Canetas emagrecedoras podem afetar menstruação e ovulação? Entenda o que estudo aponta

Com a queda da patente, Anvisa aprova canetas nacionais que prometem reduzir custos do tratamento com semaglutida.
Redação NC News
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Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, incluindo os à base de semaglutida e tirzepatida, entraram no radar de pesquisadores por possíveis alterações no ciclo menstrual. Uma análise de notificações de eventos adversos nos Estados Unidos identificou sinais relacionados a sangramentos, coágulos, irregularidade menstrual e ciclos sem ovulação entre mulheres em idade reprodutiva.

O estudo, publicado na revista Obstetrics & Gynecology, utilizou dados do sistema de farmacovigilância da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. Os resultados, porém, não estabelecem uma relação de causa e efeito entre os medicamentos e as alterações observadas.

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O que o estudo encontrou sobre a menstruação

Os pesquisadores analisaram notificações registradas no FDA Adverse Event Reporting System (FAERS), banco utilizado para monitorar possíveis efeitos adversos de medicamentos. Foram considerados dados disponíveis até março de 2026 e relatos envolvendo pacientes do sexo feminino entre 12 e 55 anos.

A semaglutida apresentou o conjunto mais amplo de sinais relacionados ao ciclo menstrual. Entre os eventos identificados estavam sangramento menstrual intenso, sangramento entre períodos, coágulos menstruais, oligomenorreia, condição em que a menstruação ocorre com menor frequência, e ciclos anovulatórios.

Na análise, o sangramento menstrual intenso apresentou uma razão de chances de notificação de 3,51 para a semaglutida. Para coágulos menstruais, o indicador chegou a 31,63. Esses valores, no entanto, representam uma desproporção nas notificações do banco de dados e não significam que esse seja o risco individual de uma mulher desenvolver o problema.

O que acontece quando não há ovulação?

Um ciclo anovulatório ocorre quando o organismo passa pelo ciclo menstrual sem liberar um óvulo. Como a ovulação é necessária para a concepção natural, alterações desse tipo podem ter relação com a fertilidade durante aquele ciclo.

O estudo encontrou um sinal de ciclos anovulatórios associado à semaglutida, mas não concluiu que o medicamento provoque infertilidade ou impeça a ovulação de forma rotineira. A análise identifica um padrão nas notificações que precisa ser investigado em estudos capazes de estabelecer uma relação causal.

Tirzepatida também apresentou sinais

A tirzepatida também apareceu na análise, mas com um conjunto diferente de sinais. Os pesquisadores identificaram notificações acima do esperado principalmente para sangramento entre períodos e coágulos menstruais.

Para comparação, a liraglutida não apresentou sinais menstruais significativos na análise. A diferença entre os medicamentos não permite concluir, isoladamente, que um seja mais seguro ou mais arriscado para a saúde menstrual, já que estudos baseados em notificações espontâneas estão sujeitos a diferentes fontes de viés.

Por que os resultados ainda não comprovam uma relação?

O FAERS reúne notificações de possíveis eventos adversos, mas o registro de um caso não significa que o medicamento tenha provocado o problema. A própria FDA ressalta que seus bancos de farmacovigilância não permitem estabelecer automaticamente uma relação de causalidade entre um produto e um evento relatado.

Outro ponto importante é que o banco não informa quantas mulheres utilizaram cada medicamento sem apresentar alterações menstruais. Sem esse denominador, os pesquisadores não conseguem calcular a incidência real desses eventos entre todas as usuárias.

Além disso, mudanças importantes de peso, alterações metabólicas, síndrome dos ovários policísticos, diabetes e outras condições de saúde também podem interferir na regularidade do ciclo menstrual.

O que fazer diante de alterações no ciclo

Alterações significativas durante o uso de medicamentos para controle do peso devem ser comunicadas ao profissional responsável pelo tratamento. Sangramento muito intenso, sangramento fora do período esperado, ausência prolongada de menstruação ou mudanças persistentes no padrão do ciclo merecem avaliação médica.

Para mulheres que estão tentando engravidar, mudanças na regularidade menstrual ou na ovulação também devem ser informadas ao médico. A presença desses sintomas não significa, por si só, que o medicamento tenha causado infertilidade, mas pode justificar uma investigação individualizada.

Os dados atuais reforçam a necessidade de acompanhar possíveis efeitos ginecológicos dos agonistas do receptor de GLP-1. Por enquanto, a evidência disponível aponta para um sinal de farmacovigilância que precisa de estudos adicionais, e não para uma confirmação de que semaglutida ou tirzepatida causem alterações menstruais ou de ovulação.

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