O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara uma mudança na metodologia do Produto Interno Bruto (PIB) que permitirá incluir estimativas de atividades econômicas ilícitas, como o mercado de drogas, nas Contas Nacionais brasileiras a partir de 2028.
A mudança não significa legalização ou reconhecimento dessas atividades pelo Estado. O objetivo estatístico é medir de maneira mais abrangente a renda, o consumo e os fluxos econômicos existentes no país, seguindo recomendações internacionais.
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IBGE estuda metodologia desde 2019
As discussões internas sobre a nova forma de mensuração começaram em 2019 e uma primeira estimativa experimental foi produzida em 2021.
A alteração integra a revisão da série do Sistema de Contas Nacionais, processo realizado periodicamente para atualizar fontes, conceitos e métodos utilizados na medição da economia.
“Independentemente de serem informais ou ilegais, as atividades devem, na medida em que for possível, ser cobertas pelas Contas Nacionais”, explica o IBGE.
Como atividades ilegais podem ser calculadas
Como atividades ilícitas não possuem registros econômicos convencionais, o cálculo dependerá de estimativas indiretas e do cruzamento de diferentes bases de informação.
Entre as fontes possíveis estão apreensões, dados administrativos, pesquisas de consumo, preços e informações sobre fluxos comerciais.
A metodologia precisará ainda estabelecer quais mercados serão contabilizados e como serão tratados os níveis de incerteza das estimativas.
Mudança segue padrão internacional
A inclusão da chamada economia não observada segue recomendações do Sistema de Contas Nacionais das Nações Unidas e práticas já adotadas em outros países.
Países europeus incorporaram estimativas de determinadas atividades ilegais às contas nacionais. O Reino Unido, por exemplo, inclui drogas ilícitas e prostituição em suas estimativas econômicas.
PIB pode ficar nominalmente maior
A inclusão de atividades que atualmente não são integralmente captadas pode elevar o nível nominal calculado para a economia brasileira.
Isso, porém, não significa automaticamente que o Brasil passará a apresentar uma taxa maior de crescimento econômico.
Se o IBGE reconstruir a série histórica com os mesmos critérios, parte da alteração aparecerá como mudança de metodologia, e não como crescimento real ocorrido de um ano para outro.
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Entenda O Contexto
O PIB mede o valor dos bens e serviços finais produzidos em uma economia durante determinado período.
A nova série das Contas Nacionais brasileiras terá referência em 2021 e faz parte de uma atualização mais ampla da metodologia utilizada pelo IBGE.
A previsão é que as mudanças sejam incorporadas às estatísticas a partir de 2028. Até lá, o instituto continuará desenvolvendo e testando as estimativas.
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