Prefeito afastado de Jaú alega perseguição política, mas não esclarece suspeitas investigadas pela PF

A Polícia Federal apura suspeitas de uso de dinheiro público para promover Ivan Cassaro em jornais locais e atacar adversários políticos.
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O prefeito afastado de Jaú, Ivan Cassaro, alegou ser vítima de perseguição política ao ser procurado pelo NC News para falar sobre a Operação Mídia Cativa, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de pagamentos clandestinos a jornalistas e blogueiros da região para divulgar notícias positivas sobre a prefeitura e atacar adversários políticos.

O prefeito e outras 12 pessoas  entre servidores e comunicadores são indiciadas no inquérito por corrupção eleitoral e organização criminosa.

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Em vez de esclarecer os pontos relacionados à investigação, Cassaro afirmou que foi orientado pelo advogado a não prestar declarações. Durante a ligação, o prefeito concentrou sua manifestação em críticas ao que considera uma tentativa de retirá-lo do cargo.

 

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Questionamentos sobre a investigação ficaram sem resposta

A reportagem entrou em contato com Cassaro para esclarecer as suspeitas investigadas pela Polícia Federal e ajudar a população jauense a entender por que a cidade ganhou destaque nas páginas policiais de todo o país. No entanto, o prefeito afastado não respondeu diretamente às perguntas sobre o suposto esquema de pagamentos clandestinos, nem esclareceu os fatos que motivaram o inquérito.

Cassaro defendeu sua trajetória política e questionou a tentativa de afastá-lo da Prefeitura.

“Eu gostaria que tomasse a informação sobre quem sou eu, né? E o que eu faço para a prefeitura, o que eu fiz para a cidade, para “eles” tentarem fazer um trabalho desses, tentarem tirar eu da cadeira aqui”, afirmou (sic).

A defesa do próprio histórico administrativo, porém, não esclarece os questionamentos relacionados à operação atual. As suspeitas investigadas exigem respostas objetivas sobre os fatos apurados pelas autoridades.

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Perguntei se Cassaro atribuía a alegada perseguição a vereadores ou a outros grupos políticos. O prefeito, contudo, não respondeu à pergunta e encerrou o assunto.

“Não, não, vamos parar por aqui. Eu vou guardar seu telefone e informo você certinho”, declarou.

Antes de desligar, o prefeito prometeu apresentar posteriormente um esclarecimento mais amplo à imprensa. Até o encerramento da ligação, entretanto, não forneceu detalhes sobre os pontos levantados pelo NC News.

Além da imprensa e do próprio prefeito, a investigação busca esclarecer a possível participação de políticos da base aliada e outros servidores da administração municipal, entre eles Marco Lucio Cipola, ex-secretário de Assistência Social de Jaú; Norberto Leonelli Neto, secretário de Habitação e Planejamento Urbanístico; Dejair Aparecido Palacio, ex-ocupante de cargos comissionados na prefeitura e proprietário da Dejavans Locadora de Vans; Roberson Donizete Bombonato, ex-candidato a vereador pelo PL; e Patricia Aparecida De Melo, proprietária da Raj Brasil Serviços e Construções Ltda. As duas empresas também são citadas no contexto da investigação.

  Da esquerda para a direita: Roberson Donizete Bombonato, ex-candidato a vereador (PL); Norberto Leonelli Neto, secretário de Habitação e Planejamento Urbanístico; Marco Lucio Cipola, ex-secretário de Assistência Social de Jaú e o       prórpio prefeito, Ivan Cassaro . As imagens de outros dois indiciados não foram encontradas. 

O que precisa ser esclarecido

A Operação Mídia Cativa investiga suspeitas de pagamentos clandestinos para divulgar conteúdos favoráveis à administração municipal e atacar adversários políticos. Caso confirmadas, as práticas levantariam questões graves sobre a relação entre poder público, comunicação e disputa política.

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Diante da investigação, permanecem perguntas importantes sobre o funcionamento do suposto esquema, os envolvidos e a natureza dos pagamentos investigados.

A alegação do prefeito não substitui os esclarecimentos sobre os fatos investigados.

O NC News mantém espaço aberto para que Ivan Cassaro e sua defesa apresentem sua versão sobre os questionamentos feitos pela reportagem.

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