PF abre inquérito para investigar falta de ônibus no segundo turno das eleições

Polícia Federal vai apurar denúncias de problemas no transporte público que dificultaram o deslocamento de eleitores neste domingo (25); investigação foi anunciada durante coletiva
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A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar denúncias de falta de ônibus e possíveis irregularidades no transporte público durante o segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25). A investigação busca esclarecer se houve redução intencional da oferta de veículos para dificultar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

A abertura do inquérito foi anunciada pelo diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) da PF, Dennis Cali, durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN). Segundo ele, o procedimento foi instaurado em Sergipe, enquanto outras apurações estão em andamento em estados que também registraram problemas no transporte.

As denúncias envolvem ocorrências em São Paulo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Piauí, Pará e Rio de Janeiro. A PF pretende verificar se as dificuldades foram provocadas por falhas operacionais ou por ações deliberadas para prejudicar o exercício do voto. Até o momento, a abertura da investigação não representa a comprovação de crime ou a identificação de responsáveis.

OEA acompanha denúncias de falta de ônibus durante o segundo turno das eleições

Polícia Federal investiga possível tentativa de dificultar o voto

De acordo com Dennis Cali, a Polícia Federal já iniciou diligências para esclarecer as circunstâncias dos problemas relatados. Entre as medidas estão depoimentos de pessoas envolvidas no fornecimento de transporte público e o cumprimento de decisões judiciais relacionadas ao serviço.

“Temos um inquérito policial também instaurado e a polícia está realizando oitivas, tanto das pessoas ali envolvidas, quanto tomando algumas medidas também, cumprindo as decisões judiciais”, afirmou.

A investigação considera a possibilidade de embaraço ao exercício do voto, situação em que uma ação impede ou dificulta o comparecimento de eleitores às urnas.

Os investigadores também apuram suspeitas de ocultação ou redução deliberada de meios de transporte. O objetivo é identificar se houve descumprimento de determinações da Justiça Eleitoral e se eventuais irregularidades tiveram intenção de prejudicar a participação dos cidadãos na votação.

A Polícia Federal ainda não apresentou conclusões sobre as responsabilidades pelos problemas registrados.

Polícia Federal abriu inquérito para apurar possíveis irregularidades no transporte de eleitores durante o segundo turno.

Sete estados tiveram relatos de problemas no transporte

Informações reunidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e por tribunais eleitorais apontaram dificuldades na circulação de ônibus em diferentes regiões do país.

Os relatos envolveram os estados de São Paulo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Piauí, Pará e Rio de Janeiro.

Entre as reclamações apresentadas por eleitores estavam longos períodos de espera, redução da quantidade de veículos em circulação e dificuldades para chegar às seções eleitorais dentro do horário estabelecido.

A situação provocou questionamentos sobre o cumprimento das regras que determinam a oferta de transporte coletivo durante as eleições.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia orientado os tribunais regionais a acompanhar a disponibilidade do serviço e comunicar possíveis irregularidades às autoridades responsáveis.

A medida busca garantir que dificuldades de mobilidade não impeçam os eleitores de exercer o direito ao voto.

 

Falta de ônibus em São Paulo provocou denúncias e cobranças

Na capital paulista, a quantidade de ônibus em circulação se tornou motivo de questionamentos durante o segundo turno.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou que o transporte municipal operasse com programação equivalente à dos dias úteis, em vez da frota reduzida normalmente utilizada aos domingos.

Apesar da determinação, passageiros relataram atrasos e longas esperas em terminais e pontos de ônibus de diferentes regiões da cidade.

Representantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciaram que a frota estaria operando com aproximadamente 40% menos veículos do que o previsto na determinação judicial.

A informação apresentada pela campanha ainda depende de verificação pelas autoridades competentes.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), negou que a oferta de ônibus estivesse abaixo da demanda e afirmou que a cidade disponibilizou transporte suficiente para atender os passageiros.

A SPTrans, responsável pela gestão do transporte municipal, informou que recebeu a determinação judicial com prazo reduzido para reorganizar a operação.

Segundo a empresa, a necessidade de alterar escalas de motoristas e a programação dos veículos em poucas horas criou dificuldades operacionais para o cumprimento integral da medida.

A divergência entre as denúncias e as explicações da administração municipal integra o contexto das apurações sobre a disponibilidade de transporte durante a votação.

Problemas na oferta de ônibus durante o segundo turno motivaram denúncias e pedidos de investigação.

Problemas levaram à prorrogação do horário de votação

As dificuldades relatadas no transporte público também motivaram pedidos de ampliação do horário de votação.

No fim da tarde deste domingo, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h, no horário de Brasília.

Posteriormente, o ministro esclareceu que a medida se aplicava às urnas que ainda não haviam sido fechadas, sem determinar a reabertura automática de equipamentos cujo processo de votação já estivesse encerrado.

A decisão foi tomada em meio a solicitações relacionadas aos problemas de deslocamento dos eleitores, incluindo dificuldades no transporte coletivo e situações provocadas por chuvas intensas em diferentes municípios.

A extensão do horário buscou permitir que eleitores afetados pelas dificuldades tivessem mais tempo para comparecer às seções que permaneciam abertas.

 

Próximos passos

A Polícia Federal deverá dar continuidade à coleta de depoimentos, à análise de documentos e à verificação das circunstâncias que levaram à redução ou à interrupção do transporte público nas localidades investigadas.

A apuração poderá identificar eventuais descumprimentos de ordens judiciais e esclarecer se houve intenção de impedir ou dificultar o exercício do voto.

Caso sejam encontrados indícios de crimes, os elementos reunidos poderão ser encaminhados às autoridades competentes para as providências legais.

Até a conclusão das investigações, não é possível afirmar que os problemas no transporte tenham resultado de uma ação coordenada ou intencional. A PF busca justamente estabelecer as causas das ocorrências e identificar possíveis responsabilidades.

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