O Conselho Deliberativo do Vasco aprovou na noite desta quarta-feira (07), na sede Náutica da Lagoa, no Rio, a venda de 90% da SAF do clube para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., em um negócio que prevê investimento superior a R$ 2 bilhões e a assunção de todas as dívidas da empresa do futebol.
Venda da SAF: quanto o Vasco vai receber?
O contrato da SAF prevê um aporte mínimo de R$ 500 milhões diretamente no futebol, em parcelas de R$ 100 milhões anuais, além de R$ 150 milhões destinados à infraestrutura do centro de treinamento do time profissional e das categorias de base.
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Somado a isso, a Almirante Participações assume integralmente os ativos esportivos e as dívidas da SAF do Vasco, com obrigação de colocar mais recursos sempre que faltar dinheiro para compromissos como recuperação judicial, dívidas tributárias, fluxo de caixa ou obras de infraestrutura. Só essa parte é estimada em cerca de R$ 1,5 bilhão, o que leva o pacote total da operação a superar a marca de R$ 2 bilhões ao longo do contrato.
A empresa também terá uso exclusivo de São Januário até 2030, pagando R$ 3 milhões por ano pelo estádio e um adicional de R$ 2 milhões anuais caso haja obras no local.
Como foi a votação no Conselho do Vasco
A proposta da Almirante, controlada pelos brasileiros Marcos Lamacchia e Mário Junqueira, passou com larga maioria entre os conselheiros. Dos 204 votos registrados, 175 foram favoráveis, 26 contrários e houve 3 abstenções.
O clima da reunião foi tenso. Em meio a discussões acaloradas, o presidente do clube, Pedrinho, reagiu a uma crítica de um conselheiro e ameaçou levá-lo à Justiça. “Você vai ter que provar na Justiça o que está falando. Você é moleque”, disparou o dirigente.
Apesar do aval do Conselho Deliberativo, a venda ainda não está sacramentada. A etapa final será uma Assembleia Geral Extraordinária, em que os sócios do clube votarão o negócio. A data da assembleia ainda não foi definida.
Regras, travas e garantias do contrato
O modelo aprovado concentra o controle da SAF na Almirante, mas inclui travas e obrigações de investimento. Por dez anos, fica proibida a distribuição de dividendos aos acionistas, o que obriga o reinvestimento dos recursos gerados na operação, principalmente no futebol. No mesmo período, a Almirante não poderá vender sua participação de 90% na SAF.
Para se proteger de um eventual descumprimento dos aportes obrigatórios, o Vasco terá uma procuração que permite executar a dívida tanto contra a Almirante quanto diretamente contra seus sócios. Na prática, o clube ganha instrumentos jurídicos para cobrar judicialmente os valores prometidos se a empresa deixar de investir o que foi combinado.
Do lado esportivo, a entrada de capital cria expectativa de reforços, crescimento do elenco e melhora de desempenho nos campeonatos nacionais, o que mobiliza torcedores que acompanham Vasco estatísticas hoje, que hora que é o jogo do Vasco e onde assistir às partidas, inclusive em clássicos como Botafogo x Vasco.
Entenda o contexto
A aprovação da venda de 90% da SAF marca uma mudança profunda no modelo de gestão do futebol vascaíno. O clube passa a depender de um investidor com controle majoritário e forte poder de decisão, enquanto a associação segue como dona de 10% da SAF e guardiã de símbolos como a camisa, o escudo e a história.
Para parte da torcida e de correntes políticas internas, a entrada da Almirante é vista como oportunidade de recuperação financeira, profissionalização e retomada de protagonismo, incluindo a busca de estrangeiros para reforçar o elenco, nomes como Arambarri, Spineli e outros alvos especulados no noticiário. Para outra ala, a operação reduz a autonomia do clube social e cria uma dependência de longo prazo de um único grupo econômico.
Ministério Público e agência reguladora acompanham negócio
No campo jurídico, a operação já conta com um parecer favorável do Ministério Público para a homologação do leilão da SAF, o que reforça a segurança do modelo escolhido pelo clube para transferir o controle do futebol.
Ao mesmo tempo, o negócio está sob análise da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que abriu investigação para apurar possível conflito de interesse pelo vínculo familiar entre Marcos Lamacchia e a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. O regulamento da agência proíbe que uma mesma pessoa ou grupo tenha controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
Enquanto a apuração segue, a Anresf determinou que Vasco e Palmeiras não possam realizar negócios entre si, o que atinge eventuais acordos de jogadores, empréstimos, patrocínios cruzados ou outras parcerias comerciais entre os dois clubes.
Em nota, a Almirante Participações afirmou que “fará qualquer tipo de adequação que a Anresf determinar enquanto perdurar o mandato de Leila Pereira no Palmeiras”, que vai até dezembro de 2027. Eventuais ajustes societários ou operacionais podem ser exigidos para afastar qualquer suspeita de influência cruzada.
Próximos passos para o futuro do Vasco
Com a aprovação no Conselho Deliberativo, o foco agora se volta para a mobilização política interna até a Assembleia Geral Extraordinária. Grupos favoráveis e contrários à venda prometem intensificar a campanha junto aos sócios, que terão a palavra final sobre a transferência do controle da SAF.
Se os sócios confirmarem o negócio, o desafio do Vasco será acompanhar de perto o cumprimento dos aportes, a execução das obras de infraestrutura e o uso de São Januário, além de garantir transparência e governança na relação com a nova controladora. O desempenho em campo, a capacidade de atrair reforços e a organização do futebol profissional serão o termômetro prático do impacto dessa virada societária para o torcedor.