Debate teve Lula fora, Renan barrado e liberado, desistência de Flávio e cancelamento da transmissão

Em pouco mais de 24 horas, último debate antes do primeiro turno passou por decisões do TSE e STF, mudança na lista de participantes e desistências; noite terminou com Lula no Flow e Flávio em live própria
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O último debate presidencial antes do primeiro turno das Eleições 2026 terminou sem sequer começar. Entre a confirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não iria à TV Globo e o cancelamento do programa, uma sequência de decisões judiciais, recursos e desistências mudou repetidamente a lista de candidatos que estariam no palco.

A cronologia envolve duas situações diferentes. De um lado, Romeu Zema (Novo) conseguiu na Justiça o direito de participar do debate. Do outro, Renan Santos (Missão) recebeu inicialmente decisões desfavoráveis, mas acabou incluído poucas horas antes do programa por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Entenda a cronologia do debate da Globo

O debate estava marcado para quinta-feira (1º), às 21h30, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A votação do primeiro turno ocorre neste domingo (4).

A previsão inicial era de participação dos candidatos que atendiam aos critérios estabelecidos para o encontro, mas recursos apresentados à Justiça e decisões tomadas nas últimas horas antes da transmissão alteraram o cenário.

1. Lula decide não participar do debate

A primeira grande mudança ocorreu quando Lula comunicou à Globo que não participaria do encontro.

A decisão foi confirmada na quarta-feira (30), véspera do debate.

O presidente havia sido convidado pela emissora, mas decidiu trocar o confronto televisivo por uma entrevista ao Flow Podcast, marcada para começar às 20h45 de quinta-feira.

Pelas regras inicialmente previstas pela Globo, o púlpito destinado a Lula permaneceria vazio e identificado durante o programa.

Também estava prevista uma dinâmica envolvendo os candidatos ausentes.

Com Lula fora, a composição esperada naquele momento tinha Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Renan Santos ainda estava fora.

Lula anunciou com antecedência que não iria ao debate da Globo | Foto: Reprodução

2. Zema consegue participação por decisão do TSE

Romeu Zema também não tinha presença assegurada pela configuração original utilizada pela Globo.

O critério estabelecido pela emissora considerava partidos ou federações que tivessem elegido pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional em 2022.

O Novo recorreu à Justiça Eleitoral e argumentou que deveria ser considerada a bancada atual da legenda.

O partido passou a contar com cinco deputados federais em exercício.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, acolheu o argumento e concedeu uma liminar que garantiu a participação de Zema.

A decisão criou uma comparação imediata com a situação de Renan Santos.

3. Renan Santos recorre ao TSE para entrar no debate

O Missão também procurou a Justiça para garantir a presença de Renan.

A situação jurídica, porém, era diferente.

O partido possui representação inferior ao número exigido pela legislação para que uma emissora seja obrigada a convidar seu candidato para um debate.

A campanha argumentou, entre outros pontos, que Renan havia participado de outras atividades da cobertura eleitoral e questionou sua exclusão enquanto Zema estava autorizado a participar.

Também tentou utilizar a ausência de Lula como argumento para ocupar uma eventual vaga aberta no encontro.

Renan Santos condenou sua exclusão e buscou recurso para participar de debate | Foto: Reprodução

4. Nunes Marques nega pedido de Renan

Na noite de quarta-feira (30), Kassio Nunes Marques negou a liminar apresentada pelo Missão.

O presidente do TSE entendeu que Renan não possuía direito automático de participação pelas regras eleitorais e que caberia à Globo decidir se convidaria candidatos que não alcançassem o requisito de representação parlamentar.

A decisão destacou que a emissora poderia ampliar a lista de participantes, mas não estava obrigada a fazê-lo.

Naquele momento, portanto, o cenário era curioso: Zema estava dentro do debate por decisão judicial, enquanto Renan permanecia fora.

5. Missão também procura o STF e recebe nova decisão desfavorável

A disputa não terminou no TSE.

Renan Santos e o Missão abriram uma segunda frente no Supremo Tribunal Federal por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental.

