A Justiça do Rio de Janeiro condenou três policiais militares apontados como integrantes do chamado “novo Escritório do Crime”, organização criminosa investigada por envolvimento em assassinatos por encomenda, sequestros e comércio clandestino de armas e munições. As penas chegam a 63 anos de prisão.
A decisão foi obtida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), na quarta-feira passada (21), e divulgada nesta terça-feira (27).
A maior condenação foi aplicada ao segundo-sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, que recebeu pena de 63 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 168 dias-multa.
O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, conhecido como “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, chamado de “Briggs”, foram condenados a 27 anos de prisão cada um, também em regime inicial fechado, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armamentos.
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava sob ordens de lideranças ligadas à contravenção e mantinha uma estrutura organizada para realizar crimes violentos, incluindo execuções planejadas e negociações clandestinas de armas.
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As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações envolvendo fuzis, carregadores e munições de grosso calibre.
De acordo com o Ministério Público, parte do armamento comercializado teria sido desviada de apreensões realizadas em operações da própria Polícia Militar.
Bruno Estilo foi apontado pela acusação como participante do planejamento e da execução de homicídios, além de atuar nas negociações ilegais de armas e munições.
Já Alessander e Diogo teriam fornecido material bélico à organização criminosa. No caso do capitão, os investigadores identificaram indícios de uma relação contínua com o grupo, incluindo o recebimento de pagamentos periódicos de R$ 500 pelo fornecimento de armamentos.
O Ministério Público também identificou negociações atribuídas ao cabo Diogo entre outubro e novembro de 2021.
Grupo é investigado por assassinatos na Zona Oeste
Entre os crimes atribuídos à organização estão as mortes de Fábio Romualdo Mendes e Neri Peres Júnior, assassinados em setembro e outubro de 2021, respectivamente, na Zona Oeste do Rio.
Fábio foi morto em 29 de setembro daquele ano, por volta das 9h, quando dirigia pela Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Segundo a denúncia, os criminosos haviam monitorado a vítima durante aproximadamente um mês e planejado diferentes tentativas de emboscada.
Uma dessas tentativas teria ocorrido em uma barbearia, mas o assassinato não foi concretizado porque Fábio não compareceu ao estabelecimento.
Cinco dias depois, em 4 de outubro de 2021, Neri Peres Júnior foi assassinado a tiros de fuzil e pistola, por volta das 12h50, em Realengo, em uma área de grande circulação de pessoas.
De acordo com a investigação, o grupo havia tentado matar Neri em pelo menos quatro ocasiões anteriores.
O Ministério Público aponta Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, “Batata” ou “Soares”, como responsável por encomendar os homicídios. Outros integrantes ficariam encarregados de monitorar as vítimas, organizar as emboscadas e executar os ataques.
Condenação também prevê expulsão de policiais
A sentença manteve a prisão preventiva de Bruno Marques da Silva e Alessander Ribeiro Estrella Rosa. Diogo Briggs poderá recorrer em liberdade.
A Justiça também determinou a exclusão de Bruno e Diogo dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.
No caso do capitão Alessander, a eventual perda do posto e da patente deverá ser analisada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), também depois que a condenação se tornar definitiva.
A defesa de Bruno Estilo, representada pelo advogado Bernardo Cortez, contestou a decisão e afirmou que pretende recorrer. Segundo o advogado, houve irregularidades na análise das provas digitais e insuficiência de elementos para sustentar a condenação.
As defesas de Alessander e Diogo não haviam apresentado manifestação sobre a decisão nas informações divulgadas até a publicação das reportagens consultadas.