Trump diz que França está “em chamas” e culpa imigração por onda de protestos

Presidente dos Estados Unidos defendeu o fechamento das fronteiras francesas após manifestações contra o custo de vida, marcadas por confrontos, saques e milhares de detenções
Redação NC News
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que a França está “em chamas” e responsabilizou a imigração pelos episódios de violência registrados durante uma onda de protestos no país europeu. Em uma publicação na rede social Truth Social, o norte-americano também defendeu o fechamento das fronteiras francesas.

As declarações ocorreram após manifestações contra o aumento do custo de vida, a inflação e a deterioração dos serviços públicos, que reuniram centenas de milhares de pessoas no sábado (17). Em diferentes cidades, grupos entraram em confronto com policiais, incendiaram veículos e saquearam estabelecimentos comerciais.

Apesar de atribuir a crise à imigração, Trump não apresentou evidências que relacionassem a população imigrante à organização dos protestos ou à violência. As mobilizações tiveram como principais reivindicações questões econômicas e sociais, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional.

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O que Donald Trump disse sobre os protestos na França?

Em sua manifestação na Truth Social, Trump descreveu a situação francesa como uma crise provocada pela entrada de estrangeiros e pediu uma mudança na política migratória do país.

“A França está queimando!” Donald Trump, em publicação na Truth Social

O presidente norte-americano afirmou que a imigração teria prejudicado o país e defendeu que as autoridades francesas fechassem as fronteiras e retomassem o controle da situação.

A declaração foi repercutida pelo UOL e ampliou o debate sobre imigração, segurança pública e a crise política enfrentada pelo presidente francês Emmanuel Macron.

Por que a França enfrenta uma onda de protestos?

As manifestações na França começaram em meio ao descontentamento com o alto custo de vida, a perda do poder de compra e problemas nos serviços públicos. O movimento também incorporou reivindicações de estudantes, que protestavam contra as condições das escolas e a falta de professores.

No sábado (17), as mobilizações se espalharam por cidades como Paris, Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo. Segundo estimativas divulgadas por autoridades francesas, pelo menos 550 mil pessoas participaram dos atos. A central sindical CGT apresentou uma estimativa maior, de aproximadamente 800 mil participantes.

Embora grande parte dos manifestantes tenha participado pacificamente, grupos envolvidos em confrontos provocaram incêndios, atacaram estabelecimentos e enfrentaram forças de segurança.

A dimensão das manifestações e dos distúrbios foi detalhada em reportagens da AFP e da Reuters.

Protestos na França deixam milhares de presos e centenas de feridos

A onda de violência provocou uma ampla operação policial. Em balanço divulgado neste domingo (18), o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, informou que mais de 2 mil pessoas haviam sido presas e mais de 600 policiais ficaram feridos, segundo atualização publicada pela Reuters.

Os números superaram um levantamento anterior, que apontava pelo menos 1.800 detenções. As diferenças refletem a atualização dos dados ao longo do dia, à medida que as autoridades contabilizavam novas ocorrências.

Em Paris, policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos envolvidos em confrontos. Carros foram incendiados, vitrines ficaram destruídas e estabelecimentos comerciais sofreram saques.

A Reuters também informou que um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos na capital francesa.

Prefeitura histórica é incendiada e comércio sofre prejuízos

Um dos episódios mais graves ocorreu em Limoges, no centro-oeste da França, onde o prédio histórico da prefeitura foi atingido por um incêndio. O prefeito Guillaume Guérin afirmou que o fogo foi provocado deliberadamente.

O comércio também sofreu prejuízos em diferentes regiões. Em Bordeaux, autoridades locais relataram o saque de até 100 estabelecimentos. A rede Carrefour informou que 50 de suas lojas foram danificadas, incluindo 20 que sofreram saques.

O governo francês anunciou medidas de apoio aos comerciantes afetados e prometeu responsabilizar os envolvidos nas depredações.

Macron enfrenta pressão política após violência nas ruas

A crise ampliou a pressão sobre o presidente francês, Emmanuel Macron, que já enfrentava insatisfação popular relacionada à economia e aos serviços públicos.

O governo atribuiu parte dos confrontos a grupos de extrema esquerda e a criminosos envolvidos nos saques. Já representantes da esquerda francesa condenaram os episódios de violência, mas defenderam a legitimidade das manifestações contra o custo de vida.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também condenou os ataques, enquanto o governo preparava medidas para reparar os danos registrados em diferentes cidades.

Macron tinha um pronunciamento à nação previsto para a noite deste domingo, em meio à cobrança por respostas sobre a segurança pública e a situação econômica.

Crise pode influenciar debate político antes das eleições de 2027

Os protestos ocorrem em um momento de crescente disputa política na França, que terá eleições presidenciais em 2027.

O líder do partido Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, criticou a atuação do governo e pediu a renúncia de Macron. A legenda, associada à direita nacionalista francesa, mantém a imigração e a segurança entre seus principais temas políticos.

Já setores da esquerda afirmam que as manifestações refletem problemas sociais e econômicos que não podem ser reduzidos aos episódios de violência registrados durante os atos.

Imigração provocou os protestos na França?

Não há evidências apresentadas por Trump de que a imigração tenha sido a causa dos protestos. As manifestações foram convocadas por movimentos sociais e sindicatos em torno de reivindicações relacionadas à inflação, ao custo de vida e aos serviços públicos.

A participação de grupos violentos e a ocorrência de saques são investigadas pelas autoridades francesas. Esses episódios, porém, não demonstram por si só uma relação causal entre imigração e a mobilização nacional.

A fala de Trump reforça uma posição recorrente de sua atuação política: a defesa de controles migratórios mais rígidos e de restrições à entrada de estrangeiros.

Enquanto a França tenta restabelecer a normalidade após os confrontos, o debate político envolve diferentes interpretações sobre as causas da crise, a atuação das forças de segurança e as medidas econômicas necessárias para responder às reivindicações da população.

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