O processo foi distribuído à ministra Cármen Lúcia.

A ministra também não concedeu a participação pretendida pelo candidato. Com isso, Renan acumulava decisões desfavoráveis no TSE e no STF enquanto a preparação para o debate avançava.

A situação ainda sofreria uma terceira mudança.

6. TSE proíbe Globo de mostrar púlpito vazio de Lula

Enquanto Renan tentava entrar no programa, outra disputa judicial envolvia Lula.

A federação Brasil Pronto para Mais, formada por PT, PCdoB e Rede, questionou no TSE as regras previstas pela Globo para tratar candidatos ausentes.

A ministra Estela Aranha concedeu uma liminar impedindo a emissora de exibir o púlpito vazio e identificado de Lula e de aplicar a dinâmica de perguntas direcionadas ao candidato ausente.

Na avaliação apresentada pela ministra, a exposição poderia criar desequilíbrio ao conferir espaço para referências a um candidato que não estaria presente para participar da dinâmica do debate.

A decisão não obrigou Lula a participar nem determinou o cancelamento do programa. Ela modificou a forma como a ausência seria tratada durante a transmissão.

Estúdio vazio da Rede Globo marca dia caótico | Foto: Reprodução

7. Gilmar Mendes determina entrada de Renan Santos

Pouco depois, surgiu outra decisão que mudou novamente o palco do debate.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que Renan Santos fosse incluído entre os participantes.

Diferentemente da ação apresentada pelo próprio Missão que havia chegado a Cármen Lúcia, o pedido analisado por Gilmar foi apresentado pelo Solidariedade dentro de um processo que já estava sob sua relatoria.

O processo original tratava de outra controvérsia eleitoral.

O Solidariedade pediu que uma decisão anterior fosse estendida à situação de Renan. Gilmar considerou que não seria possível simplesmente fazer essa extensão porque os casos eram diferentes.

Apesar disso, diante da proximidade do debate e do risco de a discussão perder o objeto depois do horário do programa, o ministro concedeu uma medida de urgência para assegurar a presença do candidato.

A decisão mudou pela terceira vez a situação de Renan: depois de ficar fora da lista da Globo e receber decisões desfavoráveis, ele passou a ter autorização judicial para participar.

Gilmar é acusado de interferir no processo eleitoral a favor de Lula | Foto: Reprodução

8. Renan passa de excluído a participante do debate

Com a decisão de Gilmar Mendes, o cenário previsto para o palco passou a reunir Renan Santos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.

Flávio Bolsonaro continuava confirmado naquele momento.

Lula permanecia fora por decisão própria.

Renan, que havia programado inclusive um protesto em frente aos Estúdios Globo contra sua exclusão, passou a se deslocar para tentar participar do encontro.

A mudança ocorreu poucas horas antes do início previsto da transmissão.

9. Flávio Bolsonaro desiste do debate

A composição durou pouco.

Depois das decisões judiciais, Flávio Bolsonaro anunciou nas redes sociais que não iria mais ao debate.

O candidato atribuiu sua desistência especificamente à decisão do TSE envolvendo as regras para a ausência de Lula.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes.”

“Censura” foi a caracterização utilizada por Flávio Bolsonaro. A decisão do TSE não utilizou esse termo.

Até então, Flávio estava confirmado no encontro e havia mantido a participação mesmo depois de Lula informar que não compareceria.

10. Globo cancela o último debate antes do primeiro turno

Com Lula ausente, Flávio fora do encontro e duas decisões judiciais modificando as regras e a composição do programa poucas horas antes da transmissão, a Globo decidiu cancelar o debate.

A emissora afirmou que havia recebido duas notificações que interferiam nas regras previamente acordadas e justificou a decisão pela insegurança jurídica criada às vésperas do programa.

“As sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais.”

A afirmação de “interferência indevida” representa a posição da Globo sobre as decisões.

O cancelamento ocorreu quando parte dos candidatos já estava nos Estúdios Globo. Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado haviam chegado para participar do programa.

Renan Santos também estava a caminho.

