Datafolha revela onde Lula e Flávio Bolsonaro concentram força; veja os recortes por idade, renda, religião e região

Presidente chega a 39% no primeiro turno contra 36% do senador; pesquisa mostra diferenças marcantes entre pobres e ricos, católicos e evangélicos, além de cenários distintos entre Nordeste, Sul e Sudeste
Redação NC News
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A nova pesquisa Datafolha mostra uma eleição presidencial marcada por uma disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas os números nacionais escondem diferenças importantes quando o eleitorado é dividido por idade, renda, religião, gênero, escolaridade e região. No resultado geral, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%.

A diferença de três pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 17 de setembro, ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 125 municípios e foi contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

Os recortes mostram que Lula mantém diferenças expressivas entre eleitores de menor renda, mulheres, católicos e moradores do Nordeste. Flávio, por sua vez, aparece numericamente à frente entre eleitores de maior renda, evangélicos e no Sul. Em vários desses grupos, entretanto, é necessário considerar a margem de erro específica de cada segmento antes de interpretar as diferenças.

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Renda divide o eleitorado

Um dos recortes mais marcantes aparece na renda familiar. Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula tem 46%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.

O cenário muda entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos. Nesse grupo, Flávio aparece com 44%, enquanto Lula registra 28%. A margem de erro é de seis pontos.

Na faixa intermediária, de mais de dois até cinco salários mínimos, Flávio tem 41%, contra 33% de Lula. Como a margem de erro é de quatro pontos, o resultado é considerado empate técnico.

Os números mostram uma divisão importante do eleitorado por faixa de renda, mas não permitem concluir, isoladamente, quais fatores explicam essas diferenças. A pesquisa apenas registra como os entrevistados declararam sua intenção de voto no momento da coleta.

Outro recorte diretamente relacionado à renda aparece entre os beneficiários do Bolsa Família. Nesse grupo, Lula registra 53%, contra 28% de Flávio. Entre aqueles que não recebem o programa, Flávio aparece com 37%, enquanto Lula tem 36%.

Religião também mostra diferenças

A divisão entre católicos e evangélicos é outro dos principais pontos revelados pelo levantamento. Entre os católicos, Lula registra 43%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 32%. Entre os evangélicos, o cenário se inverte: Flávio chega a 48%, contra 26% de Lula.

As diferenças permanecem fora do empate técnico considerando as margens de erro apresentadas para cada segmento: três pontos entre católicos e quatro pontos entre evangélicos.

O recorte religioso ganhou relevância nas eleições brasileiras nos últimos anos, especialmente porque candidatos de diferentes campos políticos passaram a disputar diretamente o eleitorado evangélico. No levantamento atual, porém, o dado deve ser lido como uma fotografia da intenção de voto no período da pesquisa, e não como uma previsão do comportamento desse grupo até o dia da votação.

Nordeste continua diferente do Sul

A divisão regional também apresenta contrastes. No Nordeste, Lula aparece com 56% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 26%. A margem de erro da região é de quatro pontos percentuais.

No Sul, Flávio tem 45%, contra 27% de Lula. Nesse caso, a margem de erro é de seis pontos.

No Sudeste, região que concentra uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, Flávio aparece com 37%, contra 34% de Lula. Como a margem de erro é de três pontos, os dois estão tecnicamente empatados.

No agrupamento formado por Centro-Oeste e Norte, Flávio registra 41%, enquanto Lula tem 35%. A margem de erro é de seis pontos, também caracterizando empate técnico.

Os números regionais ajudam a explicar por que o resultado nacional não mostra sozinho a distribuição territorial das intenções de voto.

Mulheres e homens apresentam cenários diferentes

O levantamento também mostra uma diferença entre homens e mulheres. Entre as mulheres, Lula aparece com 41%, enquanto Flávio tem 32%. Entre os homens, Flávio registra 39%, contra 37% de Lula. Nesse segmento, os dois estão dentro do empate técnico considerando a margem de erro de três pontos percentuais.

O resultado faz com que o desempenho entre eleitoras seja um dos componentes da vantagem numérica de Lula no conjunto da amostra. Ao mesmo tempo, a diferença entre homens é pequena o suficiente para que não seja possível afirmar uma vantagem estatística de um candidato sobre o outro nesse recorte.

Jovens ainda apresentam disputa apertada

A faixa etária mais jovem também apresenta um cenário diferente do número geral. Entre eleitores de 16 a 24 anos, Lula tem 39%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro desse grupo chega a seis pontos, o resultado configura empate técnico.

