O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) Leandro Grass (PT) prometeu reestruturar a carreira dos professores da rede pública, ampliar gratificações para diretores e gestores e investir na formação continuada dos docentes caso seja eleito. As propostas foram apresentadas nesta quarta-feira (21), durante manifestação da categoria na Praça do Buriti, em Brasília.
Grass afirmou que pretende abrir uma mesa permanente de negociação com os profissionais da educação logo no início de um eventual governo. A iniciativa, segundo ele, deve permitir a discussão das demandas da categoria e a revisão da estrutura das carreiras.
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“Logo no início do meu governo eu vou abrir a mesa permanente de negociação para reestruturar a carreira. A gente vai melhorar as gratificações para os diretores e gestores”, declarou o candidato.
O petista também defendeu investimentos na formação continuada dos professores e a retomada de políticas de educação inclusiva, com atendimento a crianças atípicas, estudantes com altas habilidades e ampliação do programa de educação precoce.
“Quero fazer educação de qualidade, uma educação que esteja à altura do país”, afirmou.
Candidato critica atuação de Celina Leão durante protesto
Durante a manifestação, Grass criticou a governadora Celina Leão (PP), sua adversária no segundo turno da disputa pelo GDF. Ele afirmou que o governo deveria receber representantes do sindicato e negociar as reivindicações dos professores, em vez de reforçar a segurança nas imediações do Palácio do Buriti.
“A governadora tinha que abrir a porta e receber a comissão do sindicato, entender o que está acontecendo, em vez de botar a polícia e grades”, disse.
O ato foi convocado pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) para cobrar diálogo com o governo e contestar mudanças na organização das escolas públicas. Entre as reivindicações estão respeito à autonomia pedagógica, melhorias nas condições de trabalho e avanço nas negociações sobre o calendário escolar de 2027 e o concurso de remanejamento.
Grass afirmou que a função de um governante é ouvir os profissionais da educação.
“O papel de uma governadora ou de um governador é escutar e não atacar a categoria”, acrescentou.
Grass comenta denúncia de perseguição ideológica em escola do Gama
O candidato também se posicionou sobre o caso envolvendo a deputada distrital eleita Estéfane Sampaio (Republicanos), que foi ao Centro Educacional 6 (CED 6), no Gama, após alegar que um estudante de 16 anos sofria perseguição ideológica por se declarar de direita.
A parlamentar pediu a transferência do aluno. O episódio provocou um desentendimento na escola com a participação de outros parlamentares. As alegações de perseguição ainda precisam ser apuradas pelas autoridades responsáveis.
Ao comentar o caso, Grass criticou a interferência de agentes políticos na gestão das unidades de ensino.
“No meu governo nenhum deputado distrital vai ficar intervindo em escola para poder tirar diretor de escola. Temos que parar com essa ingerência partidária”, afirmou.
Em nota, a direção do CED 6 informou que o caso está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A escola também comunicou a abertura de procedimentos administrativos para apurar os fatos e avaliar eventuais responsabilidades.
Professores cobram diálogo e melhores condições de trabalho
Durante o ato na Praça do Buriti, representantes da categoria relataram insatisfação com mudanças no planejamento escolar, problemas estruturais nas unidades de ensino, salas de aula lotadas e questões salariais.
O diretor do Sinpro-DF Samuel Fernandes criticou alterações atribuídas ao secretário de Educação, Thiago Peixoto, e afirmou que as decisões estariam sendo tomadas sem diálogo com os profissionais. Segundo ele, a situação afeta a autonomia das escolas e pode prejudicar o aprendizado dos estudantes.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informou que a adesão à paralisação é facultativa. A pasta também declarou que as aulas eventualmente suspensas serão repostas conforme o calendário escolar, para garantir o cumprimento dos 200 dias letivos.