O jornalista esportivo Adroaldo Guerra Filho, conhecido como Guerrinha, morreu na madrugada desta quarta-feira (28), aos 70 anos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O comentarista estava internado desde domingo (25) no Instituto de Cardiologia, onde recebia tratamento para uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
A morte foi confirmada pelo Grupo RBS, empresa na qual Guerrinha trabalhou durante 43 anos. Conhecido pelo humor, pelas análises sobre futebol e pelas frases irreverentes, o comunicador se tornou uma das principais referências do jornalismo esportivo gaúcho, especialmente por suas participações na Rádio Gaúcha e no programa Sala de Redação.
Guerrinha deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos, João Vitor, Manoela e Eduarda. Até a divulgação das primeiras informações, não haviam sido anunciados detalhes sobre o velório e o sepultamento.
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Guerrinha estava internado desde domingo em Porto Alegre
Adroaldo Guerra Filho foi internado no Instituto de Cardiologia, na capital gaúcha, no domingo (25), após apresentar uma infecção pulmonar.
Durante o período de internação, o quadro evoluiu para uma infecção generalizada. O jornalista não resistiu e morreu na madrugada desta quarta-feira.
Em comunicado oficial, o Grupo RBS lamentou a morte do comentarista e destacou sua contribuição para a comunicação esportiva no Rio Grande do Sul.
A empresa também prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e ouvintes que acompanharam sua trajetória.
Quem era Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha?
Guerrinha começou sua trajetória profissional no jornalismo impresso, embora tivesse uma ligação familiar com o rádio desde a infância.
Seu pai, Adroaldo Guerra, era rádio-ator e comunicador da Rádio Gaúcha, onde ficou conhecido como Vovô Guerra por apresentar um programa infantil.
Durante a juventude, Guerrinha desenvolveu interesse pelo turfe, modalidade esportiva ligada às corridas de cavalos.
Enquanto estudava Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), começou a publicar reportagens no Jornal Hoje, veículo que integrou o Grupo RBS durante a década de 1970.
Posteriormente, trabalhou na cobertura do Jockey Club para os jornais Folha da Manhã e Correio do Povo.
A experiência no jornalismo impresso marcou o início de uma carreira que ultrapassaria cinco décadas.
Carreira no Grupo RBS começou em 1983
Em 1983, Guerrinha retornou ao Grupo RBS para trabalhar no jornal Zero Hora, inicialmente escrevendo sobre corridas de cavalos.
Com a redução do espaço dedicado ao turfe, passou a atuar na cobertura de futebol a partir de 1993.
O jornalista assumiu o acompanhamento diário do Internacional, clube pelo qual torcia, e passou a frequentar o Estádio Beira-Rio para produzir reportagens e acompanhar os bastidores do time.
Mesmo sendo colorado declarado, conquistou reconhecimento entre torcedores do Grêmio por suas análises críticas e pelo humor utilizado nos comentários sobre os dois clubes.
A experiência na cobertura esportiva abriu caminho para sua participação em programas de rádio e televisão.
Guerrinha se tornou conhecido no Sala de Redação
A estreia de Guerrinha na Rádio Gaúcha aconteceu em 1999, quando passou a participar do programa Falcão na Gaúcha, apresentado ao lado do ex-jogador Paulo Roberto Falcão.
Em 2000, começou a publicar a coluna Guerra Total no jornal Diário Gaúcho, utilizando perguntas e comentários provocativos para abordar acontecimentos do futebol.
Quatro anos depois, em 2004, foi convidado para substituir temporariamente Kenny Braga no Sala de Redação, tradicional programa de debates esportivos da emissora.
A participação, inicialmente prevista para o período de férias do colega, tornou-se permanente.
Guerrinha passou a integrar a bancada do programa e ganhou popularidade pelas observações espontâneas, pelas críticas aos treinadores e pelas histórias contadas durante as discussões.
Uma de suas expressões mais conhecidas ficou popularmente chamada de Lei Guerrinha, usada para ironizar mudanças feitas por técnicos quando suas equipes estavam apresentando bom desempenho.
“Se algo deu certo, então tem que mudar.”
A frase se tornou uma marca do comentarista e passou a ser repetida em discussões sobre futebol.
Jornalista também participou de programas de televisão
Além do trabalho no rádio e nos jornais, Guerrinha integrou a programação esportiva da RBS TV.
Entre suas participações mais conhecidas esteve o Lance Final, programa de debates exibido aos domingos.
O comentarista também apresentou o Paredão do Guerrinha, criado em 2014, com entrevistas e conversas com personalidades ligadas ao esporte.
Sua presença na televisão ampliou a popularidade conquistada no rádio, mantendo o estilo bem-humorado e direto que marcou sua trajetória profissional.
Ao longo dos anos, o jornalista acompanhou diferentes gerações de jogadores, treinadores e dirigentes do futebol gaúcho.
Internacional lamenta morte de Guerrinha
O Sport Club Internacional divulgou uma nota de pesar nesta quarta-feira (28), após a confirmação da morte do jornalista.
O clube destacou a trajetória do comunicador e sua ligação com a torcida colorada.
A manifestação também relembrou a participação de Guerrinha na leitura da crônica Não me acordem, escrita por Luis Fernando Verissimo para celebrar a conquista do Mundial de Clubes de 2006.
Anos depois, o comentarista participou do espetáculo Os Protagonistas, realizado durante as comemorações pela reinauguração do Estádio Beira-Rio.
O Internacional prestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da imprensa esportiva.
Grupo RBS destaca legado do jornalista
Em seu comunicado oficial, o Grupo RBS ressaltou o reconhecimento conquistado por Guerrinha ao longo de 43 anos de trabalho na empresa.
A emissora destacou que o jornalista construiu uma trajetória marcada pelo respeito ao público, pelo humor e pela capacidade de se comunicar com torcedores de diferentes gerações.
O comentarista também ficou conhecido por frases que misturavam ironia e observações sobre o cotidiano do futebol.
A morte de Guerrinha encerra uma trajetória que começou nas páginas dos jornais e ganhou projeção nacional por meio do rádio e da televisão.
Seu trabalho permanece associado à história da comunicação esportiva no Rio Grande do Sul, especialmente aos debates sobre Internacional e Grêmio.