A renúncia que virou o tabuleiro do Amazonas

Saída simultânea de Wilson Lima e Tadeu de Souza reposiciona forças e coloca Roberto Cidade no centro do jogo
Redação NC News
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Nos bastidores, o que parecia improvável virou movimento calculado. Não foi apenas uma renúncia dupla, foi uma mudança de eixo no poder. Diferente de 2017, quando David Almeida assumiu após cassação de chapa, agora houve decisão política, fria, assinada e com efeito imediato sobre o processo eleitoral. O impacto é direto.

Com a saída de Wilson e Tadeu, o comando do Estado passa para Roberto Cidade, que assume com a caneta e com o tempo a seu favor. Cabe a ele convocar a eleição indireta, onde apenas deputados votam, para definir quem conclui o mandato até janeiro do próximo ano. No bastidor, a leitura é clara. Wilson Lima não saiu do jogo, trocou de posição. Ao se colocar como pré-candidato ao Senado pela federação União Progressista, ele altera o eixo da disputa e força aliados e adversários a recalcular rota. É o tipo de movimento que não se improvisa. E há um ponto que poucos estão verbalizando. Para um vice-governador abrir mão do cargo nesse contexto, não existe gesto isolado. Existe composição. Existe entrega e contrapartida.

O preço político de Tadeu de Souza ainda não está totalmente exposto, mas ele existe e vai aparecer. O resultado prático é um só. O tabuleiro que tinha uma lógica até sábado amanheceu com outra completamente diferente. E quem não entender isso rápido vai jogar atrasado.

Coluna — Davidson Cavalcante

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