Fazenda reduz previsão de crescimento da economia para 2% e alerta para dívidas das famílias

Estimativa anterior apontava alta de 2,3% do PIB em 2026; juros elevados, endividamento e inadimplência das famílias ajudam a limitar consumo e ritmo da atividade econômica.
Redação NC News
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O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A nova estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) foi divulgada nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A revisão ocorre em meio à desaceleração da atividade econômica e a um cenário no qual o endividamento e a inadimplência das famílias continuam elevados, limitando parte da renda disponível para consumo. A Fazenda também chama atenção para o efeito dos juros sobre as famílias. Com o crédito mais caro e uma parcela maior da renda comprometida com dívidas, o consumo tende a perder força, afetando um dos principais motores da economia brasileira.
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Previsão para o PIB cai de 2,3% para 2%

A estimativa anterior do Ministério da Fazenda, divulgada no Boletim Macrofiscal, apontava crescimento de 2,3% para a economia brasileira em 2026. Com a nova projeção de 2%, o governo passa a trabalhar com uma expansão mais moderada da atividade neste ano. O movimento ocorre depois de a economia apresentar sinais de perda de ritmo. No segundo trimestre, o PIB cresceu 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano, quando a expansão havia sido de 1,1%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o crescimento foi de 2%. Já no acumulado do primeiro semestre, a economia avançou 1,9%.

Dívidas pesam mais no orçamento das famílias

Um dos pontos de atenção apresentados pela equipe econômica é o comprometimento da renda das famílias com dívidas. O endividamento e a inadimplência permanecem em níveis elevados, ao mesmo tempo em que os juros reais continuam em patamar considerado restritivo. Essa combinação reduz a parcela da renda disponível para outros gastos. Na prática, famílias que precisam destinar uma parcela maior do orçamento ao pagamento de prestações, empréstimos e juros possuem menos recursos disponíveis para consumir outros bens e serviços. Como o consumo das famílias tem peso relevante na economia brasileira, uma desaceleração dos gastos pode repercutir sobre comércio, serviços, indústria e investimentos.

Juros elevados também freiam atividade

O nível dos juros é outro elemento considerado na análise da atividade. Mesmo após o início do ciclo de redução da taxa básica, as condições financeiras continuam restritivas. Juros elevados tornam empréstimos e financiamentos mais caros para consumidores e empresas. O efeito tende a reduzir compras financiadas e pode levar companhias a adiar investimentos. A desaceleração já apareceu no comportamento do consumo das famílias, que recuou 0,5% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano.
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Mercado tem projeção próxima à do governo

As projeções do mercado financeiro também indicam crescimento próximo de 2% para a economia brasileira em 2026. No Boletim Focus divulgado na semana passada, economistas e instituições financeiras consultados pelo Banco Central projetavam expansão de 1,89% para o PIB neste ano. A estimativa do mercado havia recuado de 1,93% para 1,89%. Quatro semanas antes, a previsão era de crescimento de 1,98%.

Economia cresceu 0,5% no segundo trimestre

Os números mais recentes do PIB mostram que a economia brasileira continuou crescendo no segundo trimestre, mas em ritmo inferior ao observado no início do ano. A agropecuária apresentou crescimento de 2,8% na comparação com o trimestre anterior. Os serviços avançaram 0,2%, enquanto a indústria teve alta de 0,1%. O PIB brasileiro atingiu R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre. No acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, chegou a R$ 13,2 trilhões.

Entenda O Contexto

O Boletim Macrofiscal é divulgado a cada dois meses pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e reúne projeções para indicadores como crescimento econômico e inflação. As estimativas servem como referência para o acompanhamento da conjuntura econômica e também são utilizadas no processo orçamentário da União. A redução da projeção de crescimento de 2,3% para 2% ocorre em um momento de desaceleração do PIB, consumo mais fraco das famílias e condições de crédito ainda restritivas.
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