Falsa Receita Federal invade casas de idosos em Niterói; golpe chega a R$ 1 milhão

Quadrilha finge ser Receita Federal para aplicar golpe em idosos de Icaraí, causando prejuízos milionários.
Redação NC News
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Uma quadrilha investigada por se passar por funcionários da Receita Federal, do INSS e de instituições financeiras já fez ao menos 25 vítimas somente em Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Em alguns casos, integrantes do grupo chegam a entrar nos apartamentos dos idosos para obter cartões, senhas, dinheiro e joias. A Polícia Civil já identificou aproximadamente 12 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. Os prejuízos apurados variam de cerca de R$ 10 mil a aproximadamente R$ 1 milhão. As investigações estão concentradas na 77ª DP (Icaraí), que identificou os 25 casos em um intervalo de aproximadamente um mês e meio. A polícia também encontrou ocorrências em outros bairros de Niterói, incluindo Santa Rosa.
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Golpistas telefonam antes de aparecer na casa da vítima

O esquema começa com uma ligação telefônica. O criminoso afirma representar a Receita Federal, o INSS ou uma instituição financeira e informa que existe uma suposta dívida ou pendência em nome da vítima. Um dos elementos que tornam a abordagem mais convincente é o acesso dos golpistas a informações pessoais. Segundo a investigação, integrantes do grupo conhecem nomes de familiares, endereços e dados documentais das vítimas. Durante a conversa, o criminoso apresenta uma suposta solução para o problema e oferece o envio de um funcionário até a residência do idoso para facilitar o atendimento. Enquanto um integrante continua ao telefone tentando convencer a vítima, outra pessoa permanece nas proximidades e aguarda autorização para entrar no imóvel.

Mulher se apresenta como “Bruna”

A investigação aponta que mulheres são frequentemente utilizadas nas visitas às residências. Segundo a polícia, a estratégia seria uma forma de despertar menos suspeitas entre as vítimas. Em algumas ocorrências, uma das suspeitas teria se apresentado como “Bruna”. Homens também podem participar das visitas. Em um dos casos investigados, um idoso de 87 anos recebeu uma ligação informando que teria uma dívida de Imposto de Renda de aproximadamente R$ 5 mil. Ele foi convencido de que uma suposta inspetora da Receita Federal iria até o apartamento para resolver a situação. Depois de entrar no imóvel, a mulher teria convencido a vítima a entregar cartões bancários, senhas e duas alianças de ouro. Segundo a família, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 10 mil. Imagens das câmeras de segurança do condomínio foram entregues à polícia e passaram a integrar a investigação.

Uma das vítimas perdeu cerca de R$ 1 milhão

O caso de maior prejuízo identificado até agora chega a aproximadamente R$ 1 milhão. Segundo a Polícia Civil, somente em dinheiro vivo foram levados cerca de R$ 500 mil. Os criminosos também teriam realizado transferências via Pix, contratado empréstimos em nome do idoso e levado joias. Parte dos valores obtidos pelo grupo foi transferida para outras contas bancárias. Algumas dessas contas já foram identificadas pelos investigadores.

Polícia identifica cerca de 12 suspeitos

A Polícia Civil já identificou aproximadamente 12 pessoas que teriam participação no esquema. A maioria dos investigados identificados é formada por mulheres. A polícia apura a função exercida por cada integrante e o caminho percorrido pelo dinheiro retirado das vítimas. Alguns dos suspeitos possuem mandados de prisão. Pelo menos dois investigados já teriam sido presos anteriormente por crimes semelhantes e voltado a praticar golpes depois de deixarem o sistema prisional. A investigação também aponta que o grupo já atuava na cidade do Rio de Janeiro antes de passar a agir em Niterói e que há suspeitos de outros estados envolvidos.

Idosos de até 94 anos estão entre as vítimas

Os criminosos têm como principais alvos pessoas idosas, segundo o delegado titular da 77ª DP, Aldrin Genuíno da Rocha. A maior concentração ocorre entre vítimas com mais de 70 anos, mas a polícia já investiga casos envolvendo idosos de até 94 anos. A existência de dados pessoais em poder dos criminosos aumenta a capacidade de convencimento durante as ligações e dificulta a identificação imediata da fraude.

Delegado alerta para falsas cobranças

A orientação da Polícia Civil é interromper qualquer ligação em que uma pessoa se apresente como representante de órgão público ou instituição financeira e faça uma cobrança suspeita.
“Se receber uma ligação de um suposto agente da Receita Federal, desligue e procure uma agência do órgão para saber se é verdade”, orientou o delegado Aldrin Genuíno da Rocha.
A recomendação também vale para porteiros e funcionários de condomínios. Visitas de desconhecidos que afirmem representar a Receita Federal, o INSS ou tratar de aposentadorias e pensões devem ser verificadas antes de qualquer autorização de entrada. Em caso de comportamento suspeito, a orientação é acionar as forças de segurança.

Receita Federal não cobra tributos dessa forma

A Receita Federal mantém alertas sobre criminosos que utilizam o nome, logotipos e informações do órgão para tentar obter dinheiro e dados de contribuintes. Procedimentos de fiscalização tributária são formalizados por Auditores-Fiscais designados e podem ser verificados nos canais oficiais do governo. O órgão também alerta que cobranças por Pix ou transferências bancárias apresentadas como procedimentos da Receita devem ser tratadas como suspeitas. O recolhimento de tributos federais ocorre por documentos oficiais de arrecadação. A recomendação é nunca entregar cartões, senhas ou informações bancárias a pessoas que apareçam na residência dizendo representar o Fisco.

Como se proteger do golpe

Ao receber uma cobrança inesperada em nome da Receita Federal, INSS ou banco, a primeira medida deve ser encerrar o contato e procurar diretamente a instituição por um canal oficial. Não devem ser fornecidos senhas, números completos de cartões, códigos recebidos por SMS ou acesso ao celular e ao computador. Também não é recomendado permitir que desconhecidos entrem na residência para supostamente resolver problemas tributários, previdenciários ou bancários. Em condomínios, porteiros devem confirmar com o morador a identidade e o motivo da visita antes de liberar a entrada. Se o golpe já tiver ocorrido, a orientação é comunicar imediatamente o banco, registrar ocorrência na Polícia Civil e preservar mensagens, números de telefone, comprovantes, imagens de câmeras e demais registros que possam auxiliar na identificação dos criminosos.
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Entenda O Contexto

A 77ª DP investiga uma quadrilha que se passa por representantes da Receita Federal, do INSS e de instituições financeiras para aplicar golpes contra idosos em Niterói. Somente em Icaraí, 25 ocorrências foram identificadas em aproximadamente um mês e meio. A polícia também encontrou casos em outros bairros, como Santa Rosa. O grupo entra em contato por telefone, apresenta informações pessoais para conquistar a confiança da vítima e afirma que existe uma dívida ou pendência. Em seguida, um integrante é enviado até a residência sob o pretexto de resolver o problema. Cartões, senhas, dinheiro e joias estão entre os bens retirados das vítimas. A Polícia Civil já identificou aproximadamente 12 suspeitos. Os prejuízos conhecidos variam de cerca de R$ 10 mil a aproximadamente R$ 1 milhão.
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