A PF indiciou o prefeito de Jaú, Jorge Ivan Cassaro (PSD), e outras 12 pessoas por suspeita de corrupção eleitoral e organização criminosa. A conclusão faz parte do relatório final da Operação Mídia Cativa, que investiga um suposto esquema de pagamentos clandestinos a comunicadores e administradores de páginas digitais para divulgar conteúdos favoráveis à administração municipal e atacar adversários políticos no interior de São Paulo.

Além dos 13 indiciamentos, os investigadores apontaram elementos que, segundo a corporação, poderiam justificar o afastamento cautelar do prefeito. A medida foi sugerida para preservar a investigação e evitar possíveis interferências, mas não representa uma decisão judicial.
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De acordo com o relatório final, a investigação identificou indícios da existência de uma estrutura de comunicação política remunerada que teria atuado para promover a imagem do prefeito e divulgar informações negativas sobre seus adversários.
O esquema investigado envolveria comunicadores, administradores de páginas nas redes sociais, articuladores políticos e pessoas responsáveis por fornecer os recursos financeiros utilizados nos pagamentos.
A Polícia Federal apurou se pessoas físicas e empresas, incluindo aquelas que mantinham relações contratuais com o poder público, teriam financiado clandestinamente as publicações.
Segundo os investigadores, os pagamentos teriam sido intermediados por agentes políticos e direcionados a responsáveis por canais de comunicação locais.
Para chegar às conclusões, a corporação analisou depoimentos, comprovantes de transferências financeiras, mensagens, áudios e informações extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação.
Prefeito e mais 12 pessoas foram indiciados
O relatório final da Polícia Federal resultou no indiciamento de 13 pessoas por suspeitas de corrupção eleitoral e organização criminosa.
Entre os investigados está o prefeito Jorge Ivan Cassaro. Além desses crimes, ele e outras duas pessoas foram indiciados por corrupção passiva.
Outros dois investigados também foram indiciados por corrupção ativa, conforme as conclusões apresentadas pela corporação.
O indiciamento representa a avaliação formal da autoridade policial sobre a existência de indícios de participação nos crimes investigados. A medida não equivale a uma condenação.
Polícia Federal sugere afastamento do prefeito
No documento, a Polícia Federal também apontou a possibilidade de afastamento cautelar de Ivan Cassaro do comando da Prefeitura de Jaú.
Segundo os investigadores, a providência poderia contribuir para evitar interferências na apuração e assegurar a efetividade de eventuais medidas judiciais.
A sugestão apresentada pela PF não determina automaticamente a saída do prefeito do cargo. Uma eventual decisão de afastamento depende da análise da Justiça.
Operação Mídia Cativa cumpriu 13 mandados em maio
A Operação Mídia Cativa foi deflagrada em maio de 2026, quando agentes da Polícia Federal cumpriram 13 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
As diligências ocorreram nos municípios de Jaú, Dois Córregos e Nhandeara, todos no interior paulista.
Entre os locais investigados estava a residência do prefeito. Documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos para análise.
A investigação teve como foco a suspeita de compra de conteúdos jornalísticos favoráveis à administração municipal e contrários à oposição, mediante pagamentos que não teriam sido declarados regularmente.
O que diz o prefeito de Jaú?
Procurado para comentar a conclusão do inquérito, o prefeito Ivan Cassaro informou, por meio de nota, que suas manifestações serão apresentadas no processo judicial.
“Considerando que trata-se de um processo judicial em andamento, neste momento, todas as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial”, declarou.
A Polícia Federal informou que não comenta informações relativas a possíveis investigações em andamento.
Já a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo declarou que ainda não havia recebido o inquérito policial relatado.
Com a conclusão da investigação policial, caberá às autoridades competentes analisar o material e decidir sobre as providências legais. Todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.