O erro de cálculo de Lula que colocou Flávio a um passo do Planalto

O passado não bastou para garantir o futuro de Lula no poder. Com o orçamento das famílias apertado e o eleitor moderado cansado de crises institucionais, o antipetismo se provou maior e exige uma reinvenção urgente da esquerda.
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Lula errou na matemática desta eleição. O presidente e sua base de apoio acreditaram que olhar pelo retrovisor, exaltando a trajetória e as conquistas do passado, seria o suficiente para garantir a vitória. Mas não foi.

A verdade que dói em Brasília é sentida no bolso do brasileiro: a economia não está em frangalhos, mas também não é aquela maravilha de 2006, quando Lula foi reeleito apesar do mensalão. Está tudo “mais ou menos”. A inflação medida pelo IPCA parece controlada, mas o preço no supermercado assusta, as contas apertam. Na vida real, o povo ainda não conseguiu colocar a famosa picanha na mesa do churrasco do fim de semana.

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A saturação da imagem de Lula

Essa quebra de expectativa custou caro. Pautas como soberania nacional e o enfrentamento a Donald Trump, não renderam os votos necessários. Lula, que sempre foi o mestre em dialogar com o trabalhador, hoje parece não conseguir mais falar a língua do povão como antes.  Há um evidente sinal de saturação de sua imagem.

Do outro lado, subestimaram Flávio. Enquanto muitos o viam apenas como um herdeiro político, ele se posicionou como o “novo” na disputa. Com uma leitura afiada do cenário, focou nos temas certos e ocupou o espaço que o governo deixou vazio, o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, não impediram que o senador se torna-se o primeiro colocado no primeiro turno e o favorito a assumir a presidência em 2027.

O fator STF

Mas a eleição não foi decidida apenas na economia. O eleitor médio — aquele que acorda cedo, trabalha, paga imposto e não tem paixões cegas por políticos — tomou sua decisão pautado por um incômodo crescente: a crise no Supremo Tribunal Federal. Para a grande massa, soa como um absurdo o atual protagonismo e as tensões envolvendo o STF. Figuras como Alexandre de Moraes e Flávio Dino estão carimbadas e diretamente associadas a Lula pelo eleitorado comum.

Esse fator STF pesou muito mais na balança do que escândalos de campanha. O “Caso Master”, por exemplo, simplesmente não colou na rua. O cidadão comum se importou mais com a sensação de insegurança institucional do que com as manchetes sobre o caso. O calculo do “menos pior” decidiu por Flávio, em vez de Lula. O resultado nas urnas provou um fato que a esquerda tentou ignorar: hoje, o antipetismo no Brasil é consideravelmente maior e mais enraizado do que o antibolsonarismo.

O fim de uma era?

O recado foi dado. Aos 80 anos, essa deve ser a última eleição de Lula. Com o atual cenário e o domínio da narrativa, dificilmente Flávio perde força a curto e médio prazo.

Para a esquerda, o momento não é de buscar culpados, mas de sobrevivência. É preciso uma renovação profunda, um giro pragmático em direção ao centro.  O problema é que, no cenário nacional, ainda faltam nomes fortes dispostos a assumir essa transição. Nomes com perfil de gestão e menor carga de rejeição polarizada  podem ser um caminho. Mas ainda não há um novo Lula. Ou a esquerda se renova agora, ou continuará pagando a conta de focar no passado enquanto o eleitor já decidiu caminhar para o futuro.

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