O artista, arquiteto e curador César Oiticica morreu aos 87 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi comunicada pelo filho, César Oiticica Filho, e por instituições ligadas à trajetória da família. A causa não foi divulgada.
Irmão do artista Hélio Oiticica, César construiu uma trajetória própria nas artes e integrou o Grupo Frente, coletivo que teve papel importante no desenvolvimento da abstração geométrica e do movimento construtivo brasileiro durante a década de 1950.
Além da produção artística e do trabalho como arquiteto, César dedicou quase quatro décadas à preservação e divulgação da obra de Hélio, morto em 1980. Ele também foi diretor do Projeto Hélio Oiticica.
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Trajetória começou ainda na adolescência
Nascido no Rio de Janeiro em 1939, César Oiticica começou a estudar pintura aos 15 anos, em 1954, no Curso Livre de Pintura de Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Em 1957, chegou a substituir temporariamente Ivan Serpa como professor. César também participou da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta.
Entre 1954 e 1956, integrou o Grupo Frente ao lado de artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape e Abraham Palatnik.
Sua produção daquele período esteve ligada à abstração geométrica, com trabalhos marcados pela organização de formas e elementos no espaço.
Arquitetura também marcou carreira
César se afastou durante um período da produção artística para se dedicar à arquitetura. Parte dessa trajetória profissional ocorreu durante os anos em que viveu em Manaus.
A partir da década de 1980, depois da morte de Hélio Oiticica, passou a se dedicar intensamente à preservação e à divulgação da obra do irmão.
Como curador, participou de exposições relacionadas à produção artística da família, entre elas “José Oiticica Filho: Fotografia e Invenção” e “Hélio Oiticica: Penetráveis”, realizadas no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio.
César retomou produção artística
Depois de décadas com a atuação concentrada principalmente na arquitetura, curadoria e preservação do acervo do irmão, César retomou sua produção artística.
Em 2024, trabalhos dessa nova fase foram apresentados na exposição individual “Frente a Frente”, realizada no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
A mostra reuniu pinturas abstratas e esculturas construídas a partir de formas geométricas, retomando elementos presentes na produção desenvolvida pelo artista desde a juventude.
Despedida será no Rio de Janeiro
A cerimônia de despedida de César Oiticica está marcada para esta quinta-feira (1º), no Crematório Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro.
O velório será realizado na Capela 6, das 14h às 17h.
César deixa como legado uma trajetória ligada à arte, à arquitetura e à preservação da memória de Hélio Oiticica, um dos nomes mais importantes da arte brasileira do século 20.