Com apenas 40 dias de vida, Arthur Morais Oliveira enfrenta uma situação delicada de saúde enquanto aguarda uma cirurgia cardíaca fora do Acre. O bebê está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, após ser diagnosticado com uma malformação no coração. Dependente de oxigênio, ele precisa de transporte aéreo especializado para chegar ao hospital onde poderá receber o tratamento.

A família tenta acelerar os procedimentos necessários à transferência e enfrenta dificuldades financeiras para acompanhar o tratamento. O pai, Antônio Ison de Oliveira, de 39 anos, relata que ainda não recebeu a confirmação da data, do horário nem do destino da viagem. A possibilidade de São Paulo receber o paciente foi mencionada por ele, mas ainda não havia definição oficial até esta terça-feira (27).
Arthur nasceu em 17 de setembro, junto com seu irmão gêmeo. Enquanto o outro bebê apresenta desenvolvimento considerado saudável, Arthur começou a demonstrar sinais de problemas de saúde nos primeiros dias após voltar para casa. A situação se agravou em 21 de outubro, quando precisou de atendimento de emergência e foi encaminhado para internação.
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Família percebeu primeiros sinais após bebê chegar em casa
Segundo Antônio, a família notou diferenças entre o desenvolvimento dos dois irmãos logo depois da alta da maternidade. Arthur apresentava episódios em que a pele ficava arroxeada durante o choro, além de demonstrar menor firmeza corporal.
Os pais passaram a observar cuidadosamente o comportamento do bebê, especialmente quando ele chorava. A mudança na coloração da pele aumentou a preocupação com a saúde da criança.
Em 21 de outubro, Arthur apresentou uma piora repentina. A mãe o levou ao pronto-socorro, onde ele precisou ser intubado e recebeu atendimento intensivo. Desde então, permanece internado.
Foi durante a investigação médica que a família recebeu o diagnóstico de cardiopatia, uma alteração na estrutura ou no funcionamento do coração.
Cirurgia precisa ser realizada fora do Acre
A família foi informada de que Arthur necessita de uma intervenção cirúrgica e que o procedimento deverá ocorrer em outro estado.
De acordo com o pai, o bebê não apresenta condições de viajar em um voo comercial, pois depende de suporte de oxigênio. Por isso, o transporte deverá ser realizado em uma aeronave equipada para atendimento intensivo.
Antônio afirma que os médicos apontaram a necessidade de realizar a transferência com urgência. Apesar disso, a família ainda aguarda informações sobre o hospital de destino e a organização da viagem.

O pai relata que o filho permanece estável sob cuidados médicos, mas teme que uma demora comprometa suas condições de saúde.
A definição do hospital, da disponibilidade de atendimento e do transporte especializado é considerada fundamental para que Arthur tenha acesso à cirurgia indicada.
Transferência depende de procedimentos do Tratamento Fora de Domicílio
Os familiares estão reunindo documentos para viabilizar o atendimento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mecanismo do Sistema Único de Saúde utilizado quando determinados procedimentos não estão disponíveis na rede de atendimento do local de origem do paciente.
A assistência pode envolver encaminhamento para unidades especializadas de outros estados, conforme avaliação médica e regulação do sistema público de saúde.
No caso de Arthur, a família aguarda informações sobre os próximos passos da transferência e a confirmação da unidade hospitalar que poderá realizar a cirurgia.
Procurada para esclarecer o andamento do caso, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que, por se tratar de um paciente menor de idade, as informações referentes à transferência são repassadas diretamente aos familiares.
Até a publicação das informações disponíveis nesta terça-feira, não havia confirmação pública de data para a viagem.
Pais enfrentam dificuldades para acompanhar tratamento
Além da preocupação com a saúde de Arthur, os pais enfrentam dificuldades financeiras e familiares para organizar o deslocamento.
Antônio relata que precisou deixar o trabalho para cuidar dos documentos e das providências relacionadas ao atendimento do filho. A mãe, Gigliane Morais do Nascimento, dedica-se aos cuidados das crianças.
O casal também tem outros filhos, incluindo o irmão gêmeo de Arthur, que ainda é amamentado.
Essa situação criou uma dificuldade adicional: a mãe precisa acompanhar Arthur durante o tratamento, mas o outro bebê também depende de seus cuidados.
A família tenta encontrar uma solução que permita organizar a viagem sem comprometer a assistência às demais crianças.
Família pede ajuda para custear despesas da viagem
Diante das dificuldades, os pais iniciaram uma mobilização para conseguir apoio financeiro.
Segundo Antônio, os recursos arrecadados serão destinados às despesas relacionadas ao deslocamento, à permanência fora do Acre e ao apoio aos familiares que precisarão cuidar das crianças durante a ausência dos pais.
O pai explica que a principal preocupação é garantir que Arthur consiga chegar ao hospital e realizar o procedimento necessário.
A família também busca orientações sobre as condições de acompanhamento durante a transferência, já que a presença da mãe é considerada importante para a recuperação e a alimentação do bebê.
O pedido de ajuda ocorre enquanto os familiares aguardam uma definição sobre o transporte e a cirurgia.
O que é cardiopatia congênita?
A cardiopatia congênita é uma alteração na estrutura ou no funcionamento do coração que está presente desde o nascimento.
De acordo com o Ministério da Saúde, essas condições podem variar de alterações leves, que exigem acompanhamento, a problemas complexos que necessitam de cirurgia e atendimento especializado.
Entre os possíveis sinais de problemas cardíacos em recém-nascidos estão dificuldades respiratórias, alterações na coloração da pele, dificuldades de alimentação e ganho insuficiente de peso. A presença desses sintomas exige avaliação médica, mas não significa, isoladamente, a confirmação de uma cardiopatia.
O diagnóstico e o tratamento dependem do tipo específico de alteração e das condições clínicas de cada paciente.
No caso de Arthur, a família informou a existência de uma malformação cardíaca, mas não foi divulgado publicamente qual é o defeito específico identificado pelos médicos.
Família mantém esperança de recuperação
Mesmo diante da internação e das incertezas sobre a transferência, os pais afirmam que continuam confiantes na possibilidade de recuperação do filho.
Antônio relata que recebeu informações encorajadoras da equipe médica sobre os resultados esperados com a cirurgia. A avaliação individual, porém, depende das características da cardiopatia e da evolução clínica de Arthur.
Enquanto o procedimento não é realizado, o bebê permanece sob cuidados intensivos na maternidade em Rio Branco.
A família espera que a transferência seja definida o mais rápido possível para que Arthur receba o atendimento especializado indicado pelos médicos.