Holanda promete US$ 500 milhões para fundo de florestas criado pelo Brasil após vitória de Lula

Aporte de até R$ 2,5 bilhões será distribuído ao longo de dez anos e pode elevar para US$ 7,8 bilhões os recursos prometidos ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
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O governo dos Países Baixos, conhecido como Holanda, anunciou nesta segunda-feira (26) a intenção de investir até US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). A iniciativa internacional foi idealizada pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais.

O compromisso financeiro será distribuído ao longo de dez anos e está condicionado à estruturação do mecanismo. Com a contribuição anunciada, o volume de recursos prometidos ao fundo chega a US$ 7,8 bilhões, aproximando a iniciativa da meta inicial de US$ 10 bilhões prevista para o fim de 2026.

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O anúncio ocorreu um dia após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, esteve entre os líderes europeus que parabenizaram o presidente brasileiro pela vitória, mas não há confirmação de que o momento escolhido para a divulgação do investimento tenha relação direta com o resultado eleitoral.

Como funciona o fundo de florestas

Lançado durante a COP30, realizada em Belém, em 2025, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre foi concebido para criar um mecanismo permanente de financiamento da conservação ambiental. A proposta é captar recursos públicos e privados e utilizar os rendimentos líquidos para remunerar países que mantenham suas florestas tropicais preservadas.

Diferentemente de modelos baseados exclusivamente em doações, o TFFF pretende operar como um fundo de investimento de longo prazo. Os recursos captados serão aplicados no mercado financeiro, e parte dos rendimentos será destinada a países que cumprirem critérios de conservação florestal.

A verificação da cobertura vegetal deverá ser feita por meio de imagens de satélite. Os pagamentos dependerão do cumprimento de limites previamente estabelecidos para desmatamento e degradação ambiental.

Meta é alcançar US$ 125 bilhões

O objetivo de longo prazo do TFFF é reunir US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões provenientes de governos e US$ 100 bilhões de investidores privados. A iniciativa busca transformar a conservação das florestas em uma atividade com retorno financeiro contínuo para os países participantes.

Com a promessa holandesa, o fundo chega a US$ 7,8 bilhões em recursos anunciados, mas ainda precisa alcançar a meta inicial de US$ 10 bilhões até o fim de 2026 para avançar conforme o planejamento apresentado.

A expectativa é que o mecanismo entre em operação em meados de 2027, após a conclusão das etapas de estruturação financeira e institucional.

Países e comunidades podem receber recursos

Além do Brasil, a coalizão internacional que manifestou intenção de contribuir com o fundo inclui países como Noruega, Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido.

O modelo prevê uma remuneração indicativa de aproximadamente US$ 4 por hectare de floresta preservada ao ano, sujeita às regras do mecanismo e à disponibilidade de recursos. O pagamento dependerá da comprovação de que os critérios ambientais foram cumpridos.

A proposta também prevê destinar pelo menos 20% dos pagamentos recebidos pelos países participantes a povos indígenas e comunidades tradicionais, que desempenham papel importante na proteção dos territórios florestais.

Anúncio ocorre após reeleição de Lula

A divulgação do compromisso holandês aconteceu na segunda-feira seguinte à vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. O resultado foi acompanhado por manifestações de líderes internacionais, que destacaram diferentes aspectos da relação com o próximo mandato.

O momento do anúncio também chamou a atenção pelo peso da agenda ambiental nas relações internacionais. Entretanto, não há confirmação de que a decisão holandesa tenha sido motivada pela reeleição do presidente brasileiro.

O investimento anunciado ainda não representa uma transferência imediata de dinheiro. A contribuição depende das condições previstas pelo governo dos Países Baixos e da conclusão da estruturação do fundo, cuja formalização é esperada para a conferência climática COP31, na Turquia.

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