Empresa ligada a amigo de Flávio faturou R$ 187,8 milhões operando bets da Loterj

RioPag ficou com 80,6% das receitas obtidas com a intermediação de pagamentos entre 2023 e 2026; advogado Willer Tomaz nega ser sócio ou gestor da companhia
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A RioPag, empresa de intermediação de pagamentos das casas de apostas licenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), acumulou R$ 187,8 milhões em receitas entre junho de 2023 e agosto de 2026. A companhia é ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Os valores constam em documentos obtidos pelo UOL e correspondem às receitas cobradas pelo processamento de depósitos e saques das plataformas, e não ao volume total apostado nem ao lucro líquido da empresa. No período, a atividade movimentou R$ 233 milhões em receitas de intermediação: 80,6% ficaram com a RioPag e R$ 45,2 milhões, equivalentes a 19,4%, foram destinados à Loterj.

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Empresa chegou a faturar R$ 38,1 milhões em um mês

Os registros apontam que a RioPag chegou a receber R$ 38,1 milhões em janeiro de 2025. Naquele mês, a parcela destinada à Loterj foi de R$ 7,3 milhões.

Entre janeiro e agosto de 2026, os documentos indicam receitas de R$ 13,6 milhões para a RioPag e de R$ 4,9 milhões para a autarquia estadual.

A RioPag é responsável por processar a entrada de dinheiro nas contas dos apostadores e operações de saída, como saques e pagamentos de prêmios, nas casas de apostas credenciadas pela Loterj.

O contrato original estabelecia cobrança de 2,5% sobre depósitos e de 1% sobre saques. Um aditivo firmado em setembro de 2024 alterou as condições e estabeleceu taxas entre 1% e 2,5% nos depósitos e entre 0,5% e 1% nas saídas, permitindo à RioPag definir os percentuais aplicados a cada operador de acordo com o volume transacionado.

Ligação com Willer Tomaz

A única acionista da RioPag é a Capital Pretium, representada por Lídia Maria Figueiredo Mazelli. Segundo o levantamento publicado pelo UOL, ela foi funcionária de Willer Tomaz e aparece ou apareceu na administração de empresas ligadas ao advogado.

Tomaz, por sua vez, nega ser sócio ou gestor da RioPag e afirma que sua relação com a companhia ocorre exclusivamente na condição de advogado.

“Não é sócio da RioPag nem integra sua direção. Sua atuação junto à empresa se dá no exercício da advocacia, função que não deve ser confundida com a de gestor ou proprietário.”

Willer Tomaz mantém relação de proximidade com Flávio Bolsonaro e já foi chamado publicamente de “amigo” pelo senador. A relação entre os dois, no entanto, não significa participação de Flávio na RioPag, e não há, nas informações apresentadas, indicação de que o senador seja sócio ou administrador da empresa.

Loterj acusa empresa de reter R$ 20,9 milhões

A relação entre a RioPag e a Loterj também é alvo de uma disputa administrativa e judicial. A atual gestão da autarquia acusa a empresa de ter retido R$ 20,9 milhões que, segundo o governo fluminense, deveriam ter sido repassados ao estado.

Em 22 de setembro, a Loterj decidiu rescindir unilateralmente o contrato. Documentos do processo também mencionam multa de R$ 4,8 milhões e cobrança de R$ 9,4 milhões contra a companhia.

A RioPag contestou o procedimento e conseguiu uma decisão liminar três dias depois. A Justiça suspendeu o encerramento do contrato e as penalidades enquanto a controvérsia é analisada.

A decisão não concluiu se houve descumprimento contratual nem definiu se a empresa poderia ou não reter os valores questionados. Com a liminar, a RioPag continua prestando o serviço.

Empresa questiona cobranças

A Loterj também solicitou à RioPag uma tabela progressiva com as taxas cobradas das operadoras de apostas e os critérios utilizados para estabelecer os percentuais.

A empresa respondeu que o contrato não determinava a existência de uma tabela única e padronizada e sustentou que o aditivo firmado em 2024 lhe dava a prerrogativa de definir os percentuais conforme o volume de cada operador.

Sobre a disputa com a Loterj, Willer Tomaz afirmou que o caso está judicializado e que não comentaria detalhes por causa do sigilo profissional.

A Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro pretende recorrer da liminar que manteve o contrato em vigor. A controvérsia sobre os valores cobrados e retidos pela RioPag ainda aguarda definição judicial.

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