As ações da Vale (VALE3) operam em queda nesta segunda-feira (5), na contramão da forte valorização registrada pelo Ibovespa no primeiro pregão após o primeiro turno das Eleições 2026. Por volta das 11h45, os papéis recuavam 2,72%, negociados a R$ 70,14.
O desempenho chama atenção porque ocorre em uma sessão de euforia para boa parte da Bolsa brasileira. Enquanto bancos, Petrobras e outras companhias ligadas ao mercado doméstico registram fortes ganhos, empresas com receitas mais expostas ao dólar aparecem entre as exceções.
No caso da Vale, além do câmbio, o cenário técnico ainda exige cautela. O papel permanece dentro de uma estrutura corretiva e precisa superar resistências importantes para confirmar uma mudança mais consistente de tendência.
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Vale cai mesmo com disparada do Ibovespa
A queda de VALE3 contrasta com o desempenho do principal índice da B3. Nesta segunda, o Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos durante o pregão, em meio à reprecificação dos ativos brasileiros após o resultado do primeiro turno.
A Vale, porém, tem características diferentes de empresas mais ligadas à economia doméstica. A mineradora possui grande parcela das receitas vinculada ao mercado internacional e ao dólar.
Com a moeda norte-americana negociada abaixo de R$ 5 durante a sessão, companhias exportadoras ficaram sob pressão. A valorização do real pode reduzir, quando convertida para a moeda brasileira, a receita obtida em dólares.
VALE3 ainda está dentro de canal de baixa
Do ponto de vista técnico, VALE3 ainda trabalha dentro de um canal de baixa iniciado depois de alcançar a máxima de R$ 89,41.
Na sexta-feira (2), a ação fechou em alta de 2,56%, aos R$ 72,47, interrompendo uma sequência de três semanas negativas. No acumulado de 2026 até aquele pregão, o papel registrava valorização de 3,20%.
Apesar da recuperação, o movimento ainda não foi suficiente para caracterizar uma reversão da tendência.
R$ 77,55 é primeira resistência importante
Para que a recuperação ganhe força, VALE3 precisa superar inicialmente as médias móveis de curto prazo e avançar em direção aos R$ 77,55.
Caso rompa esse patamar, a análise técnica identifica novas resistências em R$ 81,31, R$ 83,35 e R$ 87,58.
Mais acima está a máxima de R$ 89,41, que representa outra região importante no gráfico.
Esses valores são referências técnicas baseadas no comportamento anterior do ativo e não representam garantia de que a ação alcançará esses preços.
Queda abaixo de R$ 68,67 acende alerta
Na direção oposta, R$ 68,67 aparece como um suporte relevante para as ações da Vale.
A perda desse patamar pode aumentar a pressão vendedora e abrir espaço para novos níveis de suporte em R$ 64,11, R$ 58,67, R$ 56,81 e R$ 54,75.
O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos estava em 49,29 pontos na análise, dentro de uma região considerada neutra. Isso significa que o indicador não apontava situação de sobrecompra nem de sobrevenda.
Minério de ferro também entra no radar
Além do cenário doméstico e do câmbio, o desempenho da Vale depende diretamente das perspectivas para o minério de ferro e para a economia chinesa.
O mercado chinês permanece fechado durante o feriado da Golden Week, entre 1º e 7 de outubro, reduzindo as referências recentes de negociação dos contratos futuros de minério no país.
Com isso, investidores acompanham também o comportamento das mineradoras no exterior e aguardam a retomada das negociações chinesas.
Para VALE3, a combinação entre minério de ferro, dólar e rompimento dos níveis técnicos deverá ajudar a determinar se a ação conseguirá abandonar o atual canal de baixa ou voltará a testar os suportes recentes.