O câncer de estômago continua sendo um desafio para a saúde pública no Brasil. O diagnóstico tardio e a dificuldade de eliminar a bactéria Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, estão entre os fatores que preocupam especialistas e podem dificultar o combate à doença.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o período de 2026 a 2028 é de 22.530 novos casos de câncer de estômago por ano no país. Dados do Atlas de Mortalidade por Câncer registraram 14.917 mortes pela doença em 2024.
A infecção por H. pylori é um dos principais fatores de risco para o câncer gástrico. No entanto, ter a bactéria não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá um tumor. O risco depende de diferentes fatores, incluindo características da infecção, condições individuais e hábitos de vida.
Material radioativo roubado em SP é encontrado e seria usado no tratamento de câncer
O que é a bactéria H. pylori?
A Helicobacter pylori é uma bactéria que pode colonizar o estômago e provocar inflamação persistente na mucosa gástrica. Em algumas pessoas, a infecção permanece sem sintomas; em outras, pode estar relacionada a gastrite e úlceras.
Quando a infecção persiste por muitos anos, pode provocar alterações na mucosa do estômago e aumentar o risco de determinados tipos de câncer gástrico. A maioria das pessoas infectadas, porém, não desenvolve a doença.
A transmissão está associada principalmente ao contato com a bactéria por vias oral-oral ou fecal-oral. Condições de saneamento inadequadas e dificuldades de acesso à água tratada podem contribuir para sua disseminação.
Por que o tratamento pode ser difícil?
O tratamento da H. pylori costuma combinar antibióticos com medicamentos que reduzem a acidez do estômago. A escolha do esquema depende da avaliação médica, de tratamentos anteriores e de outros fatores clínicos.
Um dos desafios é a resistência bacteriana a determinados antibióticos, que pode reduzir a eficácia do tratamento. Quando a bactéria não é eliminada, o profissional de saúde pode precisar avaliar outras opções terapêuticas.
Por isso, é importante seguir corretamente as orientações médicas e realizar o exame indicado para verificar se a infecção foi eliminada após o tratamento. Não é recomendado usar antibióticos por conta própria.
Por que o câncer de estômago é descoberto tarde?
Um dos obstáculos ao diagnóstico precoce é que o câncer de estômago pode não provocar sinais específicos nas fases iniciais. Quando aparecem, alguns sintomas podem ser confundidos com problemas digestivos comuns.
Entre os sinais que merecem avaliação médica estão dor ou desconforto persistente na parte superior do abdômen, perda de apetite, emagrecimento sem explicação, sensação de estômago cheio após pequenas refeições e indigestão que não melhora.
Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados, especialmente quando persistem ou pioram. Vômitos com sangue, fezes negras ou sinais de sangramento digestivo exigem atendimento médico imediato.
Como é feito o diagnóstico?
A endoscopia digestiva alta é o principal exame utilizado para investigar o câncer de estômago. O procedimento permite observar o revestimento do órgão e, quando necessário, coletar amostras de tecido para biópsia.
Já a infecção por H. pylori pode ser investigada por diferentes métodos, incluindo testes respiratórios, exames de fezes e análises realizadas durante a endoscopia. O método mais adequado depende da situação clínica e da avaliação profissional.
O INCA informa que não há evidências suficientes para recomendar o rastreamento populacional do câncer de estômago em pessoas sem sintomas. A investigação de sinais suspeitos e a avaliação de pessoas com fatores de risco devem ser individualizadas.
Quais fatores aumentam o risco?
Além da infecção por H. pylori, outros fatores estão associados ao câncer de estômago. Entre eles estão o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de peso, a ingestão frequente de alimentos muito salgados ou conservados no sal e o histórico familiar da doença.
Manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e procurar atendimento quando surgirem sintomas persistentes são medidas importantes para cuidar da saúde. Pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de investigação individualizada.
Entenda o contexto
O câncer de estômago é uma doença que pode evoluir sem sintomas claros nas fases iniciais. A infecção por H. pylori é um fator de risco importante, mas não é a única causa, e nem todas as pessoas infectadas desenvolvem câncer.
O enfrentamento da doença depende de acesso ao diagnóstico, tratamento adequado da infecção quando indicado e acompanhamento médico. A identificação de sintomas persistentes e a avaliação dos fatores de risco ajudam a orientar a investigação no momento apropriado.