Reta final sem confronto de ideias. Debate sem debate deixa o eleitor indeciso sem resposta. Com uma disputa apertada nas pesquisas e a rua mobilizada, o segundo turno entra na fase em que cada detalhe de estratégia pesa mais que o argumento.
Existe um tipo de debate em que o vencedor é quem consegue impedir que o outro cresça. O da Band se aproximou disso. A pergunta que fica é quem saiu mais perto do objetivo.
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Entenda o que aconteceu
Para Flávio Bolsonaro, o formato disperso e de ataques curtos cumpre uma função: preserva a vantagem registrada em pesquisas e evita a exposição de uma disputa de ideias com um adversário experiente. Para Lula, aceitar esse ritmo foi uma concessão que o coloca onde o adversário quer. Ambas as escolhas são legítimas, e ambas têm custo.
Quem ficou com a conta foi o eleitor
O eleitor, esse sim, ficou com a conta. Quem esperava comparar propostas encontrou trechos prontos para circular em rede social. Se a política vive de convencer, o debate foi um convite desperdiçado.
A mobilização de rua em torno de Lula
Resta a rua. A mobilização em torno de Lula é real e, na leitura desta coluna, pode ter peso na reta final da disputa. Mas rua não é urna.
A pergunta que decide a eleição
A pergunta que decide a eleição é quem consegue levar às seções eleitorais aquele que não foi no primeiro turno. Na reta final, a única regra segura é a de que nenhuma campanha pode se dar ao luxo de achar que já ganhou.
O debate passou. A responsabilidade de esclarecer o eleitor, essa continua pendente.
Entenda o contexto
O primeiro debate presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi realizado no domingo (18), às 20h, nos estúdios da Band, em São Paulo.
O encontro teve aproximadamente duas horas de duração, com blocos de confronto direto, perguntas de jornalistas e espaço para os candidatos apresentarem propostas e questionarem o adversário.
Lula e Flávio disputam o segundo turno após avançarem na votação de 4 de outubro. O novo confronto nas urnas está marcado para domingo, 25 de outubro.
Na pesquisa PoderData/Aya divulgada na segunda-feira (19), Flávio aparece com 52% dos votos válidos, enquanto Lula registra 48%. O levantamento ouviu 3 mil eleitores entre 16 e 18 de outubro, em 695 municípios, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Outros levantamentos divulgados na mesma data também mostram uma disputa apertada. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Flávio registra 51,1% dos votos válidos e Lula, 48,9%. Já no BTG/Nexus, os percentuais são de 50,3% e 49,7%, respectivamente.
As pesquisas representam as intenções de voto no momento das entrevistas e não antecipam o resultado das urnas.