O bolso mais apertado das famílias deve aparecer nas compras do Dia das Crianças em Minas Gerais. Lojistas ouvidos pelo setor relatam que os consumidores não deixaram de procurar presentes, mas estão reduzindo o valor gasto por criança e comparando mais os preços antes de fechar a compra.
Na prática, a mudança já aparece no caixa. Laura de Freitas Pinho, sócia da loja Kidverte, afirma que clientes que antes levavam produtos na faixa de R$ 100 passaram a procurar alternativas de R$ 50 ou R$ 60.
“Vejo que caiu bem a perspectiva de consumo dos brinquedos. Temos visto as famílias mais endividadas, mas querendo de alguma forma, não deixar a data passar despercebida”, diz.
Para a empresária, o comportamento acompanha um ano de maior pressão sobre o orçamento doméstico. “Até para a gente que é lojista, a inflação está altíssima, quem dirá para o consumidor que tem filhos pequenos e precisa honrar com tantos contas a pagar”, afirma.
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Mesmo com o tíquete menor, a loja decidiu não reduzir o estoque preparado para a data. Parte da mercadoria pode ser aproveitada posteriormente nas vendas de Natal, o que diminui o risco de produtos encalhados.
Setor ainda espera crescimento
No mercado nacional, a expectativa continua sendo de avanço nas vendas. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) calcula que o Dia das Crianças movimente R$ 9,27 bilhões no varejo brasileiro em 2026. O valor representa alta de 1,8% sobre os R$ 9,11 bilhões registrados no ano passado.
Entre os lojistas especializados em brinquedos, a projeção é mais alta. A Associação de Lojistas de Brinquedos do Brasil (ALBB) estima crescimento de aproximadamente 5% neste ano.
Procurado pela NC News, o diretor executivo da entidade, Marcelo Mouawad, pondera, porém, que parte da alta nominal acompanha a inflação.
O Dia das Crianças está entre as datas mais relevantes para o varejo brasileiro e perde em movimentação para períodos como Natal, Dia das Mães e Black Friday.
Lojas físicas tentam oferecer algo além do produto
Enquanto parte dos consumidores busca preços menores, algumas redes apostam na experiência dentro das lojas para estimular as vendas. É a estratégia da rede Livraria Leitura. A empresa é a maior rede do segmento do país, com boa parcela de suas lojas localizadas no estado mineiro, e espera crescimento neste Dia das Crianças.
“Nós estamos crescendo. E achamos que vai ser assim também no Dia das Crianças, assim como na Black Friday e no Natal. Nas nossas lojas atuais podem avançar cerca de 8% a 10% acima da inflação. Colocando as lojas novas, que iremos abrir até o fim do ano (saltando de 133 para 143 no total) dá mais de dois dígitos”, diz o diretor-presidente da Leitura, Marcus Teles.
A loja tem investido em diferentes setores de produtos, itens exclusivos e atividades voltadas para as famílias nas lojas, além de promoções no e-commerce.