Quatro funcionários terceirizados que prestavam serviços à Receita Federal são investigados por suspeita de desviar iPhones 17 apreendidos em Cascavel, no Oeste do Paraná. Segundo a investigação, aparelhos que deveriam ser registrados e encaminhados para armazenamento teriam sido retirados antes da conclusão dos procedimentos oficiais.
O esquema teria provocado prejuízo superior a R$ 200 mil. A Justiça Federal determinou o afastamento cautelar dos quatro investigados e autorizou mandados de busca e apreensão. Durante o cumprimento das ordens, duas pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
Diferença na quantidade de celulares levantou suspeita
A investigação começou depois que a própria Receita Federal identificou uma divergência entre a quantidade de celulares informada pelo condutor de um veículo apreendido e o número de aparelhos que efetivamente chegou ao órgão.
Durante a conferência das mercadorias, servidores perceberam que parte dos celulares não havia sido entregue para armazenamento.
A partir da constatação, foram analisadas imagens das câmeras de segurança do local para reconstruir a movimentação das mercadorias e identificar o que havia acontecido com os aparelhos.
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Câmeras registraram movimentação dos aparelhos
Segundo a apuração, as imagens indicaram que trabalhadores terceirizados teriam deixado parte dos celulares dentro do veículo apreendido, em vez de encaminhá-los junto com as demais mercadorias para os procedimentos da Receita Federal.
Posteriormente, outros terceirizados que trabalhavam na vigilância patrimonial teriam retirado os aparelhos que permaneceram no veículo.
Diante dos indícios encontrados nas imagens, a Receita Federal comunicou o caso à Polícia Federal e solicitou a abertura de um inquérito.
Quatro terceirizados são investigados
Com o avanço das investigações, quatro trabalhadores terceirizados foram identificados como suspeitos de participação no esquema.
Dois deles atuavam na conferência das mercadorias e, segundo a investigação, teriam deixado de registrar determinados produtos nos procedimentos de apreensão. Os outros dois trabalhavam na segurança e teriam retirado posteriormente os aparelhos.
A Receita Federal ressaltou que nenhum dos quatro investigados é servidor público do órgão. Eles eram funcionários terceirizados contratados para atividades de apoio relacionadas à movimentação e à vigilância de mercadorias apreendidas.
Prejuízo passa de R$ 200 mil
O valor das mercadorias que teriam sido desviadas é estimado em mais de R$ 200 mil.
A investigação busca esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e verificar se houve outros episódios semelhantes durante a atuação dos trabalhadores no local.
Os investigados poderão responder, conforme o resultado das apurações e a responsabilização individual de cada um, por crimes como associação criminosa, peculato e descaminho.
Justiça autorizou quatro mandados de busca
A 1ª Vara Federal Criminal de Ponta Grossa autorizou quatro mandados de busca e apreensão relacionados à investigação.
A Justiça também determinou quatro medidas cautelares de afastamento funcional contra os trabalhadores investigados.
Durante o cumprimento das buscas, duas pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo. As prisões ocorreram em razão das armas encontradas durante a operação e são distintas da apuração sobre o possível desvio dos celulares.
Receita diz que adotou medidas após identificar irregularidade
A Receita Federal informou que adotou as providências administrativas e legais necessárias assim que identificou indícios de irregularidades na movimentação das mercadorias.
O órgão também afirmou que continuará colaborando com a investigação conduzida pela Polícia Federal.
A Receita declarou ainda que possui mecanismos de controle destinados a acompanhar a guarda, movimentação e destinação de produtos apreendidos durante fiscalizações.
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Entenda o contexto
Cascavel está localizada no Oeste do Paraná e integra uma região marcada por intenso fluxo de mercadorias ligado à proximidade com a fronteira brasileira.
A BR-277 é uma das principais rotas que conectam a região de Foz do Iguaçu e municípios do Oeste paranaense ao restante do estado. Por isso, operações contra contrabando e descaminho são frequentes na região.
Em julho, uma fiscalização da Receita Federal em São Miguel do Iguaçu, também no Oeste do Paraná, apreendeu 16 celulares de origem paraguaia que estavam escondidos nas roupas de uma passageira. A ocorrência também aconteceu na BR-277.
No caso investigado agora em Cascavel, a suspeita é diferente: os celulares já haviam sido apreendidos pelas autoridades e deveriam seguir para armazenamento quando parte dos aparelhos teria sido desviada. A investigação da Polícia Federal continua.
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