A expressão “Flávio Bolsonaro esquema pandemia” ganhou destaque nas buscas do Google em meio a uma estratégia de mobilização digital atribuída ao deputado André Janones (Rede-MG). No grupo Exército do Lula, ele orientou participantes a pesquisar o termo e sugeriu que algo aconteceria, mas não concluiu a explicação.
A movimentação ocorre em um contexto de disputa política em torno da pandemia de covid-19 e do legado do governo Jair Bolsonaro (PL), na reta final do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). É importante registrar, desde já: o aumento das buscas não comprova a existência de qualquer esquema envolvendo Flávio Bolsonaro.
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Entenda o que aconteceu
Na mensagem enviada aos integrantes do grupo, Janones pede que pesquisem “Flávio Bolsonaro esquema pandemia” no Google e afirma que eles devem observar o que acontece. Em seguida, começa a explicar a iniciativa, mas interrompe a fala sem esclarecer o objetivo.

A estratégia explora a curiosidade dos usuários e a capacidade de uma mobilização coordenada de ampliar o interesse por determinada expressão. O efeito, em tese, é fazer o termo subir nos mecanismos de busca e chamar a atenção de quem ainda não decidiu o voto — mas a repercussão não torna verdadeira a associação sugerida pela frase.
Nove ex-ministros da Saúde divulgam manifesto pró-Lula
No mesmo dia, nove ex-ministros da Saúde assinaram manifesto em apoio à reeleição de Lula. O manifesto critica a condução da pandemia de covid-19 durante o governo Bolsonaro e alerta para possíveis retrocessos caso Flávio Bolsonaro seja eleito.
O documento é assinado pelo atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além dos seguintes ex-ministros: Nísia Trindade, Gilberto Occhi, Marcelo Castro, Arthur Chioro, José Gomes Temporão, José Agenor, Saraiva Felipe e Humberto Costa.
O texto menciona as mais de 700 mil mortes por covid-19 no Brasil e critica o negacionismo científico, a demora na vacinação e os problemas enfrentados pelos serviços de saúde durante a emergência sanitária.
Os signatários também questionam a substituição de ministros com experiência na área por um militar sem formação em saúde, em referência ao general Eduardo Pazuello, que comandou o Ministério da Saúde entre 2020 e 2021.
Segundo o documento, decisões do governo Bolsonaro enfraqueceram a resposta à pandemia, entre elas a resistência à compra de vacinas, a falta de oxigênio em hospitais e declarações do então presidente que desrespeitaram vítimas da doença.
Manifesto também cita vacinação e Farmácia Popular
As críticas dos ex-ministros não se limitam à pandemia. O documento aponta consequências que, segundo os signatários, persistiram depois da emergência sanitária, como a queda da cobertura vacinal infantil, a perda do certificado de país livre do sarampo e a redução do alcance do Farmácia Popular durante a gestão Bolsonaro. O texto também apresenta a eleição como uma disputa sobre o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas públicas de saúde.
Entenda o contexto
A coincidência de data coloca a pandemia novamente no centro do debate político: de um lado, uma mobilização digital em torno de uma expressão associada a Flávio Bolsonaro; de outro, um manifesto de apoio a Lula que retoma críticas à gestão sanitária do governo de seu pai.
É preciso, porém, distinguir os dois episódios. A proximidade temporal não demonstra que o manifesto tenha sido coordenado com a ação de Janones, nem que a alta das buscas tenha sido causada exclusivamente pela mobilização do deputado.
O Google Trends mostra o interesse de busca por termos ao longo do tempo, mas não comprova acusações nem identifica, por si só, a origem de uma tendência. Para avaliar a estratégia atribuída a Janones, é necessário verificar a evolução das pesquisas e a cronologia das publicações. A reportagem não localizou manifestação de Janones explicando o objetivo da iniciativa, nem da campanha de Flávio Bolsonaro sobre o episódio.