Meta derruba vídeo de MC Cabelinho com críticas a Flávio Bolsonaro
Plataforma retirou do Instagram a chamada de um episódio da série jornalística Revelando e alegou regras eleitorais sobre inteligência artificial; produtores negam o uso da tecnologia.
A Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, removeu um vídeo apresentado pelo cantor MC Cabelinho que fazia críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O conteúdo divulgava um episódio da série jornalística Revelando, intitulado “Flavinho de Papai”, que aborda a trajetória política do senador e suas propostas para o país.
A remoção ocorreu em meio às restrições adotadas pelas plataformas digitais durante as eleições de 2026. A Meta justificou a medida com base nas regras eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial, mas os responsáveis pela produção afirmam que o vídeo não utilizou a tecnologia.
O episódio completo permanece disponível no YouTube. A retirada do material do Instagram ocorre a poucos dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25), quando Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam a Presidência da República.
Vídeo de MC Cabelinho questiona trajetória de Flávio Bolsonaro
O material removido era uma chamada para o episódio “Flavinho de Papai”, apresentado por MC Cabelinho como parte do projeto jornalístico Revelando.
A produção aborda a trajetória política de Flávio Bolsonaro e apresenta críticas a propostas associadas ao candidato, especialmente em áreas como saúde e educação.
Segundo os responsáveis pela série, o episódio foi produzido com base em informações verificadas e utiliza imagens ilustrativas licenciadas. A equipe contesta a justificativa apresentada pela Meta para a retirada do conteúdo.
Os produtores também afirmam que o material tem caráter jornalístico, e não de propaganda eleitoral. A classificação, entretanto, é contestada no contexto das regras de moderação aplicadas pela plataforma durante o período eleitoral.
Meta alega regras sobre inteligência artificial
A justificativa apresentada pela Meta está relacionada às restrições para conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial durante o período eleitoral.
As regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral buscam impedir a circulação de materiais manipulados que utilizem imagens, vozes ou manifestações de candidatos e figuras públicas em situações proibidas pela legislação.
A empresa já informou anteriormente que seus sistemas utilizam sinais técnicos presentes em arquivos digitais para identificar possíveis conteúdos gerados ou modificados com inteligência artificial.
O procedimento tem provocado questionamentos porque ferramentas comuns de edição de vídeo também podem incorporar recursos de inteligência artificial, mesmo quando o material não apresenta manipulações de falas ou imagens de candidatos.
No caso do episódio apresentado por MC Cabelinho, a equipe do Revelando nega que tenha utilizado inteligência artificial na produção.
Projeto já teve perfil removido após episódio sobre Flávio
Esta não é a primeira vez que o projeto Revelando enfrenta restrições nas plataformas da Meta.
Em setembro, o perfil da série no Instagram foi temporariamente retirado do ar após a publicação de um episódio apresentado pelo humorista Fábio Porchat que também mencionava Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, a Meta restaurou a conta depois de uma revisão interna e pediu desculpas pelo transtorno.
O Revelando é uma iniciativa jornalística ligada ao podcast Calma Urgente, desenvolvida em parceria com o ICL, a Mídia Ninja e o coletivo 342 Artes.
A série reúne artistas e comunicadores para apresentar reportagens sobre temas políticos, históricos e sociais.
Meta derruba vídeo de MC Cabelinho com críticas a Flávio Bolsonaro
Remoções de conteúdo provocam reação do Ministério Público
As restrições aplicadas pela Meta durante as eleições de 2026 também passaram a ser questionadas pelo Ministério Público Federal (MPF).
Na quarta-feira (21), o órgão recomendou que a empresa adotasse medidas urgentes para evitar remoções de publicações e suspensões de contas sem justificativa jurídica ou contratual específica.
Segundo o MPF, a Meta informou ter bloqueado automaticamente 206.910 conteúdos entre os dias 1º e 5 de outubro, com base em critérios relacionados ao período eleitoral e à identificação de possíveis sinais de inteligência artificial.
O Ministério Público considera que parte das medidas foi aplicada sem explicações individualizadas suficientes e pediu maior transparência, além de revisão humana de decisões automatizadas.
A recomendação também cobra que as regras sejam aplicadas de forma igualitária, independentemente da orientação política dos responsáveis pelas publicações.
Meta enfrenta críticas por falhas na moderação eleitoral
O Comitê de Supervisão da própria Meta também apontou problemas recorrentes na moderação de conteúdos políticos no Brasil e em outros países.
Entre as preocupações estão a retirada indevida de publicações, a suspensão de perfis e a falta de clareza sobre os critérios utilizados pelos sistemas automatizados.
A Meta afirma que busca cumprir as determinações da Justiça Eleitoral e nega favorecer candidatos ou grupos políticos.
A empresa também reconhece a possibilidade de falhas técnicas e informa que realiza revisões para corrigir bloqueios considerados indevidos.
Até o momento, não há confirmação de que a remoção do vídeo apresentado por MC Cabelinho tenha sido revertida.