A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Mariana de Oliveira Minas, de 42 anos, apontada como suspeita de participar de um esquema de aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes. Ela foi localizada em um abrigo em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, na quarta-feira (14), e era a última investigada do grupo que ainda estava foragida, segundo informações divulgadas pelo g1 em 17 de outubro.
A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de recrutar menores de idade para encontros com investigados e facilitar abusos sexuais. Quatro pessoas foram indiciadas pela
Polícia Civil. O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado pelos investigadores como responsável pelo esquema, está preso desde março de 2026.
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Suspeita foi localizada em abrigo em Itaboraí
Mariana foi encontrada por agentes da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). Segundo as informações publicadas, ela havia trabalhado como empregada doméstica de Cordovil, apontado pela polícia como o principal investigado do caso.
A suspeita é investigada por supostamente atuar no recrutamento de meninas menores de idade e na aproximação delas com os demais envolvidos. A Polícia Civil analisa mensagens e outros elementos para esclarecer a participação atribuída a cada pessoa e identificar possíveis vítimas ainda não reconhecidas na investigação.
Em agosto, meses depois da prisão de Cordovil, uma criança foi levada a uma delegacia de Itaboraí após ser encontrada sozinha em um bar. Segundo o registro mencionado na reportagem, a menina estava com um celular que teria sido dado por Mariana e afirmou não ver a mãe desde o dia anterior. O episódio foi registrado como abandono de incapaz. A relação desse fato com a investigação principal deve ser compreendida nos limites das informações divulgadas pelas autoridades.
Mensagens são usadas para apurar o recrutamento das vítimas
As investigações incluem conversas obtidas pela polícia nas quais os suspeitos discutiriam o contato com adolescentes e a organização de encontros. Em uma das mensagens divulgadas anteriormente, Cordovil teria pedido a Mariana que providenciasse o encontro com uma menina. Na mesma conversa, ela afirmou ter enviado fotografias de duas adolescentes, de 14 e 15 anos.
Segundo os investigadores, o grupo teria usado dinheiro, celulares, lanches e presentes para atrair crianças e adolescentes e facilitar a aproximação. A polícia também apura se a vulnerabilidade social das vítimas foi explorada para obter silêncio ou criar dependência em relação aos envolvidos.
As conversas fazem parte do conjunto de evidências reunidas na investigação. Seu conteúdo deve ser avaliado em conjunto com depoimentos, registros financeiros, materiais apreendidos e outros elementos que possam confirmar ou esclarecer as suspeitas.
Investigação aponta divisão de tarefas entre os envolvidos
De acordo com as informações divulgadas sobre a apuração, os investigadores suspeitam que os participantes desempenhavam funções diferentes. Cordovil é apontado como responsável por organizar encontros e por condutas relacionadas aos abusos e à produção de registros envolvendo as vítimas. Mariana e outras mulheres são suspeitas de atuar no recrutamento, enquanto Luiz Alberto Martins Sobrinho é investigado por aliciamento e por participação nos encontros.
Luiz Alberto, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul do Rio. Outra investigada, Ariane de Oliveira Minas, foi detida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Com a prisão de Mariana, as autoridades localizaram os investigados que, segundo as notícias publicadas, eram alvos de mandados de prisão no caso.
A Polícia Civil atribui aos investigados suspeitas relacionadas a crimes como estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa. Cordovil também responde a acusações relacionadas à produção, ao armazenamento e ao compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil. O enquadramento específico de cada pessoa depende das imputações formalizadas no procedimento.
Polícia encontrou milhares de arquivos durante a investigação
Em etapa anterior da apuração, investigadores informaram ter encontrado mais de 8 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual infantojuvenil em um aparelho atribuído a Cordovil. O material é analisado para esclarecer as condutas investigadas e verificar se existem outras vítimas.
A quantidade de arquivos apreendidos não corresponde necessariamente ao número de vítimas, mas levou os investigadores a considerar a possibilidade de que a dimensão do caso seja maior do que a inicialmente identificada. A polícia e o Ministério Público seguem trabalhando para reunir provas e esclarecer o alcance das suspeitas.
Defesa de investigado afirma que aguarda acesso integral aos autos
A defesa de Cordovil informou anteriormente que ainda não havia tido acesso integral aos autos e que se manifestaria publicamente após analisar o material. A existência de indiciamento ou prisão não equivale a condenação definitiva, e a responsabilidade de cada investigado deverá ser examinada pela Justiça.
Até 17 de outubro, a Polícia Civil continuava analisando as evidências e apurando a participação dos envolvidos. A prisão de Mariana representa uma nova etapa do caso, mas não encerra as investigações sobre as vítimas, os fatos denunciados e a responsabilidade criminal dos suspeitos.