Reino Unido orienta população a estocar comida e água para 72 horas de emergência

Governo britânico lança campanha de preparação para interrupções de energia, água e internet diante de riscos climáticos e digitais; orientação não indica ameaça iminente.
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O governo do Reino Unido orientou a população a manter reservas de água, alimentos e outros produtos essenciais suficientes para enfrentar 72 horas de emergência. A recomendação faz parte da campanha nacional Be Ready (“Esteja preparado”), apresentada na quinta-feira (22), para reduzir os impactos de possíveis interrupções no fornecimento de energia elétrica, água, telefonia e internet.

A iniciativa ocorre em um cenário de preocupação com eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos e falhas em serviços essenciais. As autoridades britânicas, no entanto, ressaltam que a preparação é preventiva e não significa que exista uma emergência nacional iminente. O objetivo é permitir que as famílias consigam atender às próprias necessidades básicas durante os primeiros três dias de uma eventual crise.

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Por que o Reino Unido está pedindo estoques de emergência?

A nova campanha foi anunciada após episódios de condições meteorológicas extremas, incluindo tempestades, períodos de calor intenso, seca e incêndios florestais. Esses acontecimentos demonstraram como situações inesperadas podem comprometer serviços utilizados diariamente pela população.

Além dos riscos climáticos, o governo também considera a possibilidade de interrupções provocadas por incidentes de segurança digital. Uma vulnerabilidade relacionada à linguagem de programação PHP, divulgada nesta semana, colocou empresas e órgãos públicos em alerta e reforçou a discussão sobre a proteção de sistemas essenciais.

A campanha terá duração de três anos e pretende incentivar a preparação doméstica por meio de medidas simples, algumas delas gratuitas.

O governo britânico afirma que famílias mais preparadas podem reduzir a pressão sobre os serviços de emergência, permitindo que as equipes de socorro priorizem pessoas em situações de maior vulnerabilidade.

O que os britânicos devem guardar em casa?

A principal orientação é manter alimentos não perecíveis e água potável em quantidade suficiente para três dias.

Entre os itens recomendados estão:

  • Água potável: aproximadamente 2,5 a 3 litros por pessoa por dia, além do necessário para higiene e preparo de alimentos;
  • Alimentos não perecíveis: enlatados, frutas secas, castanhas e outros produtos que possam ser consumidos sem refrigeração ou cozimento;
  • Lanternas e pilhas: para situações de interrupção no fornecimento de energia;
  • Carregadores portáteis: para manter celulares e outros aparelhos essenciais funcionando;
  • Rádio: para acompanhar orientações oficiais quando a internet estiver indisponível;
  • Medicamentos e primeiros socorros: incluindo remédios de uso contínuo;
  • Produtos de higiene: como álcool em gel, lenços umedecidos e materiais de limpeza pessoal;
  • Dinheiro em espécie: para eventual indisponibilidade de sistemas eletrônicos de pagamento;
  • Documentos e contatos importantes: cópias de documentos e números de telefone anotados em papel;
  • Cobertores e roupas adequadas: para enfrentar períodos sem aquecimento ou energia elétrica.

Famílias com crianças pequenas, idosos, pessoas com deficiência ou animais de estimação também devem adaptar as reservas às necessidades específicas de cada integrante da residência.

Campanha não recomenda compras em excesso

Apesar da orientação para manter suprimentos em casa, as autoridades não recomendam compras em grande quantidade ou formação de estoques desnecessários.

A proposta é que os produtos sejam adquiridos gradualmente, conforme as possibilidades financeiras de cada família.

A Cruz Vermelha Britânica também recomenda que os moradores organizem um plano de emergência, identifiquem os riscos mais prováveis de sua região e mantenham os materiais em locais de fácil acesso.

Outra medida é verificar periodicamente a validade dos alimentos e medicamentos, além de atualizar os itens conforme as necessidades da residência.

Ataques cibernéticos também preocupam autoridades

A possibilidade de ataques contra sistemas digitais é uma das preocupações consideradas pelas autoridades britânicas no planejamento de resposta a emergências.

Incidentes dessa natureza podem afetar plataformas de comunicação, serviços financeiros e estruturas que dependem de sistemas informatizados.

O governo também destaca que os riscos relacionados às mudanças climáticas e às interrupções de infraestrutura exigem maior capacidade de resposta por parte das autoridades e da população.

Isso não significa, entretanto, que o Reino Unido tenha anunciado uma ameaça específica de ataque ou determinado medidas obrigatórias de armazenamento doméstico.

Outros países europeus adotam recomendações semelhantes

O Reino Unido não é o único país europeu a incentivar a preparação doméstica para emergências.

França, Irlanda e Países Baixos já adotam orientações para que os moradores consigam enfrentar pelo menos três dias de interrupção de serviços essenciais.

A recomendação de 72 horas também aparece nas diretrizes de preparação para crises discutidas pela Comissão Europeia.

O governo britânico afirma que considerou experiências internacionais para desenvolver a campanha e aproximar suas práticas de prevenção das adotadas por outros países europeus.

Governo quer priorizar pessoas mais vulneráveis

Além dos estoques domésticos, a campanha incentiva moradores elegíveis a se cadastrarem no Priority Services Register, registro utilizado por empresas de serviços essenciais para identificar consumidores que podem precisar de atendimento prioritário durante interrupções.

O ministro britânico da Segurança, Dan Jarvis, destacou que medidas simples de preparação podem ajudar a reduzir a pressão sobre as equipes de emergência.

A campanha também contará com a participação de organizações comunitárias e entidades assistenciais para ampliar o alcance das orientações, especialmente entre famílias com crianças pequenas e pessoas idosas.

As recomendações oficiais podem ser consultadas no site do governo britânico.

Recomendação é preventiva, não anúncio de crise

Embora o alerta tenha chamado atenção, a orientação não equivale a uma previsão de guerra, colapso dos serviços públicos ou outra emergência imediata.

O governo britânico já publicava recomendações de preparação doméstica desde maio de 2024. A campanha Be Ready atualiza e amplia a comunicação dessas medidas.

A mensagem central das autoridades é que a preparação antecipada pode reduzir os efeitos de situações inesperadas, especialmente quando o acesso à água, à eletricidade e às comunicações fica temporariamente comprometido.

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