Dolar sobe após fim da escala 6×1 e empate entre Lula e Flávio

Moeda americana avança nesta quinta-feira (15) enquanto investidores avaliam pesquisa eleitoral, mudanças na jornada de trabalho e indicadores econômicos.
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O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (15) e ultrapassou a marca de R$ 5,05, em meio à cautela dos investidores com a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Às 9h49, a moeda americana registrava valorização de 0,45%, cotada a R$ 5,053.

O movimento ocorre após a divulgação de uma pesquisa Quaest que aponta empate técnico entre os candidatos no segundo turno das eleições de 2026. O mercado financeiro também acompanha os possíveis impactos econômicos da aprovação, pelo Senado, da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Além das questões políticas, indicadores econômicos brasileiros e americanos influenciam as negociações. Na quarta-feira (14), o dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,030, com alta de 0,14%, enquanto o Ibovespa recuou 0,18%, aos 206.505 pontos.

Que horas sai a pesquisa Datafolha de hoje?

Empate entre Lula e Flávio Bolsonaro aumenta cautela no mercado

A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14) mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados.

Na última pesquisa Quest apresentou os números 46% Flávio Bolsonaro e 44% de Lula.

O resultado trouxe novas incertezas para investidores que acompanham as propostas econômicas dos dois candidatos. Após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o mercado havia registrado valorização da Bolsa e queda do dólar, em meio às expectativas de mudanças na condução da política econômica.

Agora, com a disputa presidencial mais acirrada, parte dos investidores adota uma postura cautelosa, especialmente em relação às perspectivas para as contas públicas, os juros e a trajetória da dívida brasileira.

O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro.

Fim da escala 6×1 também influencia o mercado financeiro

Outro fator acompanhado pelos investidores é a aprovação, no Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

O texto estabelece a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A proposta ainda depende das etapas necessárias para sua entrada em vigor.

Embora a mudança represente a ampliação do período de descanso dos trabalhadores, agentes do mercado avaliam os possíveis efeitos sobre os custos operacionais das empresas.

Setores que dependem de funcionamento contínuo ou de grande quantidade de funcionários, como supermercados, comércio e serviços, podem enfrentar a necessidade de reorganizar escalas e contratar trabalhadores adicionais.

Por outro lado, eventuais ganhos de produtividade e melhorias na organização do trabalho podem compensar parte desses custos. Os efeitos dependerão das características de cada atividade econômica.

Inflação nos Estados Unidos e vendas do varejo pressionam expectativas

No cenário internacional, os investidores acompanham os dados de inflação dos Estados Unidos e seus possíveis efeitos sobre as decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

O índice de preços ao consumidor americano avançou 0,6% em setembro, acumulando alta de 3,7% em 12 meses. O resultado anual ficou acima da expectativa de 3,6% dos economistas consultados pela Reuters.

Uma inflação mais persistente pode levar o Fed a manter os juros elevados por mais tempo ou considerar novos aumentos. Taxas mais altas nos Estados Unidos tendem a tornar os investimentos americanos mais atraentes, com possíveis reflexos sobre moedas de países emergentes.

No Brasil, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também ficaram abaixo das expectativas. As vendas do comércio varejista cresceram apenas 0,1% em agosto na comparação com julho.

Em relação ao mesmo mês de 2025, o avanço foi de 0,4%. Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento de 0,7% na comparação mensal e de 1,45% na anual.

Próximos passos

O mercado financeiro deve continuar acompanhando as pesquisas eleitorais, as discussões sobre a redução da jornada de trabalho e os indicadores econômicos dos Estados Unidos.

Uma nova pesquisa Datafolha sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro está prevista para ser divulgada nesta quinta-feira (15), às 18h30, após o encerramento do pregão regular da Bolsa brasileira.

Até lá, as oscilações do dólar e das ações podem refletir tanto as expectativas sobre o resultado eleitoral quanto as avaliações dos investidores sobre o futuro da economia brasileira.

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