Douglas Ruas (PL), de 37 anos, está próximo de ser oficializado governador eleito do Rio de Janeiro após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir, nesta quinta-feira (8), anular os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno das eleições de 2026. A decisão, tomada por 5 votos a 2, altera o cálculo dos votos válidos e faz Ruas ultrapassar a marca de 50%, necessária para vencer sem uma segunda votação.
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Ruas construiu sua trajetória política em São Gonçalo, na Região Metropolitana, onde seu pai, Capitão Nelson (PL), é prefeito. Antes de disputar o governo estadual, o deputado ocupou cargos na administração municipal, foi secretário estadual das Cidades e se tornou presidente do Legislativo fluminense.
Com a anulação dos votos de Garotinho, Ruas passa a ter aproximadamente 50,9% dos votos válidos. A confirmação oficial da vitória depende da nova totalização pela Justiça Eleitoral. A decisão também retira a necessidade do segundo turno inicialmente previsto contra Eduardo Paes (PSD), que terminou a votação de 4 de outubro em segundo lugar.
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Quem é Douglas Ruas?
Douglas Ruas dos Santos nasceu em 17 de janeiro de 1989, em São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Aos 37 anos, é formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e possui pós-graduação em Gestão Pública pela mesma instituição.
Antes de ingressar na política, tornou-se servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Ruas é filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo e integrante do PL. A ligação familiar com a política acompanha sua trajetória na administração pública, especialmente no município onde nasceu.
O deputado é casado com Mariana Barbosa e tem um filho chamado Miguel.
Carreira política começou em São Gonçalo
Douglas Ruas iniciou sua atuação na administração pública em 2017, quando assumiu o cargo de subsecretário de Trabalho de São Gonçalo. Permaneceu na função até 2018.
Entre 2019 e 2020, foi superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão responsável por atividades relacionadas à política ambiental do Rio de Janeiro.
Em 2021, assumiu a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, durante a gestão de seu pai.
Na função, participou da organização de projetos municipais e da articulação com órgãos dos governos estadual e federal.
Em 2022, deixou a administração municipal para disputar sua primeira eleição como deputado estadual.
Foi o segundo deputado estadual mais votado em 2022
Na eleição de 2022, Douglas Ruas conquistou 175.977 votos e foi eleito deputado estadual pelo PL.
O resultado representou a segunda maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro naquele ano.
Ruas assumiu o mandato em fevereiro de 2023, mas permaneceu na Alerj por poucos meses antes de receber um convite para integrar o governo estadual.
Em setembro daquele ano, licenciou-se do cargo para assumir a Secretaria de Estado das Cidades, durante a gestão do então governador Cláudio Castro (PL).
Passagem pela Secretaria estadual das Cidades
Douglas Ruas permaneceu à frente da Secretaria das Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026.
A pasta é responsável por projetos relacionados à infraestrutura urbana, incluindo pavimentação, drenagem, recuperação de vias e intervenções em espaços públicos.
Segundo informações divulgadas pela Alerj, durante sua passagem pelo órgão foram realizadas obras em 73 municípios fluminenses, com investimentos superiores a R$ 2 bilhões.
Em março de 2026, Ruas deixou o governo estadual e retornou ao mandato de deputado para participar da disputa eleitoral.
Assumiu a presidência da Alerj em abril de 2026
Após retornar ao Legislativo, Douglas Ruas foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em abril de 2026.
A escolha ocorreu em meio a uma crise de sucessão no governo estadual, provocada pela saída de Cláudio Castro e pela ausência de um vice-governador no exercício do cargo.
Na condição de presidente da Alerj, Ruas passou a integrar a linha sucessória do Executivo estadual.
O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, no exercício do governo enquanto a situação institucional era analisada.
Meses depois, Ruas foi lançado pelo PL como candidato ao Palácio Guanabara.
Disputou o governo com apoio de Flávio Bolsonaro
Na eleição de 2026, Douglas Ruas concorreu ao governo do Rio de Janeiro pela coligação Rio Real, formada por PL, Mobiliza, Agir e Avante.
A candidata a vice-governadora na chapa foi Fernanda Louback, também filiada ao PL.
Ruas recebeu apoio político de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência da República, e de integrantes da legenda no estado.
A candidatura enfrentou Eduardo Paes, do PSD, ex-prefeito da capital fluminense, e outros concorrentes ao governo estadual.
Na apuração inicial do primeiro turno, Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes obteve 3.706.984 votos, ou 42,76%.
O resultado inicialmente indicava a realização de um segundo turno em 25 de outubro, mas a situação mudou com o julgamento dos votos de Anthony Garotinho.
Por que Douglas Ruas deve ser eleito no primeiro turno?
Anthony Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) devido a uma condenação por improbidade administrativa.
Mesmo com a candidatura questionada judicialmente, seu nome permaneceu nas urnas, e ele recebeu 274.411 votos no primeiro turno.
Os votos estavam classificados como anulados sob condição judicial, enquanto o recurso do ex-governador aguardava uma definição.
Após a eleição, Garotinho anunciou a desistência do recurso apresentado ao TSE.
Nesta quinta-feira (8), o tribunal decidiu, por 5 votos a 2, pela anulação definitiva dos votos recebidos pelo ex-governador.
Com a exclusão desses votos do cálculo, Douglas Ruas ultrapassa 50% dos votos válidos, percentual suficiente para encerrar a disputa no primeiro turno.
A nova totalização deverá ser realizada pela Justiça Eleitoral para formalizar o resultado.
O que acontece agora?
A decisão do TSE muda o cenário da eleição para o governo do Rio de Janeiro e afasta a necessidade de uma nova votação entre Douglas Ruas e Eduardo Paes.
Com a nova totalização, Ruas deverá ser proclamado governador eleito para o mandato de 2027 a 2030.
A eleição também marca a passagem do político de um primeiro mandato como deputado estadual para o comando do Executivo fluminense.
Até a formalização do resultado, é necessário distinguir a decisão judicial que determinou a anulação dos votos de Garotinho da proclamação oficial do candidato eleito pelo tribunal regional.