antecipar informações a pessoas que eram alvo de apurações anteriores.
A suspeita é que o acesso antecipado aos dados permitisse aos investigados adotar medidas para tentar reduzir a efetividade das ações policiais e das decisões judiciais.

Informações policiais teriam sido repassadas
A investigação da Operação Umbra teve origem em elementos obtidos durante fases anteriores da Operação Ptolomeu.
De acordo com a PF, foram identificados indícios da existência de uma estrutura voltada à obtenção de informações sobre operações policiais, movimentação de equipes e deslocamento de viaturas.
A apuração também identificou a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse indevido de informações relacionadas às operações.
Os investigadores agora buscam esclarecer como os dados eram obtidos, quem tinha acesso às informações e para quem elas teriam sido repassadas.
Contratos do Instituto de Meio Ambiente também são investigados
A Operação Ptolomeu IV possui ainda uma frente relacionada à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC).
Auditoria da Controladoria-Geral da União apontou possível superfaturamento de aproximadamente R$ 1,2 milhão, relacionado a serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não executados integralmente.
A investigação também identificou indícios de que recursos provenientes dos contratos públicos poderiam ter sido utilizados para o pagamento de despesas particulares e para a concessão de vantagens indevidas a agentes públicos.
A análise das movimentações financeiras da empresa contratada apontou ainda saques em espécie e outras operações consideradas atípicas.
Uma segunda empresa, posteriormente contratada para concluir a mesma obra, também passou a ser investigada.
Segundo a PF, existem indícios de possível sucessão empresarial e continuidade das práticas investigadas, além de vínculos entre pessoas relacionadas à nova contratada e empresas que já estavam no radar da Operação Ptolomeu.
PF apreende cerca de R$ 1 milhão em dinheiro
As operações resultaram no cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina.
Durante as diligências, os investigadores apreenderam valores em espécie com alguns dos investigados. A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro vivo.
Três suspeitos também foram presos em flagrante por posse ilegal de armas de fogo.
As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça, que também determinou o sequestro de bens e valores para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Entre as medidas cautelares impostas estão afastamento de função pública, proibição de contato entre investigados, restrições de acesso a determinados órgãos públicos e proibição de deixar a comarca de residência e o país.
Investigação tenta descobrir até onde chegava a rede
A nova etapa amplia o alcance da Operação Ptolomeu e coloca sob investigação não apenas possíveis desvios de recursos públicos, mas também uma estrutura que teria atuado para antecipar informações sobre ações da Polícia Federal.
Os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual apurada, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa.
A investigação continua para esclarecer a extensão da possível rede de vazamento, identificar os responsáveis pelo acesso e repasse das informações e verificar quais ações policiais podem ter sido afetadas pelo compartilhamento antecipado de dados.