Fux barra decisão de Dino e retoma ordem do TSE sobre posts de Nossa Senhora

Ministro do STF suspendeu decisão que havia liberado publicações e determinou que plataformas voltem a cumprir ordens da Justiça Eleitoral em até 24 horas
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão de Flávio Dino que havia derrubado uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Com a nova decisão, voltam a valer as determinações do ministro André Mendonça para a retirada dos conteúdos alcançados pela ordem.

Fux determinou que plataformas como X, Facebook, TikTok e Google retomem, em até 24 horas, o cumprimento das ordens da Justiça Eleitoral. O descumprimento pode resultar em multa. A decisão foi tomada na noite de segunda-feira (28) e ainda será submetida à análise do plenário do STF.

LEIA TAMBÉM
Flávio Bolsonaro pede ao TSE cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder

Fux aponta problema na forma como pedido chegou ao STF

Um dos principais pontos levantados por Fux foi a tramitação do pedido apresentado pela defesa do humorista Antonio Tabet. O requerimento foi protocolado dentro de um processo que já estava sob relatoria de Flávio Dino no Supremo, mas que tratava de outro assunto, relacionado à situação eleitoral do ex-deputado Deltan Dallagnol.

Na avaliação de Fux, a controvérsia sobre as publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida não tinha relação com aquele processo. Por isso, segundo o ministro, o pedido deveria ter sido registrado como uma nova ação e distribuído normalmente entre os ministros da Corte.

Foi nesse processo que Dino havia suspendido a decisão de Mendonça e determinado que publicações retiradas das redes sociais fossem restabelecidas. A decisão de Dino também permitia que outros conteúdos atingidos pela mesma ordem voltassem a circular.

O que Mendonça havia determinado

A decisão original partiu de André Mendonça, ministro do TSE, após a campanha de Flávio Bolsonaro questionar publicações que relacionavam o candidato a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Mendonça determinou a retirada de conteúdos que apresentassem essa informação como verdadeira e também proibiu a republicação da mesma narrativa. A ordem, porém, fazia ressalvas e não impedia críticas, opiniões ou sátiras relacionadas à religião e à política.

O NC News já havia mostrado que a determinação do TSE foi ampliada para alcançar novos conteúdos publicados em diferentes formatos, incluindo textos, imagens, vídeos, áudios e memes que reproduzissem a mesma alegação.

Por que Dino havia liberado as publicações

Ao suspender a ordem de Mendonça, Flávio Dino afirmou que não havia elementos suficientes para justificar uma restrição tão ampla à liberdade de expressão. O ministro observou que a publicação de Antonio Tabet não citava nominalmente Flávio Bolsonaro e que seria necessário presumir que a expressão usada pelo humorista se referia diretamente ao candidato.

Dino também destacou que temas envolvendo religião, candidatos e propostas políticas podem fazer parte do debate eleitoral. Para o ministro, a retirada de uma manifestação exige segurança suficiente sobre a existência de uma ilegalidade que justifique a medida.

Fux diz que ordem do TSE não proibia críticas

Na decisão desta segunda-feira, Fux fez uma distinção entre a liberdade de crítica e a divulgação de uma informação apresentada como fato. Segundo o ministro, a determinação de Mendonça não impedia manifestações contrárias a Flávio Bolsonaro, à religião ou à própria discussão sobre Nossa Senhora Aparecida.

O ponto central da ordem, segundo Fux, era impedir que fosse apresentada como verdadeira a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A decisão, portanto, restabelece a determinação eleitoral enquanto o caso segue em análise.

Plenário do STF ainda vai analisar o caso

A decisão de Fux não encerra definitivamente a disputa. O caso ainda será analisado pelo plenário do Supremo, que deverá avaliar o conflito entre as decisões individuais tomadas no processo e as questões relacionadas à liberdade de expressão durante o período eleitoral.

Enquanto não houver nova decisão, as determinações do TSE voltam a produzir efeitos nos termos estabelecidos por Mendonça. As plataformas alcançadas pela ordem têm 24 horas para restabelecer o cumprimento das medidas.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Avanço do mar destrói parte de casa e expõe erosão na Praia do Saco, em Sergipe
Flávio Bolsonaro avalia participar de debate da Globo, mas aguarda decisão de Lula
Luciano Hang não doa a Flávio Bolsonaro em 2026; veja quem financia a campanha
Carregar Comentários