O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, divulgou informações sigilosas relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes em descontos aplicados a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O procedimento envolve declarações feitas pelo chefe da PF sobre o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesta terça-feira (20), a investigação foi motivada por uma declaração de Andrei em abril de 2025, quando afirmou que o sindicato e Frei Chico não eram investigados pela Polícia Federal. Informações divulgadas posteriormente levantaram questionamentos sobre a precisão da declaração e sobre o possível acesso a dados protegidos por sigilo.

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MPF quer esclarecer declaração do diretor-geral da PF
O procedimento investigatório criminal busca verificar se houve descumprimento de dever funcional por parte de Andrei Rodrigues.
A suspeita surgiu após o diretor-geral afirmar publicamente, em abril de 2025, que o Sindnapi e Frei Chico não eram investigados no âmbito das apurações sobre descontos associativos em benefícios previdenciários.
O conteúdo da declaração passou a ser questionado diante de informações posteriores sobre o alcance das investigações. Uma das questões examinadas é se a manifestação pública poderia ter envolvido a divulgação indevida de informações protegidas por sigilo.
O Ministério Público encaminhou o caso à Justiça Federal e determinou o envio de um ofício ao diretor-geral da PF para que ele apresente esclarecimentos.
A abertura do procedimento não significa que Andrei tenha cometido um crime ou uma infração funcional. A investigação deverá reunir elementos para avaliar a existência de eventual irregularidade.
Andrei Rodrigues não quis comentar investigação
Andrei Rodrigues informou que não comentaria a decisão do Ministério Público Federal.
Até a publicação da reportagem, não havia informação sobre eventual apresentação dos esclarecimentos solicitados pelo MPF ou sobre uma conclusão do procedimento.
A apuração também não estabelece, neste momento, que tenha ocorrido um vazamento de dados sigilosos. Essa é uma das hipóteses que serão examinadas pelas autoridades responsáveis.
Sindnapi movimentou quase R$ 600 milhões em descontos
O Sindnapi está entre as entidades citadas nas investigações sobre descontos associativos realizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo informações do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o sindicato realizou aproximadamente R$ 599,5 milhões em descontos ao longo de dez anos.
Desse total, cerca de R$ 339,5 milhões foram registrados entre 2023 e 2025, período correspondente ao atual governo Lula.
O levantamento também apontou que o Sindnapi estava entre as entidades com maior volume de descontos associados a benefícios previdenciários.
É importante distinguir o volume total descontado pela entidade dos valores eventualmente considerados irregulares. A existência de descontos não significa, por si só, que todos tenham sido fraudulentos.
Justiça determinou bloqueio de R$ 562,4 milhões
Em março de 2026, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 562,4 milhões relacionados ao Sindnapi. A medida também alcançou o presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo.
O bloqueio judicial integra as medidas adotadas no contexto das investigações sobre possíveis irregularidades em descontos previdenciários.
O Sindnapi também registrou uma redução expressiva no número de associados pagantes após a Operação Sem Desconto e a implementação de mecanismos que facilitaram o cancelamento de cobranças.
O número de filiados com pagamentos à entidade teria caído de aproximadamente 317 mil para cerca de 5 mil.
Qual é a situação de Frei Chico no caso?
José Ferreira da Silva, o Frei Chico, é irmão do presidente Lula e possui ligação com o Sindnapi. Seu nome ganhou destaque nas discussões sobre a atuação da entidade e as investigações relacionadas ao INSS.
Apesar de ter sido citado no relatório final da CPMI do INSS, Frei Chico não foi indiciado pela comissão, conforme as informações divulgadas pelo Metrópoles.
A investigação agora conduzida pelo MPF tem como foco a possível conduta irregular do diretor-geral da Polícia Federal ao comentar informações relacionadas à apuração.
O procedimento deverá esclarecer se Andrei Rodrigues descumpriu algum dever funcional e se houve divulgação indevida de informações sigilosas. Ainda não há conclusão sobre essas suspeitas.
