Morre aos 60 anos Netinho, um dos principais nomes do axé music

Cantor baiano enfrentava câncer do sistema linfático havia mais de um ano e morreu nesta terça-feira (13), em Salvador
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Netinho, um dos principais nomes da história do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O cantor enfrentava um câncer do sistema linfático havia mais de um ano. Ainda não há detalhes sobre velório e sepultamento.

O artista revelou o diagnóstico em março de 2025, depois de ser internado com fortes dores nas pernas. Desde então, compartilhou com os fãs pelas redes sociais diferentes etapas do tratamento contra a doença.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho se mudou com a família para Salvador aos 10 anos e construiu na capital baiana uma carreira que o transformou em um dos grandes nomes do axé. O sucesso nacional veio ainda nos anos 1980, e a música “Mila”, lançada em 1996, se tornou um dos maiores símbolos de sua trajetória.

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Netinho começou cedo na música

A relação de Netinho com a música começou ainda na adolescência. Aos 14 anos, ele ganhou o primeiro violão da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador, mas conciliava os estudos com apresentações em escolas e, posteriormente, em bares.

O contato profissional com o Carnaval de Salvador aconteceu em 1988, quando Netinho estreou como cantor da Banda Beijo. No mesmo ano, alcançou projeção nacional com “Beijo na Boca”.

A música abriu caminho para outros sucessos, entre eles “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”.

“Mila” virou símbolo do axé

Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo. Três anos depois, lançou “Mila”, música que se tornou um dos maiores sucessos do axé music e ajudou a consolidar o cantor nacionalmente.

A carreira ultrapassou as fronteiras do Brasil. Netinho realizou apresentações em países como Itália e Chile e ajudou a levar o ritmo baiano para públicos internacionais.

Além da carreira como cantor, ele também atuou como empresário. No Rio de Janeiro, criou um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.

O músico também criou um selo voltado ao lançamento de novos artistas baianos.

Doença mudou a rotina do cantor

Netinho anunciou o diagnóstico de câncer do sistema linfático em 22 de março de 2025. Na ocasião, havia sido internado em um hospital de Salvador após sentir fortes dores nas pernas.

Ao longo do tratamento, o cantor compartilhou registros do processo com os seguidores. Em um dos momentos mais marcantes, raspou o cabelo durante o tratamento.

A doença acabou interrompendo parte das atividades do artista, que passou a concentrar a rotina nos cuidados médicos.

Antes do câncer, cantor já havia enfrentado problemas de saúde

A trajetória de Netinho também foi marcada por um grave problema de saúde em 2013. Naquele ano, o cantor sofreu três acidentes vasculares cerebrais.

As consequências incluíram problemas de saúde que afetaram sua voz, principal instrumento de trabalho. Por causa do quadro, ele ficou quatro anos afastado das apresentações no Carnaval de Salvador.

A recuperação permitiu que o artista retomasse gradualmente a carreira e voltasse aos palcos.

Carreira também teve passagem pela política

Além da música, Netinho teve uma breve passagem pela política. Nas eleições de 2022, ele se candidatou a deputado federal pelo PL, mas não conseguiu se eleger.

O cantor recebeu cerca de 31 mil votos e ficou na condição de suplente da legenda, conforme os registros eleitorais.

Netinho também declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e participou de atos políticos durante o governo. O posicionamento provocou críticas ao artista na época.

Vida pessoal

Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Os dois tiveram uma filha, Bruna Trindade.

O cantor também falou publicamente sobre sua sexualidade ao longo da carreira. Em 2010, declarou ser bissexual. Dois anos depois, durante participação no programa Fantástico, afirmou que preferia não prolongar o assunto.

“Eu acho cafona ficar falando sobre isso. Não tem muito sentido.”

Um dos rostos marcantes do axé

A trajetória de Netinho se confunde com a consolidação do axé music como um dos principais movimentos da música brasileira a partir do fim dos anos 1980 e durante a década de 1990.

Com sucessos que atravessaram gerações, o cantor ajudou a popularizar o Carnaval de Salvador e levou a música baiana para diferentes partes do país e do exterior.

A morte, nesta terça-feira, encerra uma trajetória de quatro décadas na música, marcada por grandes sucessos, períodos de afastamento dos palcos, projetos empresariais e também uma passagem pela política.

Até a última atualização, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre os horários e locais do velório e do sepultamento do cantor.

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