O mercado financeiro espera que o Banco Central reduza a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta semana. A projeção consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14) e indica um novo corte de 0,25 ponto percentual.
A decisão será tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião marcada para terça (15) e quarta-feira (16). Se a previsão se confirmar, a taxa deverá permanecer em 13,75% até o fim de 2026, segundo os analistas consultados pelo Banco Central.
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Inflação também tem previsão de queda
O mercado reduziu a projeção para a inflação oficial de 2026. A estimativa para o IPCA passou de 5% para 4,9% em uma semana.
Há quatro semanas, a previsão era de inflação de 5,02% para o fim do ano.
A redução ocorre depois de o IPCA registrar deflação de 0,32% em agosto, menor resultado para o mês desde 2022. O índice acumulado em 12 meses ficou em 4,22%.
Apesar do cenário mais favorável, a inflação ainda é acompanhada de perto pelo Banco Central, principalmente porque alguns setores continuam pressionados.
Corte pode aliviar o custo do crédito
A Selic é a principal taxa de juros da economia brasileira e serve como referência para diversas operações financeiras.
Quando a taxa básica cai, existe uma tendência de redução dos juros cobrados em empréstimos e financiamentos, embora o repasse para o consumidor não seja automático nem aconteça na mesma velocidade em todos os bancos.
Para quem precisa contratar crédito, juros menores podem significar parcelas mais baixas. Para empresas, a redução também pode diminuir o custo de financiamento e favorecer novos investimentos.
Por outro lado, juros menores podem estimular o consumo e a atividade econômica, o que exige atenção do Banco Central para evitar uma nova pressão sobre os preços.
Selic já caiu quatro vezes
A expectativa desta semana dá continuidade ao ciclo de redução iniciado pelo Copom.
Na reunião de agosto, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para os atuais 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.
Antes disso, a Selic havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior patamar em quase duas décadas.
O primeiro corte do ciclo ocorreu em março, em um cenário de desaceleração da inflação.
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Mercado reduz previsão para o crescimento do PIB
O mesmo Boletim Focus mostrou uma revisão para baixo na expectativa de crescimento da economia brasileira.
A projeção para o PIB de 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Há quatro semanas, o mercado esperava uma expansão de 1,98%.
Para 2027, a previsão é de crescimento de 1,45%.
A redução da expectativa para o PIB ocorre em um cenário de juros ainda elevados, que tendem a dificultar o acesso ao crédito e podem diminuir o ritmo de consumo e investimentos.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5,20
A previsão para o câmbio permaneceu estável.
O mercado continua projetando que o dólar termine 2026 em R$ 5,20, estimativa que vem sendo mantida há 13 semanas consecutivas.
Para 2027, o Focus prevê inflação de 4,30%.
Entenda o contexto
A Selic é usada pelo Banco Central como principal instrumento para tentar controlar a inflação. Quando os preços sobem em ritmo elevado, juros mais altos tendem a desestimular o consumo e o crédito, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços.
O movimento contrário também acontece: uma Selic menor tende a estimular o consumo, o crédito e os investimentos, mas pode aumentar a demanda e gerar pressão inflacionária se ocorrer de forma excessiva.
A expectativa atual é de que o Copom faça mais um corte de 0,25 ponto percentual nesta semana. Se isso acontecer, a taxa chegará a 13,75% ao ano.
O mercado, porém, não prevê novos cortes ainda em 2026. A projeção do Focus é de que a Selic encerre o ano nesse mesmo patamar.
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