O dado chama atenção também pelo nível de indecisão potencial. Entre os jovens que já indicam uma opção de voto no cenário estimulado, incluindo branco, nulo ou nenhum, 33% afirmam que ainda podem mudar de escolha. Outros 67% dizem estar totalmente decididos.

Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula aparece com 43%, contra 33% de Flávio. A diferença de dez pontos também está no limite da margem de erro de cinco pontos desse grupo.

Nas demais faixas, os dois permanecem tecnicamente empatados: entre 25 e 34 anos, Flávio tem 39% contra 37% de Lula; dos 35 aos 44 anos, Lula registra 41% contra 35%; e entre 45 e 59 anos, Flávio aparece com 39% contra 35% do presidente.

Escolaridade mostra diferenças menores

O nível de escolaridade apresenta uma divisão menos acentuada. Entre os eleitores com ensino fundamental, Lula tem 47%, enquanto Flávio registra 30%. A margem de erro é de quatro pontos.

No grupo com ensino médio, Flávio aparece com 38%, contra 36% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro de três pontos.

Entre aqueles com ensino superior, Flávio tem 37%, enquanto Lula registra 36%. Com margem de erro de quatro pontos, também há empate técnico.

O levantamento, portanto, mostra que as maiores diferenças entre os dois candidatos nesse quesito estão nas extremidades da escolaridade, enquanto os grupos de ensino médio e superior apresentam resultados próximos.

O cenário nacional

Considerando todo o eleitorado pesquisado, Lula aparece com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36%. Augusto Cury (Avante) registra 6%; Ronaldo Caiado (PSD), 4%; Renan Santos (Missão), 3%; e Romeu Zema (Novo), 2%.

Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada. Brancos e nulos somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam responder.

No segundo turno, Lula aparece com 46%, contra 44% de Flávio, novamente dentro da margem de erro de dois pontos. A rejeição também está empatada: 47% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula, enquanto o mesmo percentual rejeita Flávio Bolsonaro.

O resultado mostra uma disputa nacional próxima, mas com bases eleitorais distribuídas de maneira diferente entre os segmentos analisados. É importante destacar que margens de erro variam conforme o tamanho de cada subgrupo. Por isso, uma diferença numérica entre dois candidatos não significa necessariamente vantagem estatisticamente comprovada.

O que os recortes revelam sobre a eleição

Os dados mostram uma eleição com diferentes padrões de intenção de voto dependendo do perfil do eleitor. Lula apresenta percentuais mais altos entre eleitores de menor renda, beneficiários do Bolsa Família, católicos, mulheres e moradores do Nordeste. Flávio aparece com percentuais mais altos entre eleitores de renda elevada, evangélicos e moradores do Sul.

Ao mesmo tempo, segmentos importantes permanecem tecnicamente empatados, como homens, eleitores de ensino médio e superior, além de determinadas faixas etárias e regiões.

Esses recortes não indicam, por si só, o resultado da eleição. A pesquisa foi realizada entre 15 e 17 de setembro e representa as opiniões declaradas pelos entrevistados naquele período.

A própria fotografia do levantamento também mostra que há espaço para mudanças: entre os jovens que já indicaram uma escolha, um terço afirma que ainda pode mudar de voto. No conjunto dos entrevistados que responderam à pergunta, 24% dizem que podem mudar, enquanto 76% afirmam estar totalmente decididos.

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Entenda O Contexto

A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro nacional de dois pontos percentuais. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 125 municípios e foi registrado no TSE sob o número BR-04029/2026.

Os recortes, entretanto, mostram diferenças importantes. Lula chega a 56% no Nordeste e a 46% entre eleitores com renda de até dois salários mínimos. Também registra 53% entre beneficiários do Bolsa Família, segundo levantamento específico do Datafolha. Flávio aparece com 45% no Sul e 44% entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos. Entre evangélicos, o senador tem 48%, contra 26% de Lula.

Em outros grupos, a disputa permanece tecnicamente empatada. É o caso do Sudeste, dos homens, dos eleitores com ensino médio e superior e de algumas faixas etárias. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula tem 39% e Flávio 29%, mas a margem de erro desse segmento é de seis pontos.

No segundo turno, Lula registra 46% e Flávio 44%, também em empate técnico. A rejeição é de 47% para os dois. Os números, portanto, apresentam uma fotografia da disputa no momento da pesquisa e não permitem antecipar o resultado da eleição.

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