Lula tem 47% entre mulheres chefes de família, contra 27% de Flávio, aponta Datafolha

Estudo revela liderança de Lula entre mulheres chefes de família, grupo que enfrenta desigualdades no mercado de trabalho.
Redação NC News
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O presidente Lula (PT) registra 47% das intenções de voto entre mulheres chefes de família, contra 27% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados da pesquisa Datafolha divulgados nesta semana. O recorte reúne mulheres identificadas como referência financeira de suas residências e corresponde a 30% da amostra total do levantamento. A margem de erro específica desse grupo é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. Os números mostram uma diferença maior que a observada no eleitorado feminino como um todo. Entre todas as mulheres entrevistadas, Lula aparece nove pontos percentuais numericamente à frente de Flávio. Entre os homens, o senador do PL tem dois pontos de vantagem numérica.
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Mulheres já são referência financeira em mais da metade dos lares

O peso desse grupo cresceu de forma significativa nas últimas décadas. Dados da Pnad atualizados pela pesquisadora Janaína Feijó, da Fundação Getulio Vargas, apontam que o Brasil tem atualmente 42,1 milhões de mulheres na condição de referência financeira da casa. Elas estão à frente de 52,4% dos lares brasileiros. Em 2012, eram cerca de 21 milhões, correspondendo a 35% das residências.
“A gente observa que aquele arranjo tradicional familiar foi perdendo espaço no cenário brasileiro”, afirmou Janaína Feijó, da FGV.
“Há uma evolução na percepção de que cada arranjo familiar decide o que é melhor para si”, acrescentou a pesquisadora.

Diferença entre mulheres e homens aparece na pesquisa

No eleitorado feminino total, Lula registra vantagem numérica de nove pontos sobre Flávio Bolsonaro. Entre os homens ocorre o movimento inverso: Flávio aparece dois pontos percentuais numericamente à frente do presidente. A leitura dos recortes precisa considerar as margens de erro específicas de cada segmento, que são maiores do que a margem geral da pesquisa.

Mercado de trabalho ainda mostra diferenças

Embora as mulheres tenham aumentado sua participação como responsáveis financeiras pelos lares, indicadores de trabalho ainda mostram diferenças relevantes em relação aos homens. Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher de 2026, 53,5% das mulheres estão ocupadas, contra 73% dos homens. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminina ficou 1,8 ponto percentual acima da masculina, enquanto o rendimento médio dos homens permaneceu aproximadamente 25% superior. Ao mesmo tempo, as mulheres apresentam escolaridade mais alta: 19% das eleitoras chegaram ao ensino superior, contra 14% dos homens.

Mestre de obras relata desafios e declara voto em Lula

Uma das mulheres ouvidas em reportagem sobre o perfil desse eleitorado foi Cenir Aparecida da Silva, de 58 anos, mestre de obras de Belo Horizonte. Mãe solo de quatro filhos e avó de seis netos, ela trabalha em canteiros de obras há 28 anos e relatou episódios de assédio e preconceito durante a carreira.
“Comecei quando minha filha mais nova tinha três meses”, contou Cenir.
Cenir afirmou que pretende votar em Lula. A declaração representa sua escolha individual e não explica, por si só, o comportamento eleitoral do conjunto das chefes de família pesquisadas.
“Sempre fui mais PT por causa da maneira que lidam com as pessoas”, afirmou.

Outras eleitoras mostram prioridades diferentes

O mesmo levantamento qualitativo encontrou mulheres com escolhas e prioridades políticas distintas. Em Olinda, a empreendedora Jacqueline Menezes afirmou que pretende avaliar principalmente propostas ligadas ao ambiente de negócios. Ela disse já ter recebido Bolsa Família no passado, mas hoje sustenta a casa com a venda de alimentos e não considera Lula sua opção em eventual segundo turno sem o candidato que atualmente prefere. Na Serra Gaúcha, a enóloga Janaína Massarotto afirmou ainda estar indecisa e disse que propostas voltadas a seu setor profissional terão peso na definição do voto. Os relatos reforçam que o grupo das mulheres chefes de família não constitui um bloco político homogêneo, apesar da diferença registrada pelo Datafolha no resultado agregado.

Pesquisa mostra disputa nacional apertada

No levantamento nacional do Datafolha realizado entre 15 e 17 de setembro, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, o que coloca os dois candidatos em empate técnico no primeiro turno. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
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Entenda O Contexto

O Datafolha mostra Lula com 47% das intenções de voto entre mulheres chefes de família, contra 27% de Flávio Bolsonaro. Esse grupo corresponde a 30% da amostra e tem margem de erro específica de quatro pontos percentuais. Dados da Pnad apontam que 42,1 milhões de mulheres são hoje referência financeira de suas residências, equivalente a 52,4% dos lares. A pesquisa registra a preferência eleitoral declarada, mas não permite concluir isoladamente quais fatores econômicos, sociais ou pessoais explicam a escolha de cada entrevistada.
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