11. Renan critica cancelamento quando já estava a caminho

Depois de passar praticamente todo o período anterior tentando conseguir autorização para participar, Renan terminou a noite sem debate.

O candidato afirmou que estava no carro a caminho dos estúdios quando recebeu a informação sobre o cancelamento.

“Oficial, a Rede Globo cancelou o debate. Que caos. Rede Globo, por que você não manteve o debate?”

Renan também criticou a desistência de Flávio e disse que Caiado, Zema e Cury haviam se preparado para participar do encontro.

Renan atacou Lula e Flávio no debate da Band utilizando de humor ácido | Foto: Reprodução

12. Lula mantém entrevista no Flow após cancelamento

O cancelamento da Globo não mudou a agenda de Lula.

O presidente manteve a participação no Flow Podcast, transmitido pelo YouTube na noite de quinta-feira.

Durante aproximadamente 100 minutos, Lula falou sobre a campanha e temas nacionais e também explicou sua decisão de não participar do debate.

O presidente criticou o formato dos confrontos eleitorais e defendeu um modelo no qual os candidatos tenham mais condições de responder às mesmas questões.

A entrevista havia sido planejada antes do cancelamento da Globo. Originalmente, portanto, Lula estaria no Flow enquanto seus adversários participariam simultaneamente do debate.

Com o cancelamento, o podcast passou a ocupar sozinho parte do espaço de atenção que seria dividido com o confronto televisionado.

Lula atingiu pico de visualizações simultâneas de mais de 1,5 milhão no Flow | Foto: Reprodução

13. Flávio Bolsonaro também faz live

Flávio Bolsonaro também decidiu ocupar o espaço digital deixado pelo debate cancelado.

O candidato realizou uma transmissão própria no YouTube ao lado de aliados e candidatos a outros cargos.

Na live, Flávio voltou a criticar as decisões judiciais e repetiu sua avaliação de que houve “censura”. Ele também fez críticas a Lula e pediu voto útil em sua candidatura.

A transmissão teve participação de aliados políticos e candidatos ligados ao PL e a outros partidos.

Diferentemente do que Flávio afirmou durante a live ao dizer que teria sido impedido de participar do debate, não houve decisão judicial proibindo sua presença. O candidato havia sido convidado e estava confirmado, mas anunciou publicamente a própria desistência antes de a Globo cancelar o programa.

Flávio abriu live logo após o cancelamento do debate para repudiar o supremo | Foto: Reprodução

Lula e Flávio terminam a noite disputando audiência no YouTube

O último debate do primeiro turno, portanto, terminou substituído por duas transmissões digitais dos candidatos que originalmente concentrariam parte importante da atenção do programa.

Às 22h40, um recorte de audiência simultânea no YouTube mostrava 1.640.193 espectadores acompanhando Lula pelo canal do Flow e outros 153.683 pelo canal do próprio presidente.

No mesmo horário, a live de Flávio Bolsonaro registrava 534.560 espectadores simultâneos.

Os números representam um retrato daquele horário específico e não a audiência média ou o total de pessoas que assistiram às transmissões.

O resultado da noite foi uma situação incomum: o debate que deveria reunir os candidatos a três dias da votação foi cancelado, enquanto Lula e Flávio, que não estariam no palco, falaram separadamente pela internet.

Como ficou a cronologia do debate da Globo?

A sequência começou com a decisão de Lula de não participar do programa. Zema conseguiu na Justiça o direito de estar no palco. Renan tentou o mesmo caminho, recebeu decisões desfavoráveis, mas acabou autorizado posteriormente por Gilmar Mendes.

Horas antes do encontro, o TSE também modificou as regras sobre a ausência de Lula. Flávio Bolsonaro respondeu anunciando que não compareceria.

Diante das alterações judiciais e da nova composição do encontro, a Globo cancelou a transmissão.

A noite terminou sem debate: Lula participou do Flow Podcast, Flávio Bolsonaro realizou uma live própria, e Caiado, Zema, Cury e Renan ficaram sem o último confronto televisionado antes do primeiro turno.

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