O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) defendeu nesta segunda-feira (12) que os partidos políticos abram espaço para novas lideranças e não tratem o protagonismo dos jovens como uma ameaça às estruturas tradicionais de poder. A declaração foi feita durante entrevista à GloboNews, um dia após manifestações em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Haddad, que passou a atuar na coordenação da campanha presidencial no segundo turno, afirmou que a mobilização da juventude representa uma oportunidade de renovação política. Para ele, dirigentes partidários e parlamentares com mandatos consolidados precisam aceitar mudanças na forma de participação e organização dos movimentos políticos.
O ex-ministro também comentou as estratégias eleitorais de Lula para enfrentar Flávio Bolsonaro (PL) no dia 25 de outubro e defendeu transparência nas investigações envolvendo o Banco Master, incluindo a apuração de possíveis irregularidades no Poder Judiciário.
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Haddad pede abertura dos partidos para novas lideranças
Ao analisar a participação dos jovens nas mobilizações políticas, Haddad afirmou que os partidos, especialmente os de orientação progressista, precisam criar condições para o surgimento de novos representantes.
“Se os partidos, sobretudo progressistas, tiverem inteligência, eles vão se abrir pra novidade, não vão temer, não deveriam temer perda de protagonismo dos caciques, dos mandatos e tudo mais. Isso deveria permear a sociedade”, declarou.
Segundo o ex-ministro, a ampliação da participação política fora das estruturas partidárias tradicionais pode permitir que pessoas antes afastadas desses espaços passem a ocupar posições de destaque.
Haddad avaliou que a redução da centralização das decisões políticas pode favorecer o aparecimento de lideranças que não encontravam oportunidades nos mecanismos convencionais de representação.
A avaliação ocorre em meio à reorganização da campanha de Lula, que passou a investir na participação de parlamentares recém-eleitos, influenciadores digitais e movimentos ligados à juventude.
Mobilização de jovens ganhou destaque em ato na Paulista
As declarações foram feitas após a manifestação realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo, em apoio à candidatura de Lula.
O evento reuniu apoiadores, lideranças políticas e integrantes de movimentos sociais. A mobilização também contou com a participação de grupos organizados nas redes sociais, incluindo comunidades de fãs conhecidas como fandoms.
Entre os participantes estavam o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e parlamentares eleitos, como Luna Zarattini (PT), Erika Hilton (PSol) e Guilherme Cortez (PSol).
A manifestação teve entre seus temas a defesa da democracia e a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Outra atividade política está prevista para terça-feira (13), no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista.
Ex-ministro defende diálogo sobre o futuro no segundo turno
Durante a entrevista, Haddad também comentou o resultado do primeiro turno presidencial, no qual Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
O ex-ministro afirmou que a apresentação das realizações de um governo não é suficiente, por si só, para conquistar o eleitorado. Na avaliação dele, a campanha precisa discutir propostas e perspectivas para os próximos anos.
“O presidente Lula levou uma vantagem tremenda sobre qualquer antecessor. Mas isso hoje não é a garantia de êxito numa eleição.”
Haddad defendeu que o diálogo com os eleitores inclua o projeto político apresentado para o futuro, e não apenas comparações entre resultados de diferentes administrações.
A avaliação está alinhada às mudanças adotadas pela campanha presidencial, que passou a ampliar a produção de vídeos para redes sociais e a participação de jovens parlamentares em atividades públicas.
Haddad cobra transparência nas investigações sobre o Banco Master
Além da disputa eleitoral, Haddad voltou a comentar as investigações relacionadas ao Banco Master e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas, inclusive quando houver suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário.
“O Judiciário não está acima da lei, pelo contrário. Ele deveria ser o primeiro a dar exemplo de como respeitar as leis.”
O ex-ministro afirmou que considera necessário esclarecer as responsabilidades de todos os envolvidos, caso as investigações identifiquem condutas irregulares.
“Se há magistrados envolvidos com o Banco Master, eu como cidadão digo aqui para você que eu desejo ardentemente que esse país seja passado a limpo.”
As declarações representam a posição de Haddad sobre o caso e não significam comprovação de envolvimento irregular de magistrados.
Durante a campanha ao governo de São Paulo, o petista já havia defendido a retirada de sigilo de parte das investigações relacionadas ao banco.
Haddad reforça campanha de Lula em São Paulo
Após a derrota na disputa pelo governo paulista, Haddad passou a integrar os esforços de organização da campanha de Lula no segundo turno.
O ex-ministro atua na articulação política em São Paulo, estado que concentra o maior eleitorado do país e onde Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente do presidente.
A campanha também incorporou profissionais que trabalharam na candidatura de Haddad ao governo estadual, incluindo o publicitário Otávio Antunes, que passou a colaborar com a comunicação presidencial.
Entre as prioridades estão a ampliação da presença nas redes sociais, a realização de atividades públicas e o contato com eleitores que não participaram da primeira votação.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro seguem organizando agendas e apresentando propostas aos eleitores.