Surto de Ebola no Congo passa de 4 mil mortes e atinge 8,3 mil casos

País registra 8,3 mil casos e 4.018 mortes no maior surto da doença de sua história; conflitos armados e dificuldades de acesso à saúde prejudicam esforços de contenção
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A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 4 mil mortes. O balanço mais recente das autoridades congolesas aponta 8.300 casos e 4.018 óbitos, o que representa uma taxa de letalidade de 48,4%.

Mais de 2,1 mil pessoas conseguiram se recuperar da doença. O atual surto, iniciado em maio, já é considerado o maior e mais letal da história da República Democrática do Congo.

A epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do ebola para a qual ainda não há vacina ou tratamento específico aprovado. Vacinas e terapias candidatas estão em estudo.

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Surto já atingiu sete províncias

O surto começou na província de Ituri, no nordeste do país, e avançou para outras regiões. Atualmente, casos já foram registrados em sete províncias da República Democrática do Congo.

A província de Ubangi do Sul, no noroeste, tornou-se a sétima região atingida depois da identificação de um caso envolvendo um homem que havia viajado do leste do país e morreu em decorrência da doença.

Apesar de autoridades terem identificado sinais de redução da transmissão em algumas áreas de Ituri, o vírus continua se espalhando, principalmente pelo leste do Congo, incluindo a província de Kivu do Norte.

Conflitos dificultam combate ao ebola

A resposta à epidemia enfrenta obstáculos relacionados à situação de segurança em diferentes regiões do país. Confrontos envolvendo grupos armados dificultam o deslocamento de profissionais de saúde e o atendimento às comunidades afetadas.

A Organização Mundial da Saúde também aponta desafios relacionados à detecção rápida dos casos, ao acesso aos serviços de saúde e à necessidade de ampliar o acompanhamento das pessoas que tiveram contato com pacientes infectados.

Nos últimos dias, confrontos em Ituri provocaram novos deslocamentos de moradores e afetaram estruturas utilizadas no enfrentamento da epidemia.

Profissional de saúde foi infectado

A organização Médicos Sem Fronteiras confirmou nesta semana que um de seus profissionais que trabalhava diretamente na resposta ao surto testou positivo para o vírus.

O profissional foi retirado da República Democrática do Congo seguindo protocolos médicos e encaminhado para tratamento na Holanda.

Segundo a organização, mais de 8 mil casos e 4 mil mortes foram registrados desde maio, mas o número real de pessoas infectadas pode ser ainda maior devido às dificuldades de vigilância e detecção em determinadas regiões.

Maior epidemia de ebola da história do Congo

O atual surto superou a epidemia registrada entre 2018 e 2020 e se tornou o maior já enfrentado pela República Democrática do Congo.

Em dimensão global, a crise ainda está abaixo da epidemia que atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016. Naquele período, mais de 28,6 mil casos foram registrados e mais de 11 mil pessoas morreram.

A OMS mantém ações de vigilância, rastreamento de contatos, atendimento clínico, envio de suprimentos e mobilização das comunidades para tentar interromper a transmissão do vírus